<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978</id><updated>2011-10-02T04:41:15.174-07:00</updated><title type='text'>O Eventuário</title><subtitle type='html'>"Como sempre (e, como sempre, várias pessoas sensíveis de quem gosto ficarão ofendidas), a delegação da democracia-por-vir não foi convidada" - Slavoj Žižek.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7188815741241312137</id><published>2011-01-04T11:56:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T15:55:55.683-08:00</updated><title type='text'>O fascismo sustenta o Lulismo, ou o Lulismo sustenta o fascismo?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;span style="font-family: Arial"&gt;Todo fascismo é testemunho &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;span style="font-family: Arial"&gt;de uma revolução fracassada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;&lt;span style="font-family: Arial"&gt;- Walter Benjamin&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Roland Corbisier disse a respeito da Revolução dos Cravos em Portugal na década de 70 que ‘[a revolução dos cravos] &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;prova que é possível ser militar sem ser fascista&lt;/i&gt;’. Poderíamos afirmá-lo hoje também a respeito da Venezuela de Chavez. Mas e no Brasil de Lula e Dilma?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Após sua cerimônia de posse, a secretária de Direitos Humanos do governo Dilma, Maria do Rosário, reafirmou a necessidade da criação da Comissão da Verdade proposta pela mesma secretaria em projeto de lei de maio do ano passado, ainda sob o governo Lula. Segundo Maria do Rosário, a tal comissão teria por finalidade ‘resgatar a memória e a dignidade dos desaparecidos durante a ditadura’.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Logo após, Dilma fez um comentário que mais parece uma ressalva: ‘As forças armadas também fazem parte da consolidação da democracia’. E ressaltou que tinha certeza que as forças armadas também tinham interesse em estar juntas neste processo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Mas horas depois foi a vez da cerimônia de posse do General José Elito Siqueira, ministro do ‘Gabinete de Segurança Institucional’ do governo Dilma. E parece que o General discorda de Dilma. Mas apenas parcialmente. É que para ele o ‘movimento de 64’ (este é o termo com que o General se refere ao golpe) deve ser tratado como ‘um dado histórico da nação, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;seja com prós e com contras&lt;/i&gt; [grifo nosso], mas como dado histórico. Os desaparecidos são história da nação que não temos de nos envergonhar &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;ou nos vangloriar&lt;/i&gt; [grifo nosso]. Temos que estudá-lo como fato histórico’. É que se trata, para ele, de ‘olhar para frente’ e de ‘pensar nas melhorias do nosso país para as futuras gerações’.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;E logo depois também o General Enzo Peri, logo após o discurso de cerimônia do Gen José Elito, reafirmou o discuro de olhar para frente, contradizendo Dilma no que se refere ao suposto ‘interesse’ das Forças Armadas em apurar as torturas do tal ‘movimento de 64’. E isto tudo na frente de 300 militares que estavam presentes na cerimônia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;A Institucionalidade do Gabinete de Segurança Institucional&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Bem, quais são as funções do ‘Gabinete de Segurança Institucional’? Entre elas estão a de ‘prevenção da ocorrência e articulação do gerenciamento de crises em caso de grave e iminente ameaça à estabilidade institucional’ e a de ‘coordenação das atividades de inteligência federal e de segurança da informação’. (&lt;a href="http://www.gsi.gov.br/sobre"&gt;www.gsi.gov.br/sobre&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Ora, sob o ponto de vista estritamente ‘institucional’, portanto: ou esse papinho de apurar os crimes da ditadura é nada mais nada menos do que aquilo que Peter Sloterdijk chamou de ‘razão cínica’ como processo de legitimação discursiva própria da nossa era, ou seja, algo que não é pra ser levado &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;realmente a sério &lt;/i&gt;e cuja eficácia reside precisamente nisto&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;; &lt;/i&gt;ou, no caso de ser prova da ‘sinceridade e da sensibilidade feminina’ de Dilma Roussef, essa divergência entre os dois ministros pode levar a uma ‘instabilidade institucional’. Caso em que será chamado para dirimir a crise, ninguém menos que o General Siqueira, como lhe compete ‘institucionalmente’.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;De outro lado, não há muito o que se preocupar porque, de qualquer forma, a função de controlar as atividades de inteligência e ‘zelar pela segurança da informação’ também é competência ‘institucional’ do General Siqueira. Que é abertamente contra a apuração e publicização dos atos criminosos conduzidos pelas forças armadas na redentora de 64.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;De que é nome o termo ‘segurança institucional’?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Ou, dito de outra forma, que significa dizer, como disse Dilma, que ‘as forças armadas fazem parte da consolidação da democracia’? Pois aqui, me parece que ela e os generais gorilas concordam plenamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;De que depende a ‘segurança institucional’ de uma democracia ocidental? Da lei (e das instituições democráticas que, em última análise são parte do regime constitucional e fundadas sob uma lei). Mas e a lei, depende de quê?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Kelsen diria, de uma &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;grundnorm&lt;/i&gt;, de uma norma fundamental pressuposta que põe a validade da lei, que é em si a validade da lei como dádiva, como ‘graça’, para usar um termo teológico. É que a lei em Kelsen, como em Kant, é impessoal, é despersonalizada. Ela é um ‘enunciado sem sujeito’. Não é que Kelsen ou Kant desconsiderem o caráter eminentemente humano de todas as leis, sejam elas morais ou jurídicas. Mas aqui um argumento muito similar ao da ‘coisa-em-si’ é posto em andamento: embora o espírito esteja preso na esfera subjetiva, na forma de um ideal regulativo nós agimos ‘como se’ o conteúdo objetivo da lei estivesse lá e ‘como se’ ele fosse possível. Portanto o conteúdo objetivo da lei é uma ilusão, mas uma &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;ilusão necessária&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Mas foi Lacan quem demonstrou a verdade desta impessoalidade da lei kantiana em seu Kant com Sade: onde o imperativo categórico (que aplicado ao ordenamento é a &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;grundnorm&lt;/i&gt;) aparece como impessoal e, portanto, onde os &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;citoyen&lt;/i&gt; burgueses abdicam de parte do seu gozo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;pessoal&lt;/i&gt; em nome de uma lei Universal ‘&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;despersonalizada’&lt;/i&gt;, aparece, em seu lugar, a figura do Carrasco Sádico e do Outro. O gozo abdicado não é simplesmente perdido. Usando a metáfora energética freudiana, não pode, aqui, haver perdas. Mas este gozo ‘perdido’ aparece na forma de um gozo superegóico e perverso e o Carrasco Sádico é aquele sujeito perverso que age como instrumento do Gozo do Outro. E Lacan lança um desafio: encontrar no pensamento do marquês de Sade um único aforisma que contradiga o imperativo categórico de Kant. (Lacan lembra que, inclusive, para o sádico o sofrimento a ser imposto aos outros pode muito bem ser imposto a si próprio por outro. Portango ‘age de tal forma que sua ação possa ser válida para todos’).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Portanto a própria lei se baseia estruturalmente num excesso superegóico e, qualquer ordem social, se baseia numa violência. Violência que Benjamin chamaria de ‘objetiva’, ou seja, uma violência que não é imputável a um sujeito qualquer, mas que é inerente à ordem social, objetivamente. Em alguma medida, o Estado pode e sabe que pode fazer o que for preciso para manter a ordem em que se baseia e a ordem que defende.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Esta é a tese fundamental das primeiras teorias sobre o fascismo que, acertadamente, mostravam o fascismo como o ‘excesso superegóico’ do regime burguês. Pois o fascismo, na medida em que era também um regime do capitalismo, demonstrava até onde os setores mais reacionários do capital financeiro (o caso mais conhecido foi o da IBM, mas existem outros) estavam dispostos a ir para barrar qualquer tentativa de levante popular organizado que puzesse em cheque os privilégios da ordem burguesa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Contrariamente às teorias arendtianas sobre totalitarismo que tentam isentar o capitalismo de qualquer culpa sobre o fascismo e, de quebra, imputá-la aos movimentos populares organizados e às organizações sindicais combativas, as teorias &lt;i&gt;revolucionárias&lt;/i&gt; sobre o fascismo (de que fala Konder em seu &lt;i&gt;Introdução ao Fascismo&lt;/i&gt;), demonstram que o fenômeno fascista emerge quando aquilo que, do poder burguês, é recalcado no discurso democrático retorna no discurso fascista na forma de terrorismo de estado e defesa do capital financeiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;i&gt;Segurança Institucional&lt;/i&gt; significa, aqui, aquilo que garante a exploração da classe burguesa sobre os trabalhadores sob condições sociais muito frágeis e complexas. E esta estabilidade cai por terra se não estiver baseada num excesso superegóico de violência fascista que, no momento certo, garante o terrorismo de estado contra as forças populares. Que o fascismo seja, como disse Benjamin, testemunho de uma revolução fracassada, quer dizer isto: que o fascismo é o fenômeno que emerge toda vez que é necessário à burguesia deixar de lado o &lt;i&gt;mise-en- scène&lt;/i&gt; democrata e barbarizar contra forças populares que ameaçam o sistema do capital.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;O recrudescimento da direita proto-fascista, racista, xenófoba e fundamentalista no Brasil, como assistimos nas disputas eleitorais entre Serra e Dilma, é decorrência desse compromisso tácito entre as forças democráticas do &lt;b&gt;P&lt;/b&gt;artido &lt;b&gt;T&lt;/b&gt;ermidoriano e as forças fascistas do desenvolvimentismo golpista. E foi o PT quem favoreceu este recrudescimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; "&gt;Ademais, vale uma última reflexão, que o capitalismo seja o elo de união entre democracia e fascismo me parece evidente (como evidente é que as teorias do &lt;i&gt;Totalitarismo&lt;/i&gt; tem por objetivo unicamente mascarar esse fato). Mas então, não seria muito esclarecedor o fato de Delfim Neto ser o economista entusiasta tanto do governo Médici (e Castelo Branco) quanto do governo Dilma? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7188815741241312137?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7188815741241312137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7188815741241312137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7188815741241312137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7188815741241312137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2011/01/o-fascismo-sustenta-o-lulismo-ou-o.html' title='O fascismo sustenta o Lulismo, ou o Lulismo sustenta o fascismo?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1017546170550979679</id><published>2010-07-24T11:06:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T20:23:52.684-07:00</updated><title type='text'>De que importa Alain Badiou? (Breve rascunho sobre a Verdade.)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alain Badiou, filósofo francês contemporâneo vem se destacando na construção de uma filosofia que recupere o ideal emancipatório há algum tempo abandonado pelos filosofos - em especial os franceses - e que trazia por nome a palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comunismo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto filosófico de Badiou, contrariamente às tendências filosóficas dos últimos 30 anos, de matriz francesa, a chamada "nova filosofia", se preocupa eminentemente com as condições de um pensamento filosófico livre (ou seja, não constrangido por nenhum limite externo a não ser os limites internos que sua própria lógica impõe sobre ele) que, por óbvio, deve caminhar lado a lado com um projeto político emancipatório que, em última instância, crie condições concretas de o pensamento ser, de fato, livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, no campo filosófico, Badiou enxerga muito lucidamente o que é o problema contemporâneo da filosofia: a reinvenção da Verdade, da idéia de verdade, descartada por esta mesma filosofia francesa como algo intrinseca (e talvez ontologicamente) totalitária. Mas sem uma noção de Verdade não é possível nem pensamento filosófico, nem projeto político emancipatório concreto (ou seja, organizado).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Badiou está com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Verdade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Badiou parte portanto de uma noção bastante interessante. Reinventar a Verdade significa rediscutir sua validade e sua força. Uma Verdade não pode ser algo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;simplesmente Universal &lt;/span&gt;como que externa às particularidades (ou melhor, às singularidades) que a ela se subordinam. (esta é a verdade totalizante para qual aponta todo o fetichismo pós-moderno). Tampouco a Verdade pode ser algo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estritamente singular&lt;/span&gt; e, portanto, identitária como nos aponta a filosofia (esta sim totalitária) do multiculturalismo e suas nuâncias comunitaristas e liberais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Verdade é sempre uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;singularidade universal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Filosofia é a forma lógica de aparecimento de uma Verdade que surge, originariamente, sempre como um Evento singular que descarrila a lógica precedente do pensamento universal. Em outras palavras, a filosofia mapeia as regras universais do pensamento lógico, com base em Eventos singulares que colocaram em xeque a lógica racional precedente (ou o pensamento universal precedente). Estes eventos são sempre de 4 ordens (ou como diria Zizek, principal interlocutor de Badiou, eles são de "3 + 1" ordens): A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ciência&lt;/span&gt;; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arte&lt;/span&gt;; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;política&lt;/span&gt; e, finalmente, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;amor&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a filosofia (e aqui Badiou é claramente hegeliano na medida em que aceita abertamente o fato de a filosofia ser a "capacidade racional do gênero humano") recolhe  eventos descobertas,  e invenções&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;das artes, das ciências, da política e/ou do amor para mapear as regras universais do pensamento humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porque Zizek faz a ressalva de que estas 4 ordens de eventos são, na verdade 3 + 1? Porque a forma como estes Eventos (Descobertas, invenções, criações etc) aparecem e se organizam internamente ao procedimento-verdade a que correspondem tem por matriz o Amor. Ou seja, destas 4 "formas" do evento, o Amor é a "forma" que atravessa todas as outras. Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Amor nada mais é do que um encontro que arranca o sujeito da continuidade monótona do cotidiano criando um abismo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;para a&lt;/span&gt; Razão, para o continuismo lógico e confortável da rotina. Mas enquanto isto o Amor não é ainda "para si" (se me permitem cruzar duas filosofias). O Amor se "completa" quando nos mantemos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fiéis&lt;/span&gt; a este encontro, ou seja, quando aceitamos plenamente o abismo que se abre diante de nós e, a partir daí, reconstruímos a lógica do mundo e ressignificamos o mundo, sem exceções, a partir deste encontro. Nisto consiste a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mágica&lt;/span&gt; do Amor. O mundo, embora esteja lá como sempre esteve, nunca mais é o mesmo. E a fidelidade consiste em jamais trair esta máxima, em jamais tergiversar ou agir cinicamente contra este "algo a mais", este aroma diferente no ar que preenche o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em síntese: a matriz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lógica&lt;/span&gt; (e portanto racional do amor) é a de um encontro com o inominável que obriga a refundação da racionalidade reflexiva do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;agir no mundo&lt;/span&gt; em caráter de fidelidade. Nisto a ciência, a política e a arte agem segundo a mesma matriz. Uma hipótese científica que descarrila a lógica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;paradigmática&lt;/span&gt; (para usar um termo em moda) precedente só pode representar um avanço epistemológico se os cientistas agem por amor e por fidelidade à hipótese. Uma política militante organizada (a única política que existe, o resto não é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;política&lt;/span&gt;, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;polícia&lt;/span&gt;) também é o processo de fidelidade (e amor) a uma hipótese política que põe em xeque as regras do stablishment estatal. E a arte também é a sucessão de obras fiéis  a(e cheias de amor por) uma hipótese artística em ruptura com a estética do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Verdade é aquilo que se cria no processo em que esta fidelidade organiza e alinha as coisas do mundo, as positividades do mundo em que ela opera, de forma a validar e comprovar a hipótese. Tal como São Paulo, apóstolo e militante, saiu em busca da validação da hipótese da ressureição por amor ao Evento chamado Cristo. E é claro que este processo (como também nos aponta a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;matriz do Amor&lt;/span&gt;) é infinito. O que não quer dizer que processos de verdade não se esgotem, por forças reacionárias externas, por sujeitos deste processo que resolvem traí-lo, ou pela totalização deste processo na figura de um sujeito que se arvora no direito de constituí-lo a despeito dos demais sujeitos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o crucial desta concepção (amorosa) da Verdade, como um singular Universal é a compreensão da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lógica dos fracassos&lt;/span&gt;. Todo este raciocínio de Badiou é fundamental para entender que um fracasso de um projeto político, científico e artístico (+ amoroso) nunca é um fracasso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tautológico&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;universal&lt;/span&gt;. Ou seja, não se pode explicar o fracasso com base num "deu errado porque tinha que dar errado mesmo... estava óbvio desde o início"; tampouco com base em um "deu errado porque esta idéia de comunismo/o surrealismo/o teorema de Fermat/o amor é impossível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo fracasso que diga respeito a um destes processos pode ser explicado a partir de um ponto singular em que, no processo, as coisas tomaram o caminho errado. E com isso, abre-se o debate sobre o fracasso dos SOREX (socialismos realmente existentes): a hipótese comunista deve ser abandonada? Se sim, como explicar que um Evento político em processo de verdade se distingue radicalmente de um evento científico, por exemplo? Quer dizer que o Teorema de Fermat, a qual a matemática deve grande parte de seus desenvolvimentos, e precisamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por causa &lt;/span&gt;dos sucessivos fracassos em comprová-lo (até que Wilies o fez há alguns anos), deveria ter sido abandonado há 3 séculos atrás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amemos a hipótese comunista. E sejamos os únicos capazes de amar e compreender a lógica do   fracasso das formas concretas de sua existência histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Verdade voltou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1017546170550979679?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1017546170550979679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1017546170550979679' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1017546170550979679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1017546170550979679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/07/de-que-importa-alain-badiou-breve.html' title='De que importa Alain Badiou? (Breve rascunho sobre a Verdade.)'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4883511365961386174</id><published>2010-07-01T17:43:00.001-07:00</published><updated>2010-07-01T18:03:33.745-07:00</updated><title type='text'>Uma resposta: em defesa de Georges Politzer, Plínio de Arruda Sampaio e do Psol.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma amiga me monstrou este link de um blog chamando o Psol de partido neo-stalinista com base na opção do partido em recomendar a leitura de um livro de Geoges Politzer chamado "Princípios elementares de Filosofia".: &lt;a href="http://diariogauche.blogspot.com/2010/07/seria-o-psol-um-partido-neo-stalinista.html"&gt;http://diariogauche.blogspot.com/2010/07/seria-o-psol-um-partido-neo-stalinista.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz uma resposta o mais cordial possível por achar que é um debate que traz uma série de formulações muito caras aos movimentos emancipatórios hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Crítica é falha pelo seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar a crítica desconsidera que quase todo o marxismo brasileiro foi stalinista. E isso por um motivo muito simples: a doutrina marxista que chegou ao brasil chegou pelas mãos do Partidão com orientação ideológica do marxismo oficial. São poucos os marxistas não-stalinistas no Brasil. Em segundo lugar que quer dizer quando se diz que um livro é stalinista? Que existe uma "essência" totalitária na teoria? O problema desse argumento é que ele cai numa espécie de "armadilha ontológica". O Stalinismo vulgarizou em grande parte, é verdade, o marxismo. Mas isto de forma nenhuma quer dizer que as contribuições stalinistas ou os alinhamentos teóricos stalinistas (e o mais famoso deles é o Lucácks de História e Consciência de Classe) sejam por si só ruins e deterministicamente totalitários enquanto objeto de estudos e reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar: algumas coisas não foram ditas em relação ao Politzer. Em primeiro lugar, quando ele diz "esta obra que sequer foi escrita pelo Politzer" ele dá a entender que se trata de um fato contingente, que das obras de filosofia marxista do politzer, entre tantas, esta especificamente é uma compilação de anotações de alunos dos seus cursos de filosofia marxista. Mas o problema é que este compêndio de filosofia marxista foi uma "compilação de anotações" justamente porque foi resultado do trabalho de Georges Politzer na Universidade Proletária, projeto militante francês de intelectuais marxistas que ministravam cursos básicos de formação em filosofia para operários e abertos também ao público estudantil. E portanto a estrutura da obra é eminentemente oral (como diga-se de passagem são os seminários de Lacan) como todas as obras de Politzer resultantes de seus cursos de filosofia na Universidade Proletária. O que é claro faz concluir que muito provavelmente o que nosso querido crítico enxerga como a vulgarização da filosofia marxista, nada mais é do que o curso militante oferecido pelo franco-húngaro, juntamente com outros intelectuais marxistas, a trabalhadores de chão de fábrica da franca na década de 40 (até que de Gaule proibiu as atividades da referida Universidade) e omitido por ele na sua crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato que, se bem não tem a ver com o caráter stalinista ou não da teoria marxista de Politzer, ainda é importante demais para ser omitido, é que Politzer foi um dos responsáveis pela promoção da psicanálise na frança e considerado pelo próprio Lacan (já que falei do método oral comum tanto aos Princípios Elementares de Filosofia quanto aos seminários lacanianos) um mestre através do qual o psicanalista francês teve seu primeiro contato com a obra freudiana e o saber psicanalítico. Este fato, ou antes a omissão dele, faz da crítica ao Politzer como um pensador vulgar ela própria uma crítica vulgar. A importância do pensamento de Politzer como intelectual militante para a história do pensamento francês no século XX vai um pouco além da mera panfletagem tosca e acrítica do regime stalinista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar: não sei se o nosso crítico é ele próprio um petista envergonhado, coisa muito comum hoje em dia. Mas que fique claro, os desvios do PT não tem absolutamente nada a ver com formulações stalinistas do marxismo. Por isso não faz o menor sentido dizer que "Nem o PT, com todos os seus desvios de percurso, chapinhou na lama enganosa do marxismo vulgar do stalinismo." O PT não chapinhou na lama enganosa do marxismo vulgar do stalinismo, porque o PT há muito tempo não chapinha no marxismo, seja ele trotskista, stalinista, leninista, castrista, guevarista, maoísta etc. E isso simplesmente porque o PT não está construindo uma estratégia revolucionária rumo ao socialismo, mas gerindo a pós-política tão comumente propagada após a queda do muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, quando ele pergunta "Será que o velho Plinião, candidato à presidência da República pelo partido neo-stalinista, sabe disso?", sinceramente eu não sei. Não tomei café da manhã com o Plínio. Mas arriscaria a resposta "sim, e daí?". O Plínio não é só um testa de ferro, um instrumento de manobra na mão de um partido controlador. Dizer isso é faltar com respeito à própria figura do Plínio cuja sabedoria teórica no campo do Marxismo vai da economia política marxista, da filosofia marxista ortodoxa, passando pela teologia da libertação até os filósofos marxistas contemporâneos (como Zizek, de quem o Plínio traduziu alguns textos; e Alain Badiou, a quem ele cita frequentemente nas entrevistas e debates). Plínio não é uma peça de museu com importãncia estratégica no tabuleiro político. Ele pensa a política do seu partido. Ele sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o Plínio está num partido que recomenda a leitura de uma obra tão importante na história do pensamento e da militância socialista, é porque seu partido está construindo uma estratégia revolucionária rumo ao socialismo, projeto que o PT abandonou há muito tempo. E é por isso, e somente por isso, que o "nem o PT" recomenda a leitura de Geoges Politzer, de Lucácks ou dos textos sobre linguìstica do próprio Stalin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, só é possível evitar o stalinismo incorporando o fracasso das suas experiências mal sucedidas e a legitimação teórica-ideológica que as sustentaram. Este discurso de "evitar o mal maior virando as costas para o que pode ser o seu germe" é a mesma postura de Habermas/Bento XVI de evitar o mal maior da dissolução ética do homem virando as costas para a biogenética, fingindo que ela não existe. Postura teoricamente incontinente e politicamente conservadora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4883511365961386174?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4883511365961386174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4883511365961386174' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4883511365961386174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4883511365961386174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/07/uma-resposta-em-defesa-de-georges.html' title='Uma resposta: em defesa de Georges Politzer, Plínio de Arruda Sampaio e do Psol.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-8691470777751172036</id><published>2010-05-23T17:56:00.001-07:00</published><updated>2010-05-23T20:11:01.488-07:00</updated><title type='text'>Porque a psicanálise é uma ciência materialista (e maoísta)?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Recentemente foi resgatada a crítica pretensamente materialista à epistemologia da psicanálise, comparando-a a homeopatia e questionando sua validade enquanto ciência, aproximando-a de um saber religioso. A obra é de Michel Onfray, seu último livro polêmico, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Le Crépuscule d'une idole, l'affabulation freudienne&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;. O argumento não é nada novo e parece realmente dominar um grande setor da esquerda. Mas da onde vem o preonceito metodológico à epistemologia e clínica psicanalítica? Sobretudo, porque frequentemente ele se aponta como uma "crítica materialista"?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 21px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Para responder a essas perguntas, em se tratando de um ataque à epistemologia da psicanálise, onde encontramos uma teoria do conhecimento na psicanálise? Ou, o que não é a mesma coisa, de onde a psicanálise retira sua teoria do conhecimento?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;No dia 16 de agosto de 1893, falece em Paris o Dr. J.M. Charcot, Médico, Psiquiatra e Mestre de Sigmund Freud. Em ocasião do fato, Freud publica, em agosto do mesmo ano, um texto em homenagem ao trabalho clínico e teórico de Charcot, em especial pela sua influência para a fundação da psicanálise. Como indica Freud, Charcot teria sido o primeiro a se debruçar sobre uma série de quadros psiquiátricos ignorados pela psiquiatria e pela medicina teórica da época. Dentre eles, Charcot foi o primeiro a perceber que os sintomas histéricos, manifestos em grande parte no corpo (paralisias, tiques, etc),  estavam ligados a encadeamentos lógicos de representações do paciente que remontavam a um fato ocorrido na vida do paciente. Fato este de que raramente se lembravam os histéricos e histéricas. De sorte que estes encadeamentos &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;inconscientes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; revelavam uma recusa do &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;eu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; do paciente em lidar com o fato ocorrido. O fato, permanecia assim, velado ao &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;eu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; do paciente, porém ainda presente por meio destas representações "encarnadas" no sintoma corpóreo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Mas se os resultados das pesquisas de Charcot (em grande parte por meio do método hipnótico) deslumbravam Freud, por óbvias razões, não menos o deslumbrava o método empregado por Charcot. Segundo Freud, o médico francês "&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;acostumbraba considerar detenidamente uma y outra vez aquello que no lê era conocido y robustecer así, dia por dia, su impresión sobre ello hasta um momento em el qual llegaba de súbito a su compreensión. Ante su visión espiritual se ordenaba entonces el caos, fingindo por el constante retorno de los mismos sintomas, surgiendo los nuevos cuadros patológicos, caracterizados por el contínuo enlace de ciertos grupos de síndromes. Haciendo resaltar, por medio de cierta esquematización, los casos complejos y extremos, o sea los “tipos”, pasaba luego de éstos a la larga serie de los casos mitigados; esto es, de las &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;formes frustrées&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;, que, teniendo su punto inicial en uno cualquiera de los signos característicos del tipo, se extendían hasta lo indeterminado"*.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Em suma, o método charcotiano se resumia à tríade "observação clínica - conceitualização - inferência clínica". Ou seja, o método charcotiano, e sua teoria do conhecimento, se tratava de um processo que tinha por origem e finalidade a prática clínica, mediados (origem e fim) pela conceitualização teórica (enquadramento conceitual das síndromes) a que Charcot chegava por meio de uma certa "visão espiritual",  segundo Freud.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;A ênfase deste método na prática é explícita."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Charcot no se fatigaba nunca de defender los derechos de la labor puramente clínica, consistente en ver y ordenar, contra la intervención de la medicina teórica". Quando um de seus discípulos, certa vez, lhe dirigiu a seguinte demanda "isso não pode ser, pois contraria a teoria de Young-Helmholtz", o mestre lhe respondeu "La théorie c'est bon, mais ça n'empeche d'exister", ou seja, a teoria é boa, mas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;isto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; não deixa de existir: sendo este &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;isto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; aquilo que é capturável apenas pela &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;vivência &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;(e convivência) clínica, aquilo que não está mapeado em nenhuma teoria pré-estabelecida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Em outras palavras, todo método charcotiano consistia na observação sistemática realizada pela prática clínica dos fenômenos frequentemente ignorados pela medicina teórica, e ignorados &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;porque&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; não podem ser explicados em concordância com os pressupostos básicos de tal ou qual teoria. Estes fenômenos são então sistematizados posteriormente por meio de um trabalho teórico de forma que se encontrem as relações mais íntimas entre eles de forma que acabem constituindo, uma porção deles, um só quadro sintomal, uma só "síndrome". O que então permite o retorno à prática para reordenar os fenômenos e ajudar na melhor compreensão das &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;formes frustrées &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;os sintomas que frustravam o enquadramento conceitual, que resistiam à racionalização (ou simbolização). Tudo se passa, para Charcot, como se houvesse duas dimensões irredutíveis entre si no conhecimento: a dimensão prática/clínica, e a dimensão teórica. Duas etapas do conhecimento que jamais se confundem, mas que não existem independentemente uma da outra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Mas onde mais encontramos uma postura "antiteórica" similar e que, surpreendentemente recorre à mesma tríade &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;prática-teoria-prática&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; proposta por Charcot? E inclusive postulando um mesmo corte no saber, entre as dimensões prático-perceptiva e teórico-conceitual? A resposta deve ser imediata: em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Sobre a Prática&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; de Mao Tsé-Tung. Como demonstra a introdução de Mao ao texto de julho de 1937: "havia um certo número de camaradas em nosso Partido que eram dogmáticos e que por um longo período rejeitaram a experiência da revolução chinesa, negando assim a verdade de que o Marxismo não é um dogma, mas um guia para a ação".**&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Mao não só rejeita a postura dogmática ou teoricista de alguns camaradas de partido como também funda uma teoria materialista do conhecimento fundada na mesma noção de observação de fenômenos - teorização/conceitualização - inferência prática. É inclusive repetido o tema charcotiano de retorno à prática para a melhor compreensão das &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;formes frustrées &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;(literalmente: formas frustradas). Como diz Mao "se um homem deseja ser bem sucedido em seu trabalho, isto é, atingir resultados antecipados, ele deve fazer suas idéias corresponderem com as leis do mundo externo objetivo; se elas não correspondem, ele fracassa em sua prática. Depois de fracassar, ele aprende suas lições, corrige suas idéias para fazê-las corresponderem às leis do mundo externo, e pode assim transformar fracasso em sucesso; é isto o que quer dizer 'o fracasso é a mãe do sucesso'".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Mas alguém poderia objetar: que Mao e Charcot estejam de acordo em construir uma teoria do conhecimento baseada na tríade prática-teoria-prática em que o fracasso prático se põe como um desafio teórico que tem como finalidade melhorar a prática, transformando frustração em sucesso, dando atenção justamente aos fenômenos práticos ignorados pelo saber posto, tudo bem. Mas a tal "visão espiritual" de Charcot não o diferencia radicalmente do método eminentemente &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;materialista&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; de Mao? Não é verdade que Charcot seria extremamente idealista ao postular que a mudança qualitativa do saber teórico ocorre como que por passe de mágica, com o surgimento expontâneo de uma visão?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;É aqui que a coincidência se torna ainda mais surpreendente. É que para sustentar tal estrutura triádica do conhecimento, Mao, como Charcot, distingue duas dimensões do conhecimento humano: a dimensão perceptiva e a dimensão cognitiva. Segundo Mao a percepção só consegue captar os fenômenos no &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;caos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;, na relação &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;exterior&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; que as coisas guardam entre si, ou seja, relação &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;não-sistemática&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; entre as coisas. Somente o conhecimento cognitivo, que diz respeito à conceitualização e teorização das percepções sensoriais práticas, pode capturar (por mais paradoxal que pareça) a relação &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;interna&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; entre as coisas, aquela que pode sistematizar, enquadrar e conceitualizar os fenômenos. Citando o próprio Lenin, Mao afirma "todas as abstrações científicas refletem a natureza de forma mais profunda, verdadeira e completamente". Mas como exatamente, para Mao, o conhecimento avança do aspecto perceptivo para o cognitivo, o único capaz de capturar a "essência" do mundo material exterior e objetivo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Segundo Mao: "Conforme a prática social continua, as coisas que fazem emergir as percepções sensoriais e as impressões do homem, no curso de sua prática são repetidas muitas vezes" - como nas observações clínicas de Charcot - "então uma mudança súbita ocorre no cérebro, no processo de cognição, e conceitos são formados [...] una as sobrancelhas e um estratagema virá a mente". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Mas que quer dizer este desparate? Seria Mao um idealista enrustido? Na verdade o que significam a "visão espiritual" de Charcot e o "estratagema" de Mao se referem à mesma noção da &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Intuição&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; na dialética hegelo-marxista: uma decisão em ato que funda uma novidade e que Alain Badiou, filósofo maoísta francês, identifica como sendo o próprio cerne do pensamento ontológico: uma decisão que rouba o lugar do indecidível, do indecifrável pelo saber posto, o saber do &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;stablishment&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;. A esta decisão se dá o nome de axioma: uma sentença em ruptura com a lógica do mundo existente e que abre caminho para um processo-verdade que comprova retroativamente a validade da sentença a partir da fidelidade &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;em ato&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; (prática) a ela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Tal como o poema que funda e funde um novo mundo de relações entre coisas, em oposição à lógica da prosa, eminentemente &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;dianóica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; (= organização e encadeamento lógico de argumentos), o axioma (visão espiritual, estratagema, ou qualquer outro nome) funda e funde relações externas e caóticas entre as coisas que o saber "em prosa" ou dianóico tende a ignorar. Em se tratando de uma lacuna radical entre conhecimento perceptivo (prática) e conhecimento cognitivo (teórico) a única possibilidade de "avançar" nesta lacuna, é a fundação de um axioma, "por conta e risco" do sujeito que o permite organizar o caos do mundo objetivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Estamos tratando aqui de um argumento contrário à glosa dominante da filosofia da linguagem: esta decisão axiomática, que Badiou define como sendo o cerne do pensamento &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;ontológico&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;, precede a lógica. E não o contrário.  Portanto, é a decisão sobre as leis da natureza (partindo, é claro da observação prática), que funda as leis da natureza. O que explica o paradoxo de Lenin em afirmar que somente o conhecimento teórico consegue compreender profunda, verdadeira e completamente o mundo objetivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Mas o que há de materialista nisto? Como nos diz Zizek, o materialismo é a única resposta possível para fenômenos "imateriais". Isto porque é próprio ao materialismo dialético considerar a irredutibilidade entre a razão humana, e as leis da natureza, uma lacuna tão radical que exige um "salto de fé" para que haja alguma avanço na compreensão do mundo objetivo. A postura idealista, é precisamente aquela que "coisifica" ou &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;reifica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; tais fenômenos imateriais na forma de entes transcendentais, amarrando uma lógica &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;dianóica &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;de mundo que só poderia existir caso o mundo objetivo tivesse sido criado por um ser virtuoso e plenamente consciente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;É bom lembrar, entretanto: que"a religião seja o ópio do povo", não quer dizer que não haja um lado teológico no materialismo. Que leva Benjamin a afirmar que a teologia é a mão que anima o boneco do materialismo histórico. (E que leva Plínio A. Sampaio, candidato do PSOL para presidência da república a firmar seu "marxismo com sotaque cristão"). É deste salto de fé que se trata. Desta produção de axiomas que abre o caminho para a verdade e que une profundamente marxismo e psicanálise: a fé na infinitude do homem. Pois o homem é infinito porque é capaz de produzir axiomas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;-------------------------&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;*Freud, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Charcot.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt; Em Obras Completas. Vol.1.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;**Mao, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;On Practice&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;. Disponível em www.marxists.org&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-8691470777751172036?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/8691470777751172036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=8691470777751172036' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8691470777751172036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8691470777751172036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/05/porque-psicanalise-e-uma-ciencia.html' title='Porque a psicanálise é uma ciência materialista (e maoísta)?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-2718204343513123278</id><published>2010-05-19T09:35:00.001-07:00</published><updated>2010-05-19T09:54:12.811-07:00</updated><title type='text'>Elogio à mobilização carcerária.</title><content type='html'>Na última quarta feira, dia 12 de maio, foi realizado em Curitiba o primeiro ato do MDPL, o movimento em defesa dos direitos das pessoas privadas de liberdade, que surgiu para lutar contra as constantes violações à humanidade e a dignidade dos internos nos presídios e cadeias publicas do Estado do Paraná, que constitui um verdadeiro holocausto social e racial inscrito na nossa própria ordem jurídica "Democrática".&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O movimento foi atendido as pressas pelo secretário de Justiça do Paraná, Luis Carlos Giublin Junior, e tirado uma comissão de quatro mães e um advogado para ler a carta do movimento que incluia demandas como a de retirada da polícia repressiva de dentro dos presídios (pois os cuidados devem ser de competência dos agentes penitenciários), a entrada de alimentos (já que os presos comem de 20 em 20 horas) a entrada de cobertores e roupas (já que os presos dormem no chão, sem cobertas e estão praticamente nus no frio glacial do inverno curitibano) etc.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Estado do Paraná é conhecido por ser, nas palavras de Nilo Batista, um "celeiro de grandes penalistas e criminólogos". E de fato o é. Nomes como os de Juarez Cirino, Juarez Tavares, entre outros, são reconhecidos pela intelectualidade progressita das ciências criminais no mundo todo. Mas é a primeira vez que as demandas criminais são postas em movimento pela militância carcerária.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a militância carcerária é um importante veículo de promoção da justiça socialista, já que escancara o lado obsceno da nossa ordem jurídica democrática: a prisão é um lugar sem lei. Lá a lei não vale. E com isso se estrutura os campos de concentração para pobres que são as prisões latino-americanas. Só se acaba com a violência fora dos presídios, depois de se acabar com a violência dentro dos presídios! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sistema penitenciário é um lugar de exceção (no conceito Schmittiano) da ordem jurídica democrática. Aqui encontramos a verdade do Estado do Capital: a repressão excessiva ao contingente pobre e marginalizado, o resto do processo de acumulação do capital. E é por isso que a punição, tal como concebida pela lógica do encarceramento, só é possível quando a Sociedade civil (para usar um termo um pouco arcaico) se aliena completamente do Estado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Construir uma sociedade mais justa, é construir uma sociedade Pauliana, que substitua a Lei pelo Amor. E é por isso que a pauta socialista quer, como queria Cristo, "Amor, não sacrifício".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um Elogio à mobilização carcerária do MDPL! Como diriam Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, "Nossa agonia é o nosso triunfo".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-2718204343513123278?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/2718204343513123278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=2718204343513123278' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2718204343513123278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2718204343513123278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/05/elogio-mobilizacao-carceraria.html' title='Elogio à mobilização carcerária.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3738448926197779844</id><published>2010-05-07T17:08:00.000-07:00</published><updated>2010-05-07T20:04:34.335-07:00</updated><title type='text'>Pena e Guerra: Tobias Barreto como profeta dos novos tempos.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tobias Barreto, o eminente jurista brasileiro, sergipano, do século XIX, proclamou a célebre frase em seus &lt;i&gt;fundamentos do direito de punir&lt;/i&gt;: "quem quiser encontrar um fundamento para a pena, deverá antes buscar por um fundamento para a guerra". Com isso, Tobias Barreto selava de uma vez por todas o vínculo que&lt;i&gt; &lt;/i&gt;ligava &lt;i&gt;punição&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;guerra&lt;/i&gt;: o de estarem no limiar de legitimidade do direito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O argumento foi resgatado mais tarde pelos fundadores da Teoria Agnóstica da Pena, os penalistas e criminólogos Eugenio Raul Zaffaroni e Nilo Batista. Com as crescentes criminalizações das classes dominantes, pelo menos no que diz respeito a setores da burguesia vitimados pela inflação legislativa de crimes contra o patrimônio público, crimes empresariais ou ambientais, a criminologia radical, de vertente marxista, titubeou diante do argumento explícito de que o direito penal era um mecanismo de repressão da classe dominante sobre a classe pobre, proletariado ou lumpesinato. Como agora explicar que o direito penal se preocupava com a criminalização da classe dominante (ou pelo menos de alguns setores dela)?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta pós-moderna (porque não?) da Teoria Agnóstica foi: a "verdade" sobre a pena é demasiadamente &lt;i&gt;complexa. &lt;/i&gt;Diante disto, nada podemos fazer senão admitir que ela não é jurídica (isto Tobias Barreto, Carl Schmitt (em sua teoria sobre a soberania) já explicaram. O que resta, portanto, é trazer a obscura-essência da pena como dado interno às teorias penais progressitas (que visam a &lt;i&gt;contenção&lt;/i&gt; do poder punitivo) e fazer da epistemologia jurídico-penal um sistema de categorias baseada no seguinte dualismo: a legitimidade da pena é desconhecida (por isso seu caráter &lt;i&gt;Agnóstico&lt;/i&gt;), mas, uma vez que ela existe de fato, o que o direito pode fazer é lutar contra o excesso constitutivo da legitimação punitiva: seu caráter &lt;i&gt;não-legal&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O contraponto, a resposta marxista mal-digerida, foi que tal processo seria apenas um processo ideológico, ilusório (ou &lt;i&gt;simbólico&lt;/i&gt; na terminologia jurídico-penal) que &lt;i&gt;mascarava&lt;/i&gt; aquilo que sempre foi: um mecanismo &lt;i&gt;real&lt;/i&gt; de repressão à pobreza. O raciocínio "marxista mal-digerido" não é de todo equivocado, afinal as prisões continuam sendo um holocausto da pobreza. Além disso, as condições sócio-econômicas concretas possibilitam que a classe dominante tenha um acesso privilegiado à justiça de qualidade, o que leva invariavelmente a um maior "respeito" no que concerne às garantias fundamentais do processo penal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O questionamento hegeliano básico, quanto à "coisa transcendental" kantiana, a idéia de que a realidade é uma dimensão que &lt;i&gt;transcende&lt;/i&gt; às ilusões constitutivas de nossa percepção finita, é: se a realidade é mesmo transcendental às ilusões de nossa finitude, o que leva ela a &lt;i&gt;necessariamente&lt;/i&gt; aparecer sob a forma de uma ilusão? Resposta: a realidade não é aquilo que está &lt;i&gt;além&lt;/i&gt; das ilusões, mas as ilusões são uma necessidade da dinâmica real. Neste sentido, o equívoco básico da teoria criminológica marxista é eminentemente kantiano: se a &lt;i&gt;realidade&lt;/i&gt; do sistema penal continua sendo &lt;i&gt;exatamente a mesma&lt;/i&gt; porque diabos foi necessária a aparição de &lt;i&gt;uma ilusão nova, &lt;/i&gt;sob a forma da inédita proliferação das leis que criminalizam as classes dominantes?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é verificável, portanto, é que tanto o marxismo criminológico mal-digerido quanto a Teoria Agnóstica da Pena (facilmente classificável entre a ladainha da &lt;i&gt;democracia-por-vir&lt;/i&gt;) são uma opção falsa enquanto atitudes epistemológicas eminentemente kantiana: o marxismo por considerar a relação entre &lt;i&gt;realidade concreta&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;ilusão/ideologia&lt;/i&gt; estritamente dentro do campo do dualismo kantiano (quando na verdade a dialética hegelo-marxista é &lt;i&gt;monista&lt;/i&gt;). A Teoria Agnóstica por se pautar por aquilo que Kant chamaria de &lt;i&gt;ideais regulativos&lt;/i&gt; ou seja, coisas sobre as quais não sabemos, ou não podemos dizer sobre sua existência, mas agimos &lt;i&gt;como se existissem&lt;/i&gt;: a legitimidade da pena, embora &lt;i&gt;não exista&lt;/i&gt; juridicamente, &lt;i&gt;agimos como se&lt;/i&gt; ela existisse, mobilizando assim o aparato categorial do Direito Penal de Contenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta deveria estar, portanto, na forma como &lt;i&gt;guerra&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;pena &lt;/i&gt;se relacionam, cada uma delas, com a ideologia jurídica vigente, ou melhor, naquilo que &lt;i&gt;escapa&lt;/i&gt; ao âmbito da fantasia jurídica oficial. Paulo Arantes, em seu extinção, demonstra como as diferentes formas de legitimação da &lt;i&gt;guerra&lt;/i&gt; aparecem juridicamente desde os fins da idade média, até os dias de hoje, conforme aos processos de desenvolvimento da dinâmica do capital: da acumulação primitiva aos atuais tempos de &lt;i&gt;crise estrutural. &lt;/i&gt;Para Arantes, enquanto os ainda incipientes Estados Modernos estavam submetidos à autoridade moral da Igreja, toda guerra só poderia aparecer como &lt;i&gt;guerra justa&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;justus bellum&lt;/i&gt;. A Guerra contra os não-cristãos (que estavam fora da religião cristã, e portanto fora da própria humanidade) que possibilitava a intervenção militar permanecida sob os limites jurídicos e religiosos impostos pela Igreja: a guerra pela cristandade era, em si mesmo justa. Mas ainda assim, permanecia sob proscrições religiosas que determinavam os limites técnicos do potencial bélico empregado em proporcionalidade com a finalidade (por si só justa, já dissemos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A configuração dos Estados Modernos, pautados juridicamente pelo princípio de Soberania impunha uma lógica diferente: a extinção de qualquer autoridade moral superior que regulasse a intervenção bélica. Assim sendo, o que prevaleceu foi o princípio de equilíbrio de forças, estabelecido no tratado internacional da Vestfália. O que é interessante, entretanto, é que o tal equilíbrio de forças, a União Pacífica era decorrência da idéia jurídica de soberania: nada poderia estar acima da soberania dos Estados. Logo, a guerra não poderia se legitimar por seu caráter &lt;i&gt;justo&lt;/i&gt; contra um agente &lt;i&gt;injusto, imoral&lt;/i&gt;. Todos os estados tem o direito de se declarar em guerra. O motivo da guerra seria o atentado contra a soberania do Estado, a ameaça concreta ao "equilíbrio de forças". Entretando a mesma Soberania levava, ao plano interno, a regulação do excesso, daquilo que Carl Schmitt chamou de &lt;i&gt;exceção&lt;/i&gt;: a constitucionalização progressiva do poder excessivo do soberano. Portanto: no plano externo a constante luta contra uma autoridade moral/jurídica superior, no plano interno, a constante constitucionalização e regulação que fortificava a autoridade nacional superior: o soberano que decidia sobre a normalização da situação jurídica a partir da resposta legal contra os criminosos ou imorais, os fora-da-lei (ou seja, a constante complexificação do aparato e da teoria jurídico-penal para punir melhor, com qualidade, e dentro da lei).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O início da Guerra Fria, com o constante aperfeiçoamento do armamento &lt;i&gt;high tech&lt;/i&gt; de potencia globalmente letal, levou a um breve período de apatia política diante da guerra: a ameaça de uma guerra &lt;i&gt;definitiva&lt;/i&gt; levava a uma paz fabricada, a um cálculo frio e político sobre as consequências da indizível catástrofe nuclear. Com o colapso dos SOREX (Socialismo Realmente Existente) em 1989 os Estados Unidos, finalmente, ganham a corrida armamentista e se tornam A Nação capaz de decidir sobre o futuro do mundo. Os Estados Unidos se tornam então, O Estado do Capital, necessário à configuração do Capital pós-70 quando finalmente adquire proporções globais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a Guerra do Golfo (e a atual guerra do Iraque) a lógica bélica se transforma radicalmente: não mais a guerra como continuação da política (isso nossos pós-modernos e &lt;i&gt;democratas-por-vir&lt;/i&gt; consideram unanimemente bárbaro). Agora a perspectiva pós-clausewitziana da política como continuação da guerra (da Guerra Fria). A novidade das duas guerras citadas foi a &lt;i&gt;metáfora legalista&lt;/i&gt;. Recorremos à psicanálise: que quer dizer metáfora? Essencialmente um movimento de "deslocamento". A perspectiva doméstica de soberania se aplica agora (se &lt;i&gt;desloca&lt;/i&gt;) ao plano internacional. O Inimigo não é uma nação também com direito de declarar-se em guerra. Mas um &lt;i&gt;criminalizável global&lt;/i&gt;. Assim, o ideal medieval de Guerra Justa retorna na mais apocalíptica perspectiva do armamentismo bélico &lt;i&gt;high-tech&lt;/i&gt;. Nasce então um ideal de Guerra Cosmopolita (por mais bizarro que o termo possa parecer sob a perspectiva filosófica, especialmente aos democratas kantianos). Ao mesmo tempo em que a guerra é declarada na carta fundacional das Nações Unidas como um &lt;i&gt;crime&lt;/i&gt;, ela se torna prática cotidiana, legitimável legalmente, sob a autoridade de uma soberania global.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde a Guerra do Vietnã, os soldados não sabem mais porque lutam. A guerra se torna um setor apartado do todo social. As guerras não se encontram mais na militarização total das sociedades. Ela se tornou uma operação de &lt;i&gt;profissionais&lt;/i&gt;, incluindo inclusive em seu vocabulário, a parafernália lingüística da flexibilidade, própria da economia global do Capital em etapa de financeirização. Tanto é que agora sequer distinguimos entre economia de paz e economia de guerra. A Guerra continua sendo tão rentável para o mercado financeiro como qualquer outro investimento. Aliás: sequer distinguimos mais entre guerra e paz... os EUA são um país em guerra? O dia-a-dia do &lt;i&gt;american way of life&lt;/i&gt; é profundamente afetado pelas (correntes) guerras contra o Iraque ou o Afeganistão (no caso não &lt;i&gt;contra o Afeganistão&lt;/i&gt;, mas contra uma organização não-governamental, os Talebãs)?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa indistinção entre paz e guerra, é o que leva àquilo que Martin Shaw chamou de sociedades pós-militares, sociedades em que a ordem militar, aparece como um setor profissional em apartado, um armamentismo completamente incorporado à cultura do consumo de massa, levando a um declínio da experiência militar das populações (não só o serviço militar deixou de ser obrigatório em muitos países, mas a própria "experiência militar" se torna flexível, policialesca, e indireta: em vez de matar pessoas, ela mina as possibilidades concretas de sobrevivência).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que leva a conclusão de Arantes: "um tal fosso de equívocos e engodos mútuos entre civis e militares estaria empurrando ainda mais os setores do &lt;i&gt;establishment&lt;/i&gt; "orientados par ao combate" para a zona de sombra da ameaça pretoriana à legalidade civil, sem falar na dificuldade crescente de se preservar um governo limitado pela lei nesses países, cada vez mais envolvidos em coalizões antiterror e, portanto, propensos a rotinizar as retaliações extralegais contra seus opositores internos" (Arantes, 2007: p. 61). Ou seja: políticas de terror punitivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se nos for permitido uma digressão dialética sobre o fenômeno: não observamos que a guerra, sua legitimidade obscena, se enquadra perfeitamente numa tríade hegeliana? Primeiramente um "em si", a guerra em si mesmo justificável pelo ideal medieval da autoridade moral do papa, todo estado cristão, pelo próprio fato de ser um estado cristão, está &lt;i&gt;em si&lt;/i&gt; legitimado a realizar a Cruzada; posteriormente um "para si" a guerra como legítima unicamente quando se desequilibram as soberanias internas dos Estados, a guerra é unicamente &lt;i&gt;para as soberanias&lt;/i&gt; dos Estados; por último, a guerra como "em-si-e-para-si" a guerra cosmopolita como aquilo que define a soberania, ao mesmo tempo em que define o excesso fora-da-lei do soberano global.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não é possível também ver no processo histórico de formação das prisões uma mesma tríade hegeliana? Se bem que a prisão é uma necessidade &lt;i&gt;para a fábrica&lt;/i&gt; é possível ver, em primeiro lugar o encarceiramento do exército de reserva como uma necessidade "em si", uma vez que o processo incipiente de acumulação do capital precisava de trabalhadores &lt;i&gt;já disciplinados&lt;/i&gt;. Em segundo lugar, a prisão como um "para si", com o crescimento do desemprego estrutural, a prisão se torna o depósito daqueles não-integráveis no processo produtivo.  Sua necessidade de disciplinarização da pobreza (na medida em que a fábrica não mais necessida dos já-disciplinados) é secundária a si mesma. Por último, no estádio final do capitalismo financeiro, a prisão como necessidade em-si-e-para-si: agora, a prisão é em si mesmo rentável. Não é por outra razão que as "Correction Companies" americanas estão entre os mais rentáveis negócios geradores de lucro do mercado financeiro ianque.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que os pais da teoria Agnóstica não se preocuparam em ver, é que a própria dicotomia barretiana &lt;i&gt;guerra&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;pena&lt;/i&gt; se põe como os dois primeiros momentos de uma tríade hegeliana, quanto à configuração do Estado de Exceção: enquanto a guerra, nos princípios modernos do equilíbrio e da união pacífica, era "externa à soberania" ela era para a soberania. Enquanto a pena, representava a própria soberania &lt;i&gt;em si&lt;/i&gt;, uma vez que o conceito de Schimitt não deixa dúvidas: "soberano é aquele que decide sobre a exceção", ou seja sobre a &lt;i&gt;punição&lt;/i&gt; de seus cidadãos. O atual estádio do desenvolvimento do Capital ao mesmo tempo que não mais distingue entre guerra e paz, economia de guerra e economia de paz, encarceiramento produtivo/lucrativo, encarceiramento improdutivo/não-lucrativo, também não mais distingue sobre a própria diferença entre &lt;i&gt;guerra &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;punição. &lt;/i&gt;Na atual &lt;i&gt;indistinção&lt;/i&gt; entre os termos &lt;i&gt;guerra e pena&lt;/i&gt; a frase de Tobias Barreto completa sua professia: finalmente &lt;i&gt;guerra&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;pena&lt;/i&gt; são definitivamente uma única e mesma coisa, indistinguíveis como sói a acontecer com toda síntese hegeliana de termos antitéticos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como tal ambos são apenas dois pontos de vista complementares (ou paraláticos, para citar Zizek) de um mesmo objeto: a dimensão pulsional do capital que exige o excesso (a desterritorialização) para decidir sobre a normalidade (a territorialização). E neste processo, é uma pena que o mercado financeiro, &lt;i&gt;flexível, flutuante, etc., &lt;/i&gt;necessite da criminalização de alguns &lt;i&gt;traders&lt;/i&gt; burgueses (imorais e criminosos) para normalizar sua circuação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3738448926197779844?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3738448926197779844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3738448926197779844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3738448926197779844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3738448926197779844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/05/tobias-barreto-o-iminente-jurista.html' title='Pena e Guerra: Tobias Barreto como profeta dos novos tempos.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4982617185445960682</id><published>2010-05-02T18:09:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T18:13:43.239-07:00</updated><title type='text'>Fiel à Cuba, contra o stalino-trotskismo.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; É possível identificar claramente o que  significa a postura de um troskismo mal-digerido e como Trotsky e Stalin podem  parecer dois lados de uma mesma moeda, chegando as vezes a parecerem uma  única e mesma pessoa sofrendo de esquizofrenia crônica. Que assim seja vemos  na argumentação anti-castrista de nossos camaradas do PSTU quando do evento  da morte do senhor Orlando Zapata.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; O que une os dois, os gêmeos Trotsky-Stalin,  é o próprio significante "Traição". Enquanto a postura stalinista básica é julgar aqueles que, não aceitando a visão "objetiva" que a cúpula do partido dava sobre a realidade, e não se engajando na "razão  histórica universal" (Tal como anunciava o PC da URSS) são considerados  prontamente como traidores. Os expurgos stalinistas são assim o exemplo típico de &lt;i&gt;Carnaval: &lt;/i&gt;os papéis são subitamente invertidos por uma suspensão da ordem  posta pela própria ordem: quem ontem era membro da cúpula do partido, hoje é julgado  e condenado, amanhã é expulso, etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; Tudo isto pela mobilização do significante "Traição" que, sob a visão stalinista, era traição não exatamente ao partido, mas &lt;i&gt;à razão histórica universal&lt;/i&gt; (cuja lógica era  pretensamente acessível somente a Stalin e seus amigos menscheviks da burocracia  econômica).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; Ora, que é o trotskismo mal-digerido de que  falei senão a postura simetricamente oposta? Aquela que vê traição em tudo,  que se sente traída em tudo? Ou seja, de outro lado quando posto a julgamento,  quando questionado quanto aos princípios pelos quais está lutando, o  “trotskismo” [enfatizando as aspas por justiça à pessoa de Leon Trotsky] prontamente  julga como traidor agora quem dirige os rumos da revolução. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;Não é  a toa que por vezes os papéis assim concebidos de Trotsky e Stalin se invertam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; Que está em jogo, por exemplo, quando os  camaradas do PSTU sustentam e reforçam a idéia de que o regime cubano "Traiu a revolução", pondo toda a política castrista no banco dos réus? Que é  isto senão uma postura analogamente &lt;i&gt;carnavalesca&lt;/i&gt; da esquerda que suspende sua idenficação com a própria esquerda para  gerar um efeito de “ser mais de esquerda do que a esquerda”? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; O que fica mais evidente é como o  significante "socialismo" é manejado de forma bastante dúbia. Em primeiro lugar é evocado claramente que o que há em Cuba &lt;i&gt;não é socialismo&lt;/i&gt;. Ótimo, mas então que é socialismo? Não é exatamente  este trotskismo que rejeita absolutamente qualquer experiência real de estado revolucionário em nome deste &lt;i&gt;‘socialismo-que-nunca-é’&lt;/i&gt;? Mas como é o nome da atitude racional que “salva” um princípio de pureza  de toda “contaminação tóxica” encontrada na realidade empírica? Resposta: idealismo metafísico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; Ressalto: idealismo &lt;i&gt;metafísico&lt;/i&gt; porque  sequer o idealismo hegeliano seria capaz de argumentar desta forma. É do próprio Hegel a noção de que uma “boa  idéia” que não se aplica à realidade é, na verdade, uma &lt;i&gt;má idéia&lt;/i&gt;, uma idéia ruim ou mal acabada. O que está em jogo, portanto,  na argumentação do PSTU é a salvaguarda de um “socialismo”  metafísico-transcendental que se sustenta numa postura de crítica histérica de demandas  impossíveis contra as experiências reais. O que acontece é uma lógica perversa, no  pensamento, que acaba resultando no extremo oposto daquilo que os próprios camaradas do  PSTU tentam defender: o &lt;i&gt;transcendental-socialismo&lt;/i&gt; dos nossos camaradas acaba tendo por determinação própria, quer dizer,  acaba requerendo por sua própria lógica interna, a crítica histérica contra os regimes socialistas reais. Em outras palavras: o ideal de socialismo, o &lt;i&gt;transcendental-socialismo&lt;/i&gt;  &lt;i&gt;é o produto&lt;/i&gt; (e não a fonte) da crítica indiscriminada contra toda e qualquer experiência real de socialismo e, o  que é mais importante, é concebido como um ideal puro e não como um processo  de sua própria realização.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; Aqui, no ideal de pureza socialista, é  notável como mais uma vez Trotsky e Stalin se tornam uma única e mesma coisa. Em  suma, o que é comum aos dois não é só o significante &lt;i&gt;“traição”&lt;/i&gt;, mas este significante mobilizado em sua articulação com o &lt;i&gt;transcendental-socialismo&lt;/i&gt;.  Trotsky e Stalin são, neste sentido, duas visões suplementares e indissociáveis que divergem no ponto  específico em que se procura encontrar ‘onde está a traição ao  transcendental-socialismo’. Mas esta traição, em si, não é questionada. O &lt;i&gt;transcendental-socialismo&lt;/i&gt; e o perigo de sua traição permanecem tal e qual tanto no stalinismo  quanto no trotskismo. Para ambos a análise empírica da realidade poderia se  resumir no seguinte axioma: &lt;i&gt;se há socialismo real há traição. &lt;/i&gt;Neste sentido vemos uma simbiose muito estranha entre uma  certa apropriação de Trotsky e o fukuyamismo da esquerda que prega &lt;i&gt;o fim da  história&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; Toda revolução real, deve ser concebida como  o processo de lidar com os antagonismos reais existentes a partir da  mobilização de militantes castrados (ou &lt;i&gt;militantes-mutilantes&lt;/i&gt;) quanto ao ideal revolucionário que põem para si mesmo. Toda revolução &lt;i&gt;real&lt;/i&gt;  é um processo em que um número virtualmente infinito de pessoas se mantém fiel a um ideal  revolucionário que lhes exige castração, sacrifício, disciplina e vigilância. O parâmetro  para nossos julgamentos deixa de ser, assim, o transcendental-socialismo stalino-trotskista e passa a ser o processo real e vigente de construção  do socialismo na medida em que o poder instituído consegue com maior ou  menor sucesso, mobilizar o maior número de militantes nesta fidelidade à  castração, fidelidade esta que empresta seu nome, em Cuba, ao próprio líder e comandante-em-chefe da revolução cubana, &lt;i&gt;Fidel Castro&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; A fidelidade à castração de Fidel Castro é,  assim concebida, um processo de resistência socialista contraditório e  antagônico sim, é verdade, mas que também não permite que nós, socialistas latino-americanos, encaremos o regime cubano como &lt;i&gt;o inimigo&lt;/i&gt;.  Nisto, encontraríamos vários "aliados" na corja liberal-tolerante da democracia-por-vir. &lt;i&gt;Estes&lt;/i&gt; são nossos inimigos. &lt;i&gt;Estes&lt;/i&gt; não são fiéis à castração que seus próprios ideais políticos fizeram emergir  historicamente com as figuras memoráveis de seus heróis. (Ao contrário &lt;i&gt;eles&lt;/i&gt;  guilhotinaram os últimos revolucionários fiéis à revolução francesa: Robespierre e Saint-Just). &lt;i&gt;Estes&lt;/i&gt; são &lt;i&gt;nossos inimigos&lt;/i&gt; comuns. &lt;i&gt;Estes&lt;/i&gt; nos definem como  esquerda, por servirem de modelo de &lt;i&gt;como&lt;/i&gt; &lt;i&gt;não ser&lt;/i&gt;. E contra eles, sou&lt;i&gt;  fielmente castrista!&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4982617185445960682?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4982617185445960682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4982617185445960682' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4982617185445960682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4982617185445960682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/05/fiel-cuba-contra-o-stalino-trotskismo.html' title='Fiel à Cuba, contra o stalino-trotskismo.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4466352437120382578</id><published>2010-04-13T13:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T14:46:00.977-07:00</updated><title type='text'>Plínio de Arruda Sampaio e a primeira tese sobre o conceito de história de Walter Benjamin.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Michel Löwy nos narra na apresentação à edição brasileira de seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Walter Benjamin: Aviso de Incêndio&lt;/span&gt;, a notável história de como Benjamin teria sido quase contratado pela USP, não fosse as incompetências de algumas autoridades acadêmicas. Mas se Benjamin acaba não saindo da vida intelectual-política para entrar na academia uspiana, o cenário político eleitoral hoje, não é uma prova de que Benjamin &lt;span style="font-style: italic;"&gt;saiu&lt;/span&gt; da academia uspiana para entrar na vida intelectual-política na figura de Plínio de Arruda Sampaio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benjamin, na primeira de suas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teses sobre o conceito de história&lt;/span&gt;, fala sobre como a teologia deve ser aquilo que anima o "boneco do materialismo histórico". Como interpretar o significado desta tese?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante notar que décadas mais tarde, Zizek em sua obra mais sistemática, desenvolve as bases de uma parte importante de seu sistema teórico, aquilo que chama de "tijolos da teologia materialista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é comum tanto em Benjamin quanto em Zizek é a postura contrária a uma redução vulgar do materialismo histórico-dialético, a um determinismo mecanicista de causas-consequências que, substituindo o conservadorismo religioso próprio do começo do século, poderia ser tão ou mais nocivo para os movimentos emancipatórios e suas lutas contra-ideológicas. Lembremos a citação de Zizek ao "primeiro Lenin" (antes dos estudos hegelianos) de como a realidade material e concreta é inatingível à perspectiva humana, que o que podemos fazer é teorizá-la sempre parcialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o problema desta tese (posteriormente corrigida por Lenin quando retorna dos seus estudos hegelianos propondo a criação de uma "sociedade dos amigos materialistas da dialética hegeliana") é que, no exato momento em que a realidade material é concebida desta forma, ela se torna exatamente o contrário do que pretende: uma idéia transcendental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialismo vulgar é o que visa a apreensão sempre gradativa da totalidade da realidade existente, como se esta própria realidade fosse, em si mesma, completa, fechada e perfeita.  Contrariamente, o verdadeiro ponto materialista-dialético, não é outro senão coneber como a própria realidade é feita, ela própria, de rupturas e "mistérios"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremos a estrutura das histórias de detetive: o primeiro ponto notado por qualquer leitor de Agatha Christie ou Connan Doyle é que toda história de detetive é eminentemente materialista. Se uma história de Sherlock Holmes acabasse com uma explicação teológico-transcendental - do tipo "o crime se explica porque o assassino é um fantasma capaz de atravessar paredes" ou coisas do tipo - nos sentiríamos, os leitores, profundamente traídos pelo enredo! Porque diabos nos daríamos ao trabalho de ler Sherlock Holmes se a explicação fosse metafísica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto a única coisa que pode sustentar este método rigorosamente materialista do detetive é a existência de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mistério&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inscrito na própria realidade&lt;/span&gt;, de um problema, na cena do crime, que parece absolutamente obscurantista, que resiste à explicação racional imediata. O que este "mistério" aparentemente "transcendental" tem como função, é justamente forçar no sujeito (no caso o nosso detetive, Holmes) a "fé" no materialismo e, exatamente por esta fé, criar o espaço para o (res)surgimento de uma (nova) teoria absolutamente materialista da explicação racional do mistério. Este elemento de "fé" é o que permite ao materialismo refundar-se e reforçar-se como teoria (e conseqüentemente como práxis)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que o maior desastre da política nacional, nos dezesseis anos de tucanato de FHC, é sustentado por um presidente que se declara (até mesmo de forma suicida) rigorosamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ateu&lt;/span&gt; e que este seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ateísmo materialista&lt;/span&gt; é justamente o que sustenta sua política consevadora baseada no argumento "não existem condições &lt;span style="font-style: italic;"&gt;materiais&lt;/span&gt; para o socialismo", argumento este repetido pelo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P&lt;/span&gt;artido &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;ermidoriano de Lula, não é notável a gritante validade da primeira tese de Benjamin sobre o conceito de história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ironias da história surpreendem-nos sempre! Não é a toa que a esquerda brasileira tenha, hoje, condições de se refundar com o apoio de Plínio de Arruda Sampaio. Afinal, se Benjamin usa a metáfora do "boneco do materialismo histórico" e da teologia como seu "ventríloquo", não é exatamente isto que sustenta Plínio quando afirma que seu Marxismo tem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"sotaque cristão&lt;/span&gt;"? E não é aqui que nós, sujeitos da recriação teórico-prática do materialismo dialético da esquerda brasileira, devemos nos referenciar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O postulado benjaminiano de Plínio se encontra na segunda parte do Vídeo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="364" width="445"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zwEJ4BhnQog&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zwEJ4BhnQog&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="364" width="445"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4466352437120382578?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4466352437120382578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4466352437120382578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4466352437120382578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4466352437120382578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/04/plinio-de-arruda-sampaio-e-primeira.html' title='Plínio de Arruda Sampaio e a primeira tese sobre o conceito de história de Walter Benjamin.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7331702856660256282</id><published>2010-04-12T17:21:00.001-07:00</published><updated>2010-04-12T18:02:16.292-07:00</updated><title type='text'>Com Plínio de Cabeça Fria e Coração Quente (ou: Iluministas no método e Jacobinos na Esperança)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zizek falou em como a queda do muro de Berlim representou, quando todos achavam que estavam diante do "fim das utopias", A Grande Utopia: a utopia do neo-liberalismo, a utopia da "fórmula" capitalista e democrática, nomeada por Francis Fukuyama como "O Fim da História".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período o capitalismo "entra em férias": Entra em férias porque, de bermudão e óculos escuros, sai livre pelo mundo para gozar plenamente de seus imperativos de expansão e acumulação sem a resistência da esquerda, ainda aturdida pelo trauma da queda do muro, pelo colapso dos regimes socialistas do leste europeu. Em meio a esta desorientação, a esquerda se tornou, ela própria, fukuyamista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, o fim da história aconteceu com uma especificidade peculiar: foi a ascenção do PT ao governo. Ao contrário da expectativa (de alguns), o governo Lula não representou (como prometera em 2002 quando disse que sua prioridade número 1 era a reforma agrária!) as transformações e reformas burguesas de base que permitiriam a articulação mais ampla da esquerda militante, dos movimentos extra-parlamentares, que fariam o trabalho em conjunto com um governo à frente do parlamento burguês/contra o parlamento burguês. Do contrário, o&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; P&lt;/span&gt;artido &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;ermidoriano, jogando no lixo toda a brilhante militância (de alguns) de seus membros, estagnou o embate político eleitoral numa oposição à là &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pepsi X Coca-Cola, &lt;/span&gt;a oposição PSDB (Pepsi) X PT (Coca-cola), importando o modelo democrático americano de duas direitas e instaurando de uma só vez um clima de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Medo e Cinismo&lt;/span&gt;: os que votam no Partido Termidoriano votam ou por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;medo&lt;/span&gt; (de que o tucanato volte ao poder) ou por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;cinismo&lt;/span&gt; (reproduzido no predicado fetichista "eu sei bem que o PT não é mais de esquerda, que não tem mais compromisso efetivo nenhum com os movimentos sociais, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas mesmo assim...&lt;/span&gt;"). O "ser social petista" (como diz meu amigo Choinski) é covarde ou cínico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso, festejamos a candidatura de Plínio Sampaio que, esperamos, é um primeiro passo para a reorganização e reaglutinação da esquerda (da verdadeira, aquela que não se acovarda e não se mantém dúbia quanto a seus princípios) que ainda resta neste país, aquela que se mantém, como disse o próprio Plínio, com a "cabeça fria e o coração quente!" -  pois é Iluminista na metodologia e Jacobina na esperança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="364" width="445"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/q4KmFDOu7z0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/q4KmFDOu7z0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="364" width="445"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7331702856660256282?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7331702856660256282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7331702856660256282' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7331702856660256282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7331702856660256282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/04/zizek-falou-em-como-queda-do-muro-de.html' title='Com Plínio de Cabeça Fria e Coração Quente (ou: Iluministas no método e Jacobinos na Esperança)'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-5743112930786572573</id><published>2010-03-16T00:17:00.000-07:00</published><updated>2010-03-20T21:42:35.125-07:00</updated><title type='text'>Bartleby e Mao: sobre dogmatismo e prática.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zizek propõe frequentemente que o que deveria orientar a esquerda, nos tempos confusos do capitalismo pós-moderno, seria a política de Bartleby, a política do preferiria não, toda vez que uma ação prática revestida de demandas éticas, nos fosse proposta: "então você fica aí discutindo Marx, Hegel ou Lacan?" ou então "enquanto vc planeja a sua revolução socialista discutindo concepções de partido ou de militância" e a conclusão fatal: "pois saiba que milhares de pessoas passam fome e vc vai ficar aí, sentado e discutindo, sem fazer nada? Levante-se! Faça alguma coisa!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Zizek, numa forma de "astúcia da razão" do capitalismo contemporâneo, ou seja, na forma como a Universalidade do capitalismo se transformou nas últimas décadas do século XX, demandas aparentemente "éticas" como essas são feitas o tempo todo. Isso principalmente porque as consequencias do Evento de 68, ou antes, daquilo que se diz serem os Eventos, esquecendo seu lado político radical (o maoísmo) e dando ênfase somente aos seus aspectos mais secundários e por vezes ridículos, de libertação sexual, psicodelia, rock'n roll, ou qualquer coisa do tipo, isto aliado à lógica multiculturalista e pós-moderna como lógicas culturais do capitalismo transnacional produziram uma lógica implicitamente "ética" e "libertadora" do capitalismo contemporâneo. Um exemplo claro, segundo Zizek, são as propagandas de automóveis: há alguns anos, as propagandas de automóveis eram muito mais "objetivas" e "frias" do que as propagandas de hoje. Antigamente: "Compre o carro X: ele é o único que tem pneus de borracha vulcanizada, motor V8, refrigeração dupla, etc". Hoje: "Compre o carro X" e então uma série de imagens do carro correndo na lama, num ambiente plano, aberto, com pessoas cantando clássicos da música pop e do rock que falam sobre a liberdade, realização pessoal ou, no último exemplo que vi, pessoas assoviando "Forever Young/I wanto to be forever young!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz Zizek, nessa nova fase do capitalismo, o lado obsceno da cultura tem sido cada vez menos o sexo e a sexualidade e cada vez mais o trabalho. Fenômeno muito bem observado em Hollywood: quanto mais vemos cenas cada vez mais próximas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the real thing &lt;/span&gt;sexual*, menos vemos cenas em que aparecem pessoas coletivamente trabalhando, fábricas, linhas de montagem etc. Ou, quando vemos, geralmente nos filmes de James Bond, a cena do trabalho está frequentemente ligada a idéia de um trabalho criminoso e, é claro, 007 tem de explodir de uma só vez a linha de produção, e voltar para a ordem do prazer, da liberdade e da libido, restaurando a fantasia nossa de cada dia em que o trabalho já não aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa dimensão aparentemente mais "libertária" e libidinal do capitalismo contemporâneo sustenta também uma aparência mais "ética" do capitalismo: não só o ideal ascético e abstêmio do capitalismo antigo é substituído por um idal de gozo menos "frio" e mais "humano" do que a sua antiga &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lógica protestante&lt;/span&gt;, mas também pensamos mais no outro, em como lucrar com mais consciência, em um "capitalismo com uma face humana". Então vemos as constante demandas do tipo "faça alguma coisa!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão de Zizek é que diante dessas demandas devemos nos servir da política de Bartleby, personagem de O Escrivão de Melville que, a cada ordem recebida no emprego por seus superiores respondia calmamente: "preferiria não!". "Em vez de ficar aí sentado discutindo Marx, Freud ou novas concepções de Partido ou Militância, levante-se e faça alguma coisa!". A que responderíamos calmamente: "preferiria não!". Ou seja, antes de termos um mapeamento claro do que seja o capitalismo contemporâneo, quais são as estratégias da esquerda hoje, como funciona a ideologia, a relação entre democracia e totalitarismo, não devemos ceder a qualquer chantagem ética de práticas conscientes uma vez que muitas delas (A Ecologia principalmente) já são perfeitamente cooptadas pelo capitalismo e possibilitam sua reprodução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, mas essa necessidade de teorizar quer dizer que, simplesmente, não devemos agir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mao, em seus dois textos,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Sobre a Prática&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre a Contradição&lt;/span&gt; ataca entre certos companheiros do Partido Comunista Chinês em 1937 dois problemas que ele próprio faz questão de frisar como problemas graves: 1) o Dogmatismo, posição teórica que força seus conceitos na realidade e despreza a realidade e a prática como o processo sobre o qual se pensa e para o qual está dirigida a teoria e 2) O Empirismo como a posição simetricamente inversa, a posição que despreza a atividade teórica e a pesquisa, em favor da pura prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que Mao estabelece que o conhecimento se dá em dois níveis: o nível perceptivo ou externo, aquele em que vou até um espaço de ação, experimento a realidade (converso com as pessoas, conheço a geografia do lugar, coleto dados aparentemente sem relações uns com os outros) e o nível conceitual ou interno, em que refletindo e teorizando, consigo compreender a relação entre os dados de forma mais interligada ou conexa (interna para usar uma expressão do próprio Mao).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dogmatismo ao desprezar a experiência perceptiva da realidade acredita poder pensar só o pensamento. Ele tem a teoria, que deveria orientar aquele processo de interligar dados colhidos da experiência, como um fim em si mesmo, como uma adoração. Em maoês: quer passar ao segundo estádio do conhecimento, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o conceitual&lt;/span&gt;, pulando o primeiro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o perceptivo&lt;/span&gt;. O Empirismo, por sua vez, permanece no primeiro estádio, no perceptivo, continuamente, não consegue avançar da prática para a reflexão da relação mais profunda entre a totalidade das coisas, como disse o camarada Yuri a respeito do pensamento crítico-ideológico, e portanto não consegue orientar melhor sua própria prática. Toda prática se torna, assim, expontânea, imediata, e pode falhar seriamente no que corresponde a estratégia global da emancipação comunista. Para Mao o movimento deveria ser, portanto: 1 - da prática ao pensamento (colher dados pela experiência, para depois pensar a relação entre eles) e 2 - do pensamento para a prática (depois de ligados os fatos no pensamento, orientar melhor a prática).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mao conclui, sem muitas explicações inclusive, que embora ambas as posturas sejam altamente problemáticas para a finalidade da Revolução, devendo ambas serem eliminadas do Partido Comunista e do Exército Vermelho, a que tem, em 1937, a potencialidade mais destrutiva é a Dogmática. Ela é, naquele momento, a mais maléfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos pensar "com/contra" Mao para entender o que significaria a necessidade da política de Bartleby de que fala Zizek: em primeiro lugar aceitamos a premissa de Mao. Tanto a posição Dogmática quanto a posição Empírica são nocivas aos objetivos Revolucionários e ambas devem ser eliminadas das organizações que estão engajadas no projeto revolucionário. É o tema da relação entre Teoria e Prática em que não se pode Teorizar algo que não seja justamente a prática, e não se pode praticar algo que não seja justamente o que foi pensado e discutido, teorizado, sobre a prática. O Dogmatismo seria o Teorizar a teoria. Inócuo! O Empirismo Praticar a prática. Inócuo, pois a passagem para a orientação e melhoramento da própria prática se dá pelo pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que a especificidade da esquerda contemporânea não sugere que o pior, hoje, seja o Empirismo? De forma que ela é a mais maléfica (como frisou Mao: dentre as duas que devem ser igualmente eliminadas) em tempos de crise da esquerda, em que o projeto estratégico de tomada do poder, justamente a passagem de orientação da prática, não está claro e o capitalismo demanda ações expontaneístas e pretensamente "éticas" e "engajadas" para sua própria reprodução, uma espécie de generalização do McDia Feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa estratégia é o obsceno do nosso trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------------------&lt;br /&gt;*um bom exemplo disso tem sido as repetidas cenas de penetração dos filmes de Lars Von Trier que nada tem de pornográficos. Até hoje uma cena de penetração certamente "trairia" o enredo de um filme que não fosse pornográfico: se estivéssemos diante de um romance qualquer e na cena do clímax, em que o rapaz beija a moça, passássemos pelo ato sexual explícito, sem o famoso corte que leva para a cena seguinte dos amantes simplesmente fumando como se implicitamente tivessem feito sexo, certamente experimentáriamos o enredo do filme, por mais sério que fosse, como uma mera desculpa barata para a pornografia da cena. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Die Idioten&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Anticristo&lt;/span&gt; de Lars Von Trier, o que vemos é justamente uma aproximação de perto da&lt;span style="font-style: italic;"&gt; real thing &lt;/span&gt;sexual, até o ponto da penetração, sem que isso prejudique o enredo do filme.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-5743112930786572573?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/5743112930786572573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=5743112930786572573' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/5743112930786572573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/5743112930786572573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/03/bartleby-e-mao-sobre-dogmatismo-e.html' title='Bartleby e Mao: sobre dogmatismo e prática.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7928766196106512959</id><published>2010-03-15T09:58:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T10:47:13.313-07:00</updated><title type='text'>O Militante é um Número.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alain Badiou é filósofo e militante comunista francês e juntamente com Slavoj Zizek tem se empenhado na renovação teórica do marxismo "pós-pós-modernidade", trabalhando em inúmeras teses de alta abstração e refinamentos teóricos que, no entanto, não deixam de ter importância para a reflexão de nossas práticas militantes (como aliás, é o objetivo geral da obra de Badiou).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de iniciar uma reflexão sobre a militância a partir de uma das mais interessantes empreitadas do filósofo: suas reflexões sobre matemática, mais especificamente, sobre a noção de Número.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, todo o pensamento de Badiou tem por objetivo pensar o que seria um número. Pergunta pertinente para a matemática por dois motivos principais: em primeiro lugar a conceitualização grega clássica de que o número seria a representação simbólica de uma multiplicidade composta de unidades não se sustenta mais seja porque o número zero não se encaixa no conceito (por exemplo), seja porque isso de certa forma dá lugar privilegiado à idéia de Unidade como a substância, o tijolo que compõe as multiplicidades (o que filosoficamente é problemático por uma série de motivos que não trataremos aqui).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em segundo lugar, a indagação sobre o que é um número é pertinente na medida em que a matemática moderna se desenvolveu tanto que não pôde mais comportar um conceito unitário de número. Remetendo-nos à teoria dos conjuntos, por exemplo, verificamos que aquilo que caracteriza um número natural inteiro, não vale necessariamnete para a caracterização de um número irracional, e tampouco de um número complexo: os conjuntos lançaram a idéia de número na noção de "pertencimento" de forma que é muito difícil pensar numa noção de número que dê conta de todos os tipos de números existentes (de todos os conjuntos de números que nada ou pouco têm a ver um com o outro), jogando a idéia de número numa aparente anarquia conceitual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o projeto de Badiou é precisamente trazer uma resposta que dê conta de todos os tipos de números existentes e, mais ainda, dos números que ainda não descobrimos mas que podem ser "inventados" ou "descobertos" (aqui, tanto faz uma como outra palavra). É aqui que ele se utiliza da idéia lacaniana de matema, de uma letra que dá vida a uma idéia pré-discursiva, ainda não "contaminada por discurso". Ou seja, uma fórmula matemática que, por dizer "o óbvio", não é pega nas contradições ou especificidades de discurso nenhum, sendo compartilhada por todos os discursos. "X,@" é o matema do número. Donde X é o conjunto a que "presta satisfação" um número qualquer, e @ a especificidade, a singularidade de um elemento qualquer que pertence ao conjunto X, conjunto este que ele próprio sustenta como verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que o matema diz, portanto, é que qualquer número, independentemente de ser ele racional, irracional, complexo, real ou natural, traz em si mesmo duas coordenadas (qualquer número é composto de duas coordenadas, de dois "dados" básicos): a primeira é a de um grupo ou conjunto que orienta a característica comum de certos elementos numéricos. A segunda é a de pertença, a de um elemento singular específico que se destaca em meio àquele grupo de elementos com algo em comum. Portanto quando nos deparamos com o símbolo "3" ou "1,555..." vemos nesses símbolos duas coisas: em primeiro lugar que eles sustentam um conjunto numérico a que pertencem (no primeiro caso o conjunto dos naturais inteiros, no segundo caso o conjunto dos racionais), em segundo lugar podemos ler a idéia de que "de todos os números naturais que existem, trata-se aqui, especificamente do 3". Ou "de todos os números racionais que existem, trata-se aqui especificamente do 1,555...".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais interessante é: não se passa a mesma coisa com a figura do militante? É possível dar um "conceito de militante" se estamos, principalmente após o advento da forma pós-moderna de capitalismo, diante de uma infinidade de campos de ação militante, cada um com sua lógica interna específica, demandando ações e pensamentos específicos que, muitas vezes, tem pouco a ver uns com os outros? Diante disso como pensar O Militante (a idéia de militante, comum a todas as formas específicas de militância)? É claro que a resposta pós-moderna, sempre fácil, é que não! Não é possível pensar A Ação militante, uma vez que tudo está imerso numa explosão de peculiaridades, especificidades etc. É o famoso tema do "fim das meta-narrativas".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas seguindo a orientação de Badiou, podemos pensar o militante como um matema similiar ao do número. Todo militante traz em si próprio duas coordenadas, duas informações ou dados: em primeiro lugar a de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coletivo ou grupo&lt;/span&gt; de pessoas que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;partilham&lt;/span&gt;, em sua ação e pensamento, características comuns, em segundo lugar a da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;singularidade específica daquele militante&lt;/span&gt; diante dos outros "elementos militantes" que compartilham das características comuns orientadas pelo grupo ou conjunto. (Devemos acrescentar, a título de  lembrete, que nada impede que o Militante pertença a mais de um grupo de  militância, assim como nada impede que um número pertença a mais de um  conjunto numérico).Em outras palavras, O Militante (assim como O Número) sustenta em si próprio a marca do grupo em que milita (podendo militar em vários grupos) ao mesmo tempo em que é um elemento diferenciado e singular (em sua criatividade e participação) no grupo em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto pode eliminar dois equívocos possíveis sobre a militância: em primeiro lugar o do pertencimento exclusivo a um movimento ou partido, nos moldes de uma relação Senhor-Escravo, ou seja, o militante como aquele completamente submisso aos mandos e desmandos da lógica do Partido ou Movimento (quaisquer que sejam eles). Afinal a letra @ insere a necessidade da singularidade na participação, ou seja, daquele elemento criativo e único que destaca (e justifica) o pertencimento daquele militante específico no Grupo. Porém, o que esta idéia também elimina é o extremo oposto: ou seja, a noção expontaneísta de engajamento político que, por considerar que a verticalidade movimentista é totalitária, acaba se apoiando apenas na criatividade singular do militante, muitas vezes deixando de lado a participação no Partido ou Movimento, esquecendo que aquele militante singular, só é singular &lt;span style="font-style: italic;"&gt;em relação a&lt;/span&gt; todos os outros que se identificam numa Unidade, Unidade esta que só o Grupo pode criar. É a letra X que, não atoa, vem antes da letra @. Pois a singularidade (@) só existe &lt;span style="font-style: italic;"&gt;em relação a &lt;/span&gt;Unidade do grupo (X).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, o Militante não pode deixar de se dividir nessas duas tarefas:&lt;br /&gt;1 - a de entender sua participação e contribuição singular no Partido ou Movimento (friso: quaisquer que sejam eles) e agir conforme a esta compreensão, se destacando dos demais companheiros em sua tarefa específica. Aqui a ação militante é mais propriamente requerida, o arregaçar as mangas deve ser postulado aqui, o famoso "de cada um" socialista que permite que o militante se destaque na prática singular de sua militância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - a de entender e sustentar o vínculo que constrói a unidade do grupo sob pena de perder a própria contribuição singular de sua militância: aqui são requeridas as discussões diretivas sobre a prática estratégica e tática do Grupo e as Votações que dão a palavra final na organização interna dos objetivos do Grupo ou da caracterização teórico-ideológica do Grupo. Afinal é aqui que se constrói a Unidade, o "comum a todos" em relação ao qual (e somente em relação ao qual) pode se destacar a contribuição singular do militante, o @ &lt;span style="font-style: italic;"&gt;em relação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso proponho que o militante é "só" um número e, ao mesmo tempo, "acima de tudo" um Número.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7928766196106512959?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7928766196106512959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7928766196106512959' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7928766196106512959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7928766196106512959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/03/o-militante-e-um-numero.html' title='O Militante é um Número.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4323752670746504669</id><published>2010-03-05T04:40:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T04:44:46.809-08:00</updated><title type='text'>Reflexão portuguesa sobre a atualidade de Marx no capitalismo pós-crise.</title><content type='html'>Este é um vídeo interessante, mostrando os debates que ocorrem em portugal, promovido pela CGTP  (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), a respeito da atualidade do pensamento marxista no capitalismo pós-crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="500" height="405"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/_H8q60cpjWo&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/_H8q60cpjWo&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="405"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4323752670746504669?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4323752670746504669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4323752670746504669' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4323752670746504669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4323752670746504669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/03/reflexao-portuguesa-sobre-atualidade-de.html' title='Reflexão portuguesa sobre a atualidade de Marx no capitalismo pós-crise.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3694795519064108309</id><published>2010-02-24T09:05:00.001-08:00</published><updated>2010-02-24T09:07:28.981-08:00</updated><title type='text'>Ajuda Humanitária cubana ao Haiti.</title><content type='html'>Um pouco melhor que a ajuda "humanitária" brasileira, não acham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="445" height="364"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6DikHDHXvL0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6DikHDHXvL0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x5d1719&amp;amp;color2=0xcd311b&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médicos de Cuba no Haiti: a solidariedade silenciada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Manzaneda *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este Texto é o roteiro do vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode inserir seus comentários sobre o vídeo no YouTube e participar no debate: http://www.youtube.com/watch?v=6DikHDHXvL0]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada médica cubana no Haiti foram a mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o recente terremoto. Essa informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ajuda de Cuba ao povo haitiano não começou por ocasião do terremoto. Cuba atua no Haiti desde 1998 desenvolvendo um Plano Integral de Saúde(1), através do qual já passaram mais de 6.000 cooperantes cubanos da saúde. Horas depois da catástrofe, no dia 13 de janeiro, somavam-se à brigada cubana 60 especialistas em catástrofes, componentes do Contingente "Henry Reeve", que voaram de Cuba com medicamentos, soro, plasma e alimentos(2). Os médicos cubanos transformaram o local onde viviam em hospital de campanha, atendendo a milhares de pessoas por dia e realizando centenas de operações cirúrgicas em 5 pontos assistenciais de Porto Príncipe. Além disso, ao redor de 400 jovens do Haiti formados como médicos em Cuba se uniam como reforço à brigada cubana(3). Os grandes meios silenciaram tudo isso. O diário El País, em 15 de janeiro, publicava uma infografia sobre a "Ajuda financeira e equipamentos de assistência", na qual Cuba nem sequer aparecia dentre os 23 Estados que havia colaborado(4). A cadeia estadunidense Fox News chegava a afirmar que Cuba é dos poucos países vizinhos do Caribe que não prestaram ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vozes críticas dos próprios Estados Unidos denunciaram esse tratamento informativo, apesar de que sempre em limitados espaços de difusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sarah Stevens, diretora do Center for Democracy in the Americas(5) dizia no blog The Huffington Post: Se Cuba está disposta a cooperar com os EUA deixando seu espaço aéreo liberado, não deveríamos cooperar com Cuba em iniciativas terrestres que atingem a ambas nações e os interesses comuns de ajudar ao povo haitiano?(6)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Laurence Korb, ex-subsecretário de Defesa e agora vinculado ao Center for American Progress(7), pedia ao governo de Obama "aproveitar a experiência de um vizinho como Cuba" que "tem alguns dos melhores corpos médicos do mundo" e com quem "temos muito o que aprender"(8).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gary Maybarduk, ex-funcionário do Departamento de Estado propôs entregar às brigadas médicas equipamento duradouro médico com o uso de helicópteros militares dos EUA, para que possam deslocar-se para localidades pouco accessíveis do Haiti(9).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Steve Clemons, da New America Foudation(10) e editor do blog político The Washington Note(11), afirmava que a colaboração médica entre Cuba e EUA no Haiti poderia gerar a confiança necessária para romper, inclusive, o estancamento que existe nas relações entre Estados Unidos e Cuba durante décadas(12)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, a informação sobre o terremoto do Haiti, procedente de grandes agências de imprensa e de corporações midiáticas situadas nas grandes potências, parece mais a uma campanha de propaganda sobre os donativos dos países e cidadãos mais ricos do mundo. Apesar de que a vulnerabilidade diante da catástrofe por causa da miséria é repetida uma e outra vez pelos grandes meios, nenhum quis se debruçar para analisar o papel das economias da Europa ou dos EUA no empobrecimento do Haiti. O drama desse país está demonstrando uma vez mais a verdadeira natureza dos grandes meios de comunicação: ser o gabinete de imagem dos poderosos do mundo, convertidos em doadores salvadores do povo haitiano quando foram e são, sem paliativos, seus verdadeiros verdugos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Quadro Informativo 1. Dados da cooperação de Cuba com o Haiti desde 1998:&lt;br /&gt;- Desde dezembro de 1998, Cuba oferece cooperação médica ao povo haitiano através do Programa Integral de Saúde;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até hoje trabalharam no setor saúde no Haiti 6.094 colaboradores que realizaram mais de 14 milhões de consultas médicas, mais de 225.000 cirurgias, atendido a mais de 100.000 partos e salvado mais de 230.000 vidas&lt;br /&gt;- Em 2004, após a passagem da tormenta tropical Jeanne pela cidade de Gonaives, Cuba ofereceu sua ajuda com uma brigada de 64 médicos e 12 toneladas de medicamentos.&lt;br /&gt;- 5 Centros de Diagnóstico Integral, construídos por Cuba e pela Venezuela, prestavam serviços ao povo haitiano antes do terremoto.&lt;br /&gt;- Desde 2004 é realizada a Operação Milagre no Haiti e até 31 de dezembro de 2009 haviam sido operados um total de 47.273 haitianos.&lt;br /&gt;- Atualmente, estudam em Cuba um total de 660 jovens haitianos; destes, 541 serão diplomados como médicos.&lt;br /&gt;- Em Cuba já foram formados 917 profissionais, dos quais 570 como médicos. Cuba coopera com o Haiti em setores tais como a agricultura, a energia, a pesca, em comunicações, além de saúde e educação.&lt;br /&gt;- Como resultado da cooperação de Cuba na esfera da educação, foram alfabetizados 160.030 haitianos.&lt;br /&gt;Quadro 2. Dados das atuações do Contingente Internacional de Médicos Cubanos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias, Brigada "Henry Reeve", anteriores à cooperação no Haiti:&lt;br /&gt;- Desde sua constituição, a Brigada Henry Reeve cumpriu missões em 7 países, com a presença de 4.156 colaboradores, dos quais 2.840 são médicos.&lt;br /&gt;- Guatemala (Furacão Stan): 8 de outubro de 2005, 687 colaboradores; destes 600 médicos.&lt;br /&gt;- Paquistão (Terremoto): 14 de outubro de 2005, 2 564 colaboradores; destes 1 463 médicos.&lt;br /&gt;- Bolívia (inundações): 3 de fevereiro de 2006-22 de maio, 602 colaboradores; destes, 601 médicos.&lt;br /&gt;- Indonésia (Terremoto): 16 de maio 2006, 135 colaboradores; destes, 78 médicos.&lt;br /&gt;- Peru (Terremoto): 15 de agosto 2007-25 de março 2008, 79 colaboradores; destes, 41 médicos.&lt;br /&gt;- México (inundações): 6 de novembro de 2007 - 26 de dezembro, 54 colaboradores; destes, 39 médicos.&lt;br /&gt;- China (terremoto): 23 de maio 2008-9 de junho, 35 colaboradores; destes, 18 médicos.&lt;br /&gt;- Foram salvas 4 619 pessoas.&lt;br /&gt;- Foram atendidos em consultas médicas 3.083.158 pacientes.&lt;br /&gt;- Operaram (cirurgia) a 18 898 pacientes.&lt;br /&gt;- Foram instalados 36 hospitales de campanha completamente equipados, que foram doados por Cuba (32 ao Paquistão, 2 a Indonésia e 2 a Peru).&lt;br /&gt;- Foram beneficiados com próteses de membros em Cuba 30 pacientes atingidos pelo terremoto do paquistão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Notas:&lt;br /&gt;(1) &lt;a href="http://cubacoop.com/"&gt;http://cubacoop.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(2)&lt;a href="http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=153705&amp;amp;Itemid=1"&gt; http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=153705&amp;amp;Itemid=1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(3) &lt;a href="http://www.ain.cu/2010/enero/19cv-cuba-haiti-terremoto.htm"&gt;http://www.ain.cu/2010/enero/19cv-cuba-haiti-terremoto.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(4) &lt;a href="http://www.pascualserrano.net/noticias/el-pais-oculta-344-sanitarios-cubanos-en-haiti"&gt;http://www.pascualserrano.net/noticias/el-pais-oculta-344-sanitarios-cubanos-en-haiti&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(5) &lt;a href="http://democracyinamericas.org/"&gt;http://democracyinamericas.org&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(6) &lt;a href="http://www.huffingtonpost.com/sarah-stephens/to-increase-help-for-hait_b_425224.html"&gt;http://www.huffingtonpost.com/sarah-stephens/to-increase-help-for-hait_b_425224.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(7) &lt;a href="http://www.americanprogress.org/"&gt;http://www.americanprogress.org/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(8) &lt;a href="http://www.csmonitor.com/USA/Military/2010/0114/Marines-to-aid-Haitian-earthquake-relief.-But-who-s-in-command"&gt;http://www.csmonitor.com/USA/Military/2010/0114/Marines-to-aid-Haitian-earthquake-relief.-But-who-s-in-command&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(9) &lt;a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/01/14/AR2010011404417_2.html"&gt;http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/01/14/AR2010011404417_2.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(10)&lt;a href="http://www.newamerica.net/"&gt; http://www.newamerica.net/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(11) &lt;a href="http://www.thewashingtonnote.com/"&gt;http://www.thewashingtonnote.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(12) &lt;a href="http://www.thewashingtonnote.com/archives/2010/01/american_diplom/"&gt;http://www.thewashingtonnote.com/archives/2010/01/american_diplom/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3694795519064108309?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3694795519064108309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3694795519064108309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3694795519064108309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3694795519064108309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/02/um-pouco-melhor-que-ajuda-humanitaria.html' title='Ajuda Humanitária cubana ao Haiti.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3556022761384251910</id><published>2010-02-15T06:43:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T06:51:47.379-08:00</updated><title type='text'>Haiti parte III: Haiti e Democracia Global: qual o papel do Brasil?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As intervenções humanilitares do governo Obama na ilha, parecem ter reafirmado, como nos diz Peter Hallaward, as principais tendências da intervenção americana na recente história haitiana: prioridades militares e estratégicas; exclusão dos próprios líderes haitianos do espaço político de debate; e a desconsideração dos interesses da maior parte da população. E, ainda com Hallaward: a história do Haiti desde 1990 parece ser o progressivo esclarecimento da sua dicotomia básica: Democracia e Exército.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se, em vez de esta dicotormia ser própria a história haitina, ela for imanente à própria Democracia? Ao contrário do que ouvimos mais comumente, o problema crucial não é que o humanitarismo democrata norte-americano é extremamente limitado, não é que ele tenha um limite exterior intransponível quando se tratam de políticas estratégicas de intervenção militar. Ao contrário, o humanitarismo democrata é tão forte que até o Exército e as ocupações militares no Iraque, Afeganistão, Haiti etc são humanitárias. Donde o presidente Obama, prêmio Nobel do Cinismo em 2010, inaugura agora um novo período da democracia global: o humanilitarismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto ao Brasil podemos discutir sua participação em termos de Imperialismo ou Sub-imperialismo. Afinal: será mesmo que Imperialismo pressupõe pertencer ao grupo de países de primeiro mundo? Será que um sub-imperialismo dá conta de explicar os interesses reais do Brasil no Haiti uma vez que em certa medida conflitam com os interesses norte-americanos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que parece indiscutível, entretanto, é que, como nos afirmou Chris Floyd, nenhuma intervenção humanitária (ou humanilitar) no Haiti vai conseguir de fato reconstruir o país: se nem mesmo os EUA conseguiram reconstruir Nova Orleans, vítima de outra catástrofe “natural”, o que nos faz pensar que  o Haiti, que está sob vigilância imperialista desde que se libertou da França, conseguirá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Principalmente no período de crise estrutural que se abateu sob o capitalismo contemporâneo, a catástrofe do Haiti é uma bela oportunidade de “leiloar” a reconstrução do país que, obviamente, será realizada por outras empresas (e talvez pela corja de Andy Apaid?) interessadas em explorar a mão-de-obra barata da população haitiana faminta. E se o governo Lula finalmente azeitou o capitalismo brasileiro... Então porque não tentar tomar a frente deste processo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro aspecto indiscutível: se, conforme vêm dizendo Zizek e Agamben, a Democracia está escancarando o vínculo umbilical que guarda com os regimes de Exceção e os Totalitarismos, é interessante mostrar como uma atitude repressiva pode aparecer como democrática interna e externamente. Afinal, não é interessante que aos olhos do mundo a imagem de tropas Norte-Americanas e Brasileiras, lado a lado na ocupação humanilitar haitiana, apareçam como uma ocupação mais “Democrática”? Não é mais os EUA fazendo o serviço sujo sozinho... Os pobres brasileiros também reprimem seus irmãos (também pobres) haitianos, numa forma obscena do jargão democrata “autodeterminação dos povos”: “Eles”, o terceiro mundo, os famintos, se “autodeterminam” na repressão um do outro, “nós” do primeiro mundo não precisamos nos sentir tão culpados. Além disso não é possível ignorar o ato-falho institucional do Coronel Bernardes, comandante no Haiti, ao dizer que a ocupação brasileira no Haiti é um bom laboratório para militares brasileiros conterem rebeliões em favelas cariocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ironicamente, 200 anos depois da revolução haitiana, a mensagem libertária da marselhesa cantada em combate contra os franceses é obscenamente invertida: somos nós, brasileiros que cantamos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Star-Spangled Banner&lt;/span&gt; dizendo “somos mais americanos do que os americanos”... mas não contra os próprios Estados Unidos, e sim contra o povo haitiano!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3556022761384251910?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3556022761384251910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3556022761384251910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3556022761384251910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3556022761384251910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/02/haiti-parte-iii-haiti-e-democracia.html' title='Haiti parte III: Haiti e Democracia Global: qual o papel do Brasil?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3735724936948860890</id><published>2010-02-05T07:30:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T18:39:00.370-08:00</updated><title type='text'>Haiti Parte II: panorama histórico do Imperialismo como "penitência".</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se a Europa "aceitou" mais facilmente o reconhecimento do Haiti como nação livre (após o pagamento de indenizações aos ex-proprietários de escravos), quanto ao reconhecimento da independência Haitiana por parte dos Estados Unidos, a coisa não foi tão simples assim. Foram 60 anos até que a “terra da liberdade” reconhecesse a independência do país. Reconhecimento este que não tardou em demonstrar sua verdade. Menos de 60 anos após o reconhecimento oficial da independência do Haiti, em 1915, os EUA invadem o Haiti para a defesa dos interesses do City Bank e da National Railroad.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1917, Charlemagne Perálte organiza um levante contra a ocupação norte-americana, liderando o grupo guerrilheiro conhecido como Cacos, nome que remontava às tropas rurais que participaram da revolução Haitiana do início do século XIX. Perálte é assassinado dois anos mais tarde, em 1919.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1934 “termina a ocupação norte-americana no Haiti, por decisão do governo Hoover, provavelmente muito mais preocupado com a crise e com a “invenção do keynesianismo”. Em agosto deste ano são retiradas as últimas tropas de mariners americanos que ocupavam o país, muito embora os Estados Unidos tenham deixado em seu lugar o exército nativo, armado pelo próprio exército estadunidense, chamado Haitian Constabulary.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Entre a catástrofe da "Boa Vizinhança de Bush I e o Humanilitarismo de Obama".&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1990 o movimento Fanmi Lavalás leva democraticamente ao poder o Padre Católico progressita Jean-Bertrand Aristide. Pouco tempo depois é organizado um golpe que depõe Aristide. O que poucos sabem é que o golpe não foi conseqüência de um movimento popular genuíno insatisfeito com as políticas democráticas de Aristide. Mas uma orquestração do governo Bush que financiou armas aos senhores da Guerra haitianos, por um lado, e por outro cortando ajuda financeira oficial ao país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aristide é então levado aos Estados Unidos, onde permanece até 1994 quando o governo Clinton o restabelece no poder para que termine o mandato oficial (que iria até 1996) e realize novas eleições. As eleições são realizadas com sucesso, embora com candidato único e com 80% de abstenção da população haitiana, levando ao poder o conservador, mas simpatizante do governo ianque, René Preval, que permanece pacificamente no poder até 2000, quando começa a segunda era Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2000 Jean-Bertrand Aristide é reeleito presidente do Haiti, porém estouram algumas alegações de irregularidade nas eleições (a terceira eleição democrática em 200 anos de independência). É claro que tais “irregularidades” nem se comparam ao conto de fadas das contagens, recontagens, e tricontagens de votos das eleições que levaram o “presidente” Bush II ao poder com a polêmica votação da Florida. Assim, convocam-se novas eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém a direita do Haiti se recusa a participar e Bush II nega a ajuda prometida de 500 milhões para o governo haitiano até que fossem realizadas novas eleições, deixando o governo de Aristide num impasse polítio-econômico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O crime de Aristide foi a proposta e a posterior tentativa de implementá-la, de aumentar o salário mínimo no Haiti para a quantia de dois dólares ao dia, despertando a ira das empresas e corporações americanas que estavam instaladas no país para o aproveitamento da mão-de-obra barata. Neste clima de instabilidade, vai se apertando cada vez mais o garrote que sufocava o governo Aristide, sob a orquestração do governo Bush II de um lado e das empresas e coorporações multinacionais instaladas no país sob a liderança política de André “Andy” Apaid, empresário da Alpha Industries cidadão Americano mas residente no Haiti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apaid era considerado a peça chave da “reforma de mercado” que o governo Reagan-Bush estabeleceu na ilha caribenha que, dentre outras medidas, estabeleceu a queda dos impostos de importação sobre o Arroz (artigo crucial na economia haitiana) levando a produção local de arroz à bancarrota e ao desemprego de milhares de camponeses que se viram obrigados a engrossar a concorrência da mão-de-obra barata do Haiti, o que favoreceu, principalmente, a empresa de Apaid. Vale lembrar que estas reformas foram estabelecidas em definitivo como condição imposta à Aristide por parte do governo Clinton, para que o presidente deposto pudesse voltar ao governo. A fome no Haiti não é conseqüência do terremoto: é um programa político e econômico que vem sendo organizado há mais de 15 anos em conchavo pelos Estados Unidos e pelos grupos mais conservadores do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após a polêmica do aumento dos salários, Andy Apaid liderando o Grupo dos 184, passou a pressionar novamente o governo Aristide, em decorrência do aumento salarial imposto por sua política, e, com o apoio do contrabando de armas oferecidas pelos Estados Unidos, entrando no país através da República Dominicana. Em 2004 o Grupo dá o ultimato: ou Aristide renuncia a presidência e embarca para a África ou ninguém se responsabilizará pelo assassinato do presidente, a ser cometido pelos senhores da guerra haitianos. É a volta da ocupação norte-americana no país e a entrada de tropas brasileiras no local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2009 ocorrem eleições para o senado com nada mais nada menos do que 90% de abstenção por parte da população haitiana em protesto à decisão do governo apoiado pelos EUA que impediu que o partido mais popular do país, o movimento Fanmi Lavas, de onde surgiu o governo Aristide, participasse das eleições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3735724936948860890?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3735724936948860890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3735724936948860890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3735724936948860890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3735724936948860890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/02/haiti-parte-ii-panorama-historico-do.html' title='Haiti Parte II: panorama histórico do Imperialismo como &quot;penitência&quot;.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1809346022641476515</id><published>2010-02-05T07:16:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T07:29:19.401-08:00</updated><title type='text'>Haiti Parte I: um "retorno do recalcado".</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira coisa que chama a atenção na tragédia haitiana é o fato de que todo o clamor público/publicado sobre o terremoto tem sido apresentado como uma trágica catástrofe natural/ambiental que, de uma hora pra outra, lançou na condição de miséria uma grande parte da população, sem contar a morte de quase um por cento dela. Neste sentido podemos reafirmar o pensamento de Zizek: se para Marx a religião era o ópio do povo (no sentido de ser o exemplo mais bem acabado de uma ideologia que permite as distorções ou manipulações da dinâmica real do desenvolvimento político e econômico do capitalismo e do capital-parlamentarismo) hoje a “ecologia” é que é o ópio do povo. Afinal, a catástrofe haitiana é realmente o terremoto? Devemos nos solidarizar, como têm afirmado as campanhas “humanilitares” burguesas, com uma tragédia absolutamente contingente que caiu sobre as cabeças dos haitianos, como o céu para os gauleses? Afinal, se este é o escopo da ação humanilitar, todos somos “iguais” diante da ação incompreensível da natureza: Haiti, Estados Unidos, Brasil... todos impotentes diante das intempéries climáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo após o terremoto do Haiti, em 13 de janeiro deste ano, o cristão fundamentalista Pat Robertson (pastor Norte-Americano) deu a seguinte declaração: “Os Haitianos estavam sob as rédeas dos franceses. Vocês sabem, Napoleão III e seja lá o que for. E eles se uniram e firmaram um pacto com o Diabo. Eles disseram, ‘nós vamos serví-lo se você nos ajudar a nos libertar dos franceses.’ História verídica. Então, o diabo disse, ‘ok, estamos combinados!’”.  A mensagem aqui é clara: há 200 anos, desde que a revolução haitiana eclodiu levando a nata da intelectualidade européia a olhar para aquela pequena ilha caribenha, o Haiti vem pagando o preço por ter se libertado. Agora Deus (tomando as dores de Napoleão III e “seja lá o que for”) está cobrando o preço. Se existe algum exemplo de como religião e ecologia se assemelham enquanto mistificação ideológica, este exemplo é a catástrofe haitiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De maneira geral, a tentativa burguesa de reduzir o problema haitiano a uma mera catástrofe ambiental (obliterando ostensivamente todo o contexto histórico em que foi gerada a miséria do povo haitiano e suas relações com o imperialismo norte-americano e o capital global) não se assemelha e muito à estrutura argumentativa de Robertson? Em ambos os casos postulamos uma causa transcendente (Deus/Meio Ambiente) que por ser incompreensível ou inatingível nos permite despolitizar todas as conseqüências e causas materiais da catástrofe. É claro que o meio ambiente está sofrendo com a ação humana, mas porque é que o Japão não necessita de ajuda humanitária internacional e intervenções da ONU e o Haiti precisa? Esta pergunta diz respeito à forma como compreendemos as relações político-econômicas e históricas concretas em que o Estado Haitiano fundou suas bases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, a esquerda deve conceder um tanto de verdade à Pat Roberston, sem ter medo de com isto “pactuar ela própria com o diabo do fundamentalismo cristão”. Em 1804, o Haiti se libertou da dominação francesa. O fato mais crucial é que não foi uma guerra pela independência como todas as outras: o que ocorreu no Haiti foi um movimento radical emancipatório (Comunista, porque não?) em que escravos negros se revoltaram contra sua condição subhumana e não só reivindicaram “direitos iguais” mas tomaram o Estado e se arvoraram, eles próprios, no direito de definirem a si próprios socialmente, em outras palavras: não lutaram por “inclusão” mas para transformar radicalmente o próprio modelo político que os produzia enquanto “excesso/excremento” social. Se nos permitirmos a uma leve digressão, na esteira do que nos disse Chris Floyd: os haitianos em 1804 conseguiram aquilo que Espártacus 2000 anos antes falhou em conseguir. E já que estamos na digressão, na famosa cena final do Filme de Kubrick, Spartacus (Estados Unidos 1960), quando o herói insurgente, sob as ordens do sádico Marcus Licinius Crassus, é subjugado e obrigado a lutar com um de seus companheiros revolucionários ferindo-o mortalmente, diante da tragicidade da cena ele profere a seguinte frase: “Ele voltará e ele será milhões!”. Não é a toa que o ocidente não engoliu muito bem a revolução Haitiana, profetizada 2000 anos antes e “retornada do recalcado” poucos anos após a revolução francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior ironia histórica, como nos mostra Zizek, é que as tropas napoleônicas, enviadas para suprimir a revolta revolucionária, ao se posicionarem em campo de batalha, ouviram o que em princípio pareciam cantos tribais da parte dos haitianos, quando na verdade tratava-se da marselhesa, o que por um instante fez com que os franceses se questionassem (lembremos que estamos há 15 anos da revolução francesa) sobre de que lado estavam. E a mensagem haitiana é clara: “nós, escravos negros haitianos, somos mais franceses” - no sentido da mensagem revolucionária iluminista, é claro – “do que vocês!” E isto a França, o ocidente, não poderia engolir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas voltando a Robertson, onde está a sua “verdade”? Após todo o longo entusiasmo da mensagem libertária haitiana que chamou a atenção, por alguns instantes, de toda a intelectualidade Moderna Européia, inebriada pelo iluminismo, o sucesso da insurgência revolucionária dos escravos foi pressionado pelos países Europeus que se recusaram a reconhecer a independência haitiana a não ser sob a condição do pagamento de “indenizações” aos ex-proprietários de escravos. O novo estado Haitiano cedeu à pressão e traiu o espírito revolucionário. Logo após, se iniciou a corrida do Estado Haitiano de estabelecer, agora sob condições de “trabalho livre”, as bases do desenvolvimento capitalista e da propriedade privada no Haiti e sua entrada no comércio internacional, reproduzindo a exploração do capital entre os próprios ex-revoltosos. O verdadeiro “pacto com o diabo” foi a traição do movimento revolucionário encabeçado pela luta escrava de 1804, iniciando o período de 200 anos em que os Haitianos “pagaram o preço” pela traição revolucionária: sua história de sucessivas intervenções militares imperialistas por parte dos Estados Unidos que culminaram na recente história da dominação haitiana de Bush I ao "humanilitarismo" de Barack Obama.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1809346022641476515?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1809346022641476515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1809346022641476515' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1809346022641476515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1809346022641476515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/02/haiti-parte-i-um-retorno-do-recalcado.html' title='Haiti Parte I: um &quot;retorno do recalcado&quot;.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6837223356597472628</id><published>2010-01-11T16:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T20:40:10.961-08:00</updated><title type='text'>Um "breve" resumo sobre "First as a Tragedy, Then as a Farce" de Slavoj Zizek (para elucidar futuras discussões).</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zizek, no ano passado (2009) escreveu seu último livro cujo título é uma referência à famosa frase de Marx na sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica à Filosofia do Direito de hegel&lt;/span&gt;: "First as a Tragedy, Then as a Farce". (Primeiro como tragédia, depois como farsa), cujo principal objetivo é analisar os resultados da crise financeira de 2008 e cuja principal idéia é realizar um diagnóstico preciso da lógica (ideológica) do capitalismo contemporâneo e de que forma podemos repensar a hipótese comunista como superação da lógica pulsional do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título se justifica pelo seguinte: após o período da utopia fukuyamista do "fim da história" (anos 80/90) em que o mundo teria pretensamente atingido a fórmula da coexistência sócio-política humana (capítalismo + democracia), o fim do fim da história caiu sobre o mundo. Mas duas vezes: primeiro como tragédia (11 de setembro, o episódio das torres gêmeas que demonstraram que "nem todo mundo" estava tão empolgado assim...) e depois como farsa (a crise financeira de 2008 que, conforme o próprio Zizek admite não foi uma surpresa, exceto pelo fato de que todo mundo aceitou rapidamente que ela foi uma surpresa!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não seria de surpreender, em se tratando do Zizek, toda a análise está pautada em como a ideologia capitalista contemporânea (que se proclama pós-ideológica ou não-ideológica) incorporou muito da lógica emancipatória dos movimentos de maio de 68.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos lembrar que os movimentos de Maio de 68 estão diretamente ligados a um período de crise do capitalismo que István Meszáros nomeou como "Crise Estrutural", ou seja, o capitalismo finalmente conquistando o último canto do mundo que ainda resistia a sua lógica de reprodução econômica (no caso, a Ásia) atingiu um limite que contraria sua própria lógica de expansão, (para onde se expandir). Os movimentos de 68, se bem não se podem reduzí-los à mera causalidade da crise, entretando estão muito ligados à esta condição contraditória do capitalismo que começou a dar sinais de seus impactos sociais mais ou menos nesta época. Mas ainda assim, na "singularidade" do movimento (para cunhar uma expressão de Badiou) este movimento foi verdadeiramente emancipatório. Porém se esgotou também e principalmente pela severa repressão ao movimento, mas não foi só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havendo espaço para expansão material do capitalismo (nós ainda não tínhamos e não temos condições de expandir o capitalismo para a lua) o capitalismo encontrou uma nova ordem de reprodução desligada dos imperativos hierárquicos-institucionais: a lógica capitalista do lucro foi deslocada para um mercado financeiro global "bem" estruturado, os chefes das empresas que produziam materialmente tornaram-se assalariados, e toda a lógica produtiva passou a demandar "criatividade" e "flexibilidade" dos trabalhadores, bem como a organização expontânea destes em torno da produção principalmente, o que é mais irônico, com a colaboração dos chefes. Toda esta nova forma de capitalismo permaneceu muito confusa para os envolvidos nesta lógica até que Lyotard cunhou um nome que deu sentido a todo este movimento: "pós-modernidade". Aqui, temos o nascimento capitalista do "espírito de 68" que nada tem a ver com a lógica egualitária-emancipatória do "maio de 68", mas que se utilizou de algumas de suas demandas "éticas" e seu imaginário utópico do movimento para a reprodução do capitalismo (e para a reconstrução ideológica das Democracias ocidentais que passaram a se auto-proclamar pós-ideológicas... "neutras" em português bem claro!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das modificações mais sensíveis foi a lógica do consumo: o consumo não mais está ligado à "utilidade" das mercadorias, tampouco ao "status social" que elas trazem em termos de diferenciação de classes etc., mas a uma experiência, uma sensação que permite que se dê um significado à vida do consumidor. (Uma lógica imaginária utópica inscrita dentro do próprio consumo). Com isto, a reboco, veio toda uma série de preocupações éticas que também se inscreveram na lógica consumerista, como o "compre seu capuccino e salve uma criança na África" etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a pergunta é: como pode uma ideologia se proclamar não-ideológica ou pós-ideológica? Zizek aponta como a estrutura do liberal pós-68 não é mais a do liberalismo clássico que se desconstrói através de uma análise sintomal, ou seja, através da percepção de inconsistências no discurso que põem em cheque a coerência e portanto a posição de "verdade" do discurso: mas a de um discurso "fetichista" que se agarra numa "negação fetichista" à la "eu sei muito bem, mas mesmo assim..."! o que também impôe uma outra atitude crítico ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém toda essa "preocupação ética" essa "flexibilidade" e esse discurso "pós-ideológico" não evitam uma realidade que cada vez mais tem se tornado mais evidente em termos econômicos: aquilo que Zizek chama de "clausura dos comuns": aquilo que há de "comum" para os homens e que têm sido cada vez mais privatizados, e portanto, tornado propriedade de alguns:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-os "comuns da cultura" (propriedade intelectual, músicas, vídeos, softwares, livros etc.)&lt;br /&gt;-os "comuns da natureza externa" (meio ambiente como tal, poluído indiscriminadamente por aqueles que se acham donos do meio ambiente, ou então a patentiação de espécies que leva ao absurdo de índios sulamericanos terem que pagar royalties pela utilização de plantas que conhecem há milênios, por exemplo)&lt;br /&gt;-os "comuns da natureza interna" (nossa herança biogenética)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema maior é que todos esses "comuns" são questões de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobrevivência humana. &lt;/span&gt;E se o capitalismo não conseguir lidar com este paradoxo, ele mesmo desaparece. É aí que vem o risco: será mesmo que, hoje, socialismo e capitalismo são mesmo realidades tão antagônicas? Será que a propriedade nas mãos do Estado (e o consequente deslocamento da contradição Capital-Trabalho para os lugares do Estado e da sociedade civil) não seria uma solução em vista para o Capital? É aí  que os 3 comuns devem ser suplementados numa estrutura lacaniana de 3+1: o 1 que falta é justamente o problema da segregação e da construção de novos muros que, tal como os outros três problemas, está se tornando cada vez mais visível no desenvolvimento do capitalismo recente. Este problema não é um problema de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobrevivência humana&lt;/span&gt;, mas um problema de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;justiça&lt;/span&gt;. E este deslocamento ou essa máscara "socialista" do capital (anunciada com flores até mesmo pelo jornal conservador norte-americano &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Newsweek&lt;/span&gt;) continua desenvolvendo a lógica "80/20" do capitalismo (80% da renda pertence a 20% da população mundial; 80% das terras produtivas pertence a 20% da população; daqui a pouco também 80% dos empregos necessários pertencerão a 20% da população ativa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é necessário &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não  &lt;/span&gt;esquecer é emergência, nesta época, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Capitalismo Chinês&lt;/span&gt;, chamado, pela ideologia de Deng Xiaopin de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;socialismo de mercado&lt;/span&gt;. Mas também conhecida como "Capitalismo com valores Asiáticos". Uma forma de imbricação entre Estado e Capitalismo que prova como o vínculo entre capitalismo e democracia não é um vínculo natural. Mas e se, além do mera perspectiva "chocante" da ferida narcísica dos democratas honestos, este Capitalismo se provar o mais rentável? Afinal, não devemos nos esquecer que quando o "lucro" é produzido no interior de um mercado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;financeiro especulativo&lt;/span&gt; algo muda na própria idéia de "lucro". É que o lucro como exploração de mais-valia, vai se tornando cada vez mais uma espécia de aluguel, de renda: o lucro produzido artificialmente (ou seja, desviado dos imperativos de expansão do capitalismo, sem a possibilidade de expandir mercados &lt;span style="font-style: italic;"&gt;geograficamente&lt;/span&gt;) como uma forma do capitalismo financeiro "liberal" negar a si mesmo, precisa de cada vez mais regulações estatais e legislativas para poder impor, pela força, a forma regulação da economia. Agora, a economia não pode mais ser deixada aos caprichos da "lei da oferta e da demanda", uma vez que a produção não é mais o terreno da "lucratividade". Quando o capitalismo começa a inserir na lógica de consumo coisas que antes seriam impensáveis (estilos de vida, experiências culturais, propriedade intelectual, etc.), a única forma de garantir mercado e lucro, é através de um sistema estatal cada vez mais controlador (repressivo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise financeira de 2008 foi o resultado final desta lógica capitalista que vêm se desdobrando desde a década de 70 e que não tem qualquer solução senão esse "socialismo capitalista" essa desfragmentação injusta da hierarquia capitalista que contnua a perpetuar a lógica da exclusão e do enclausuramento dos comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, a saída verdadeiramente comunista é a saída da ética de uma singularidade Universal: em termos Kantianos, um sujeito participa do "uso público da rasão" paradoxalmente, não quando está em comunidade, mas precisamente quando se distancia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; luta contra a razão comum, a razão da comunidade. Os excluídos não são esse ponto de singularidade univeral? Os sujeitos cuja forma de inclusão social é justamente a sua exclusão (os trabalhadores que "participam" do capitalismo precisamente enquanto são excluídos de qualquer participação e decisão política?)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, se até agora a verdadeira hegemonia do ocidente, como diz Zizek, tem sido sua autocrítica e seu sentimento de culpa em relação aos excluídos (notem que esta é também a lógica da "inclusão democrática" ocidental) a única saída para os excluídos, - uma vez que a racionalidade capitalista (essa sim inegavelmente universal, já que existe em todo o globo) transforma toda a idéia de uma comunidade étnica tradicional em uma comunidade desnaturalizada, fabricada - é a de ressignificar a própria tradição egualitária-emancipatória ocidental, radicalizá-la ainda mais do que o ocidente foi capaz de fazê-lo (como no caso histórico da revolução dos escravos negros do Haiti que, cantando em voz alta a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marseillaise &lt;/span&gt;enquanto lutavam contra os franceses traziam a mensagem "nós negros haitianos somos mais franceses do que vocês". Esse excesso singular que não se encaixa na ordem Unversal do capitalismo deve ser a pópria ordem universal: eles devem ter o direito de criar a moldura política que os definirá e que definirá a relação deles com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, em vez de Socialismo (apropriação "particular" do Estado) temos o Comunismo como singualridade Universal. Mas como ser o Excesso num sistema capitalista que, ele próprio, é um Excesso errático, ou seja, que "revoluciona" constantemente as condições de sua própria reprodução? A resposta de Zizek: devemos abandonar imediatamente a idéia de um futuro "redentor" de uma nova normalidade histórica que resolverá por si só todos os problemas da humanidade. Em uma "ordem que se revoluciona" a verdadeira revolução é a que rompe com a lógica de um revolucionamento que retorna para a ordem. Em vez de tomar o Estado, simplesmente, devemos fazer o Estado funcionar de forma não-estatal tendo como objetivo "nunca deixar a história agir por si própria", pois a história que age por si própria, como a crise de 2008 demonstrou, termina em catástrofe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6837223356597472628?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6837223356597472628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6837223356597472628' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6837223356597472628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6837223356597472628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/01/um-breve-resumo-sobre-first-as-tragedy.html' title='Um &quot;breve&quot; resumo sobre &quot;First as a Tragedy, Then as a Farce&quot; de Slavoj Zizek (para elucidar futuras discussões).'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-2028744395852649587</id><published>2010-01-05T18:54:00.001-08:00</published><updated>2010-01-05T19:40:27.480-08:00</updated><title type='text'>PT: o Partido dos Termidorianos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ultimamente uma das discussões jornalescas de maior veiculação tem sido a tal Comissão da Verdade para apurar crimes contra a Humanidade cometidos durante o regime militar que tinha por objetivo, dentre outras coisas, retirar o nome de Militares Gorilas de Ruas, Avenidade, Praças e outros lougradores públicos do Brasil, além de identificar locais que foram utilizados para violação de Direitos Humanos por parte dos Chacais da Ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os militares, como era de se esperar, reagiram histericamente contra estas duas "cláusulas" da operação pela verdade. O que mais choca é justamente o fato de que a palavra verdade deve, realmente, aqui ser escrita com "v" minúsculo, pois se trata de uma operação estritamente Democrata e a Democracia, como tal, é oposta à qualquer Verdade. E o governo Lula  - composto por um ex-sindicalista preso pela ditadura, além de outros que participaram inclusive da militância armada contra a ditadura e foram presos e torturados por isto - respondeu em tom pacificador: a solução, para ele, é encontrar o "meio termo" sentar para discutir com os militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Gorilas, mais uma vez histéricos, tentaram pressionar o governo Lula usando como argumento o fato de que se a Dilma Roussef fosse eleita, eles teriam mais dificuldade em barganhar uma vez que ela foi presa e torturada pelos militares em decorrência de sua militância armada. E a resposta de Dilma foi algo como: "quanto a isso ninguém deve se preocupar pois &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não tenho raiva dos militares". &lt;/span&gt;Que lindo! Dilma não guarda rancor da corja que sustentou o capitalismo brasileiro, por vinte anos, com base na política de exceção e extermínio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alain Badiou, filósofo  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e militante comunista&lt;/span&gt; francês, em seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Compêndio de Metapolítica&lt;/span&gt;, demonstra como a atitude filosófica de uma "filosofia política" é uma atitude especulativa que tem a vantagem de 1 - dar diagnósticos e analizar a política; 2 - determinar os princípios de uma boa política; e 3 - não militar em nenhum processo político efetivo. Para tanto Badiou propõe a fundação de uma "Metapolítica" que teria por função &lt;span style="font-style: italic;"&gt;se dizer um pensamento político&lt;/span&gt; na exata medida em que declara, ela própria, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que é um pensamento político.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vemos o objetivo de Badiou: não "objetificar" o pensamento político, ou seja, não amarrar a sua existência à nenhuma causalidade histórica ou científica, mas sustentá-lo por ele próprio e no interior dele próprio: política, passa a ser assim, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pensamento&lt;/span&gt; que só pode ser compreendido na medida em que adentramos sua singularidade e manuseamos as categorias que este pensamento político sustenta para si próprio e na idéia que tem, para si próprio, do que seja &lt;span style="font-style: italic;"&gt;política&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que para Badiou, política é o nome de um "procedimento-Verdade". E toda a Verdade é universal, sem dúvida, mas sustentada a partir de uma singularidade, de um "grupo" de pessoas que, não fazendo parte da situação política em que se encontra, não fazendo parte da Ordem Política que existe, se desliga desta ordem afirmando sua Universalidade precisamente enquanto permanecem singulares e exteriores à todas as partes que compôem esta Ordem Política, os famosos "excluídos". Esta "singularidade Universal" no entando, não só não compôe a Ordem Política existente, mas em termos filosóficamente mais abrangentes, não compõe a "Ordem do Ser" na medida em que uma Ordem Política está ligada à uma Ideologia, e uma Ideologia é aquilo que diz o que o mundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é, objetivamente!&lt;/span&gt; Logo, toda Política enquanto Verdade singularmente Universal, se desliga daquilo que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é&lt;/span&gt;, liga-se àquilo que é possível e, portanto, não pode ser objetivável, não pode ser descrita como processo objetivo, mas como processo subjetivo de sujeitos que se engajam na militância não por um interesse também &lt;span style="font-style: italic;"&gt;objetivo&lt;/span&gt;, mas por uma afirmação de si próprio e para si próprio do que é ser Sujeito e do que é ser Político!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante aqui é frisar que, com isso, um processo político de Verdade, por não estar ligado à ordem objetiva daquilo que é (pois ela é sempre ideológica) também não está ligado à nenhuma causalidade histórica: não é possível explicar uma singularidade política nem por aquilo que  lhe deu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causa&lt;/span&gt; nem é possível afirmar sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;essência&lt;/span&gt; por aquilo que ela "resultou". Pois o "resultado" nada mais é do que outra sequencia política que advém a partir de seu fechamento, a partir de seu esgotamento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;interno&lt;/span&gt; e para si próprio. (A revolução bolchevique, por exemplo, não pode ser culpada nem pelo stalinismo, nem pode ser "decodificada" pela queda do muro de Berlim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Singularidades Políticas são a Política Revolucionária Francesa (Robespierre, Saint-Just, etc.) A Política Bolchevique (Lênin) e outras que têm como princípios um igualitarismo (não enquanto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;objetivo a ser seguido&lt;/span&gt;, mas enquanto prática que coloca todos sob a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Única&lt;/span&gt; condição de serem homens e portanto capazes de pensar por si próprios) e uma subjetivação que não se dá por meio da Lei (ninguém é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obrigado&lt;/span&gt; a militar, mas se subjetiviza para si próprio por meio de sua militância).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Badiou também identifica uma outra política singular: Aquela do "Termidorismo" que teve lugar na França após 1794 com o objetivo de massacrar os últimos revolucionários como Roberspierre e Saint-Just e afirmar a Ordem Estatal (objetiva) de defesa dos proprietários e seus interesses. A singularidade do Termidorismo se explica como aquilo que advém à um procedimento político para torcer-lhe a verdade singular, deturpar suas categorias internas (por exemplo criticando a categoria de "terror" de Robespierre e Saint-Just sem demonstrar de que forma "terror" está ligado à "virtude") e afirmar a Ordem do Ser e do Estado. Mais do que isso os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;agentes&lt;/span&gt; do termidorismo são, sem exceção, ex revolucionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que o movimento sindical do ABC pode ser identificado como uma singularidade Política Universal, como um procedimento-Verdade. As guerrilhas armadas urbanas e camponesas no Brasil durante a Ditadura também se atrelam a esta característica e só podem ser pensados enquanto interioridade, o que implica dizer, por exemplo, que a sequencia política deste movimento sindical não resulta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;objetivamente&lt;/span&gt; no governo Lula que, como tal, azeitou o capitalismo brasileiro de uma vez por todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, não podemos dizer, quando das tentativas de Lula de concilar-se com a corja Gorila e das declarações bom-samaritanistas de Dilma de que não guarda &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rancor  &lt;/span&gt;por ter sido torturada, que o PT perdeu a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;singularidade&lt;/span&gt; de Partido dos Trabalhadores para adentrar na seqüência política que o caracterizaria como o Partido dos Termidorianos?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-2028744395852649587?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/2028744395852649587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=2028744395852649587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2028744395852649587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2028744395852649587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/01/pt-o-partido-dos-termidorianos.html' title='PT: o Partido dos Termidorianos'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7400645755606687166</id><published>2010-01-02T09:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-02T10:31:31.436-08:00</updated><title type='text'>Se Deus é brasileiro e o Papa é carioca,  o Bom Samaritano é a UPP.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegamos a especular, na esteira da previsão de Slavoj Zizek, como em breve teríamos um modelo de "democracia" berlusconiano exportado para o mundo todo. A idéia desta "democracia berlusconiana" é basicamente a de uma ditadura fascista com linguagem e vestes democráticas, com aceitação popular legítima e constitucional etc. Um estado de exceção nosso do dia-a-dia... Uma ditadura que se instaura sem que nada mude peceptivelmente a nosso redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do nosso Mussolini DeVito, o caminho para a brecha totalitária tem sido a política de imigração na Itália. Mas com poucos dias aqui no Rio de Janeiro, algo me cheirou muito berlusconiano por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia carioca, às vésperas do Reveillon e dos eventos esportivos dos próximos anos (Copa do Mundo e Olimpíadas) ocupou todas as favelas DA ZONA SUL do Rio de Janeiro sob o nome de UPP sigla para o sarcástico nome de Unidade de Polícia Pacificadora... (humor negro, não?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro morro a ser ocupado foi a favela do Santa Marta. Aqui em Copacabana, o morro do Pavão-Pavãozinho foi ocupado há algumas semanas e, ao que parece, cessaram todas as atividades de tráfico de drogas e os traficantes da favela foram desarmados. Saiu uma nota na Folha de São Paulo comentando inclusive como que alguns moradores da favela estavam alugando a laje de suas casas para turistas gringos assistirem aos fogos gozando da vista do alto do morro. (E esta "vantagem econômica" para os proprietários foi ligada diretamente ao bom-samaritanismo da polícia militar carioca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso dizer que a Unidade de Polícia &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pacificadora&lt;/span&gt; faz plantão dia e noite armados até os dentes na boca de cada morro. Diariamente... já faz parte do cenário natural dos moradores do bairro. Não é preciso dizer também que a população como um todo festeja a ocupação. Tampouco é preciso dizer que pouco se houve a respeito dos moradores da comunidade sobre as aparentes melhoras engendradas pela invasão policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje na Folha saiu uma notícia com o seguinte título: "Copacabana tem Réveillon sem chuva nem bala perdida". É claro que a notícia enalteceu descaradamente a atividade das UPP no  bairro. A notícia comportava ainda algumas declarações de entrevistados que alegaram "Agora as pessoas andam mais calmas pela rua". O mais interessante, porém, foi notar que um dos entrevistados localizou a ocupação das UPP como realmente um marco histórico para o Rio chamando o período anterior da ocupação de "Era do tráfico" como se agora esta "era" estivesse já superada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim a notícia afirma: "[Antonio Chagas, o Sapão] solvatava rojões para alertar os bandidos sobre a chegada de policiais ao morro, já levou dez tiros e passou na prisão 20 de seus 32 anos. Agora, trabalha na comunidade em serviços gerais". Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;serviços gerais&lt;/span&gt;?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso ter ficado bastante espantado com estas ocupações: em primeiro lugar, se a solução é realmente efetiva e o mar de rosas de que se fala, porque não teria sido realizada antes? Em segundo lugar, que tipo de mecanismo ideológico permite a visão de policiais armados até os dentes dia e noite nas ruas do bairro como se fossem parte natural do cenário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece a construção imaginária do Rio de Janeiro como a cidade sem lei, a violência  como moeda de troca eleitoral que enclausura todos os moradores classe-média em casa e constrói grades em volta de (não menos do que) TODOS os prédios da Zona Sul, permitiu uma complacência do imaginário carioca em relação a esta ditadura totalitária do dia-a-dia. Soma-se a isso o fato de que em nome da ecologia (que Zizek já chegou a apontar como "o novo ópio para as massas") em alguns morros da Zona Norte do Rio já foi iniciado um processo de cerceamento das favelas com a construção de muros em torno de morros estratégicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Nova Democracia Global, preconizada pelos pensadores mais críticos, especialmente Agamben, já está sendo instalada materialmente no Rio de Janeiro. E é claro, tanto o nome, quanto a imagem da UPP, a fazem parecer um serviço democrático e caridoso, um bom-samaritanismo à frente do Estado de Exceção global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7400645755606687166?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7400645755606687166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7400645755606687166' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7400645755606687166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7400645755606687166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2010/01/se-deus-e-brasileiro-e-o-papa-e-carioca.html' title='Se Deus é brasileiro e o Papa é carioca,  o Bom Samaritano é a UPP.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3197435977961199514</id><published>2009-12-17T06:12:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T06:23:27.177-08:00</updated><title type='text'>Obama: prêmio Nobel de cinismo 2009!</title><content type='html'>Parece que a nova forma ideológica de legitimação da democracia chamada "cinismo" atingiu seu ápice com nosso querido Barack Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao receber o prêmio nobel da paz, Obama declarou na própria cerimônia de recebimento do prêmio que a guerra no Afeganistão era necessária e que os Estados Unidos têm o papel de eliminar o "mal no mundo"... Chegando inclusive a ser aplaudido pelos republicanos que há cerca de alguns meses atrás tentavam desesperadamente aproximar a imagem de Obama de figuras da esquerda radical como Fidel Castro e até mesmo Lenin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a especular, em posts passados, um possível destino trágico para Barak Obama. Acho que chegou a hora de corrigir alguns prognósticos... obviamente que o fatalismo trágico em relação a Obama não é necessariamente a única opção. Obama poderia simplesmente negar (cinicamente) tudo aquilo que ele parecia representar durante as eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, além disso, considerando que o tempo da Democracia (e do fim da história) já se foram com o derretimento financeiro de 2008, que agora finalmente se escancara a relação entre democracia e totalitarismo, é perfeitamente possível que uma figura como Obama tenha pautas aberta e cinicamente reacionárias como a de seu antecessor "red neck" George Bush... Parece que enquanto Berlusconi leva uma "estatuada" na cara, seu modelo político de "exceção democrática" se espalha pelo mundo todo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez repito: só nós, comunistas, podemos salvar o mínimo de democracia ainda existente no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3197435977961199514?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3197435977961199514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3197435977961199514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3197435977961199514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3197435977961199514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/12/parece-que-nova-forma-ideologica-de.html' title='Obama: prêmio Nobel de cinismo 2009!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7415370716278247709</id><published>2009-11-01T20:23:00.001-08:00</published><updated>2009-11-19T07:33:21.023-08:00</updated><title type='text'>Kelsen no divã - Parte II</title><content type='html'>No último post lancei a idéia de lacanizar Kelsen para podermos pensar, em seguida, qual seriam as consequencias de dialetizar a norma fundamental em relação a sua função frente à idéia de ordenamento jurídico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em termos psicanalíticos, todo o aporte kantiano de Kelsen para justificar o ordenamento jurídico, sua validade, baseado num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt; jurídico racional se assemelha à lei da castração, ao pai primitivo freudiano: ela é a norma que deve ser pressuposta e, portanto, é ahistórica, não transformável, não dialetizável permanecendo sempre a mesma em qualquer época ou contexto histórico: devo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pressupor&lt;/span&gt; que a existência da norma que funda o ordenamento jurídico em que estou inserido. E, é claro, esta norma é impossível de ser apontada, de ser vista, manuseada ou contemplada: não é material, é metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que esta estaticidade da norma fundamental é condizente com a tentativa kelseniana de estabelecer os ditames científicos de uma ciência lógico-formal de funcionamento de todos os ordenamentos jurídicos existentes no mundo. A norma fundamental, neste sentido, é um pressuposto "lógico-formal-transcendente" que dá conta de explicar a "pura forma" (com o perdão da expressão) do funcionamento de um ordenamento jurídico. Ljubomir Tadic (jus-filósofo esloveno) acerta ao dizer que tal lógica formal kelseniana pode muito bem ser enquadrada na crítica que Hegel faz à lógica matemática como lógica formal, uma lógica que não diz nada sobre o conteúdo da coisa em si. Neste sentido a "teoria pura" kelseniana pode até falar a verdade (assim como faz a matemática) mas é uma verdade puramente tautológica. Sim 2+2 = 4... mas e daí? Ok, toda norma deve funcionar conforme um pressuposto de validade inquestionável... mas e daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, portanto, não é que Kelsen "erre" ao formular sua teoria pura. Neste sentido, tenho a impressão de que muitas das críticas a Kelsen não se atém ao fato de que a Teoria Pura do Direito enquanto lógica formal jurídica não é a mesma coisa que Direito. O Direito diz respeito a um ordenamento jurídico específico que como tal é ideologia - e não estou falando isto simplesmente a partir de Marx, mas é o próprio Kelsen quem reconhece o caráter ideológico do Direito - e que portanto se funda em valores morais, políticos e sociais históricamente localizados. A "Teoria Pura do Direito" é a tentativa kelseniana de elaborar uma ciência lógica e formal de funcionamento de qualquer Direito, uma ciência pura (e neutra) que permita localizar como um "Direito" em qualquer época, em qualquer sociedade, independentemente de seu conteúdo ideológico vai funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é claro que o que Kelsen encontra de comum em todos os ordenamentos jurídicos é o problema da validade, o problema, no final das contas, de como eu, sujeito de direitos de um ordenamento específico, sei que a norma que sigo ou deveria seguir é válida. E a solução é, obviamente, o pressuposto metafísico de que devo cumprir a norma porque devo cumprí-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui aparece o verdadeiro problema da lógica formal kelseniana: o seu "problema" é justamente seu maior êxito: ela permite analisar indiferentemente tanto um ordenamento jurídico democraticamente eleito, quanto um regime golpista usurpador, quanto um regime revolucionário e emancipatório. A "neutralidade de kelsen" o leva a adotar uma posição neutra frente a Stalin, Hitler e qualquer liberal-democrata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à norma fundamental como "pai primitivo" da teoria jurídica kelseniana, e se, em vez de pensarmos o pressuposto de validade de um determinado ordenamento como sendo uma norma pressuposta, metafísica, como o centro irradiador de validade incorruptível pairando acima dos ordenamentos jurídicos concretos, dialetizarmos esta norma. Em outras palavras, e se fizermos a pergunta hegeliana básica: como a norma fundamental como "a validade" olharia para si mesma? Ela não teria de lançar-se para fora de si, portanto, ela não teria de cair para fora da própria validade para olhar para si mesma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dialeticamente falando, o que falta na tal "norma fundamental" é justamente o antagonismo que lhe corta de dentro, o fato de que ela já contém o seu contrário, a premissa dialética fundamental. Ela empresta validade a todo o ordenamento jurídico, mas a ela própria nada empresta validade, ou até mesmo: ela se apóia numa violência fundamental (enquanto a violência possa ser entendida aqui como o oposto de validade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos lacanianos: o significante-mestre que é a lei que instaura a linguagem para o sujeito, que lhe permite falar e, portanto, articular todos os outros significantes ordinários.  Ele próprio um significante como outro qualquer com a peculiaridade de que ele não tem "sentido", ele é apoiado num "não senso" fundamental. E isto porque este significante é dotado de um antagonismo que lhe corta de dentro, de uma não-coincidência consigo mesmo. Partindo deste raciocínio lacaniano, então para que devemos localizar a norma fundamental que empresta validade a um ordenamento fora do próprio ordenamento? Não é possível dizer, neste sentido, que a constituição é o significante mestre de todo o ordenamento jurídico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido ela empresta validade a todo o ordenamento mas, ela própria é dotada de um não-senso fundamental, ela própria não é válida e nada pode dizer que ela o é. Sendo toda constituição como lei que instaura o funcionamento de um Direito específico, uma violência fundamental.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7415370716278247709?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7415370716278247709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7415370716278247709' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7415370716278247709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7415370716278247709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/11/kelsen-no-diva-parte-ii.html' title='Kelsen no divã - Parte II'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-742290733759046681</id><published>2009-09-23T19:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T20:16:38.615-07:00</updated><title type='text'>Kelsen no divã - Parte I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hans Kelsen em sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teoria Pura&lt;/span&gt; do Direito tenta analisar o mecanismo de legitimidade/validade do ordenamento jurídico a partir de uma simples reflexão: se toda norma jurídica é válida  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;uma norma superior diz que ela é válida, então haverá uma norma superior a todas as outras, a Constituição, que determina &lt;span style="font-style: italic;"&gt;positivamente&lt;/span&gt; a validade de todas as outras normas. Mas então que norma diz que a Constituição é válida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kelsen como bom kantiano vai chegar ao artefato argumentativo da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;norma fundamental. &lt;/span&gt;Ora para que todo o ordenamento jurídico no mundo tenha validade, é necessário &lt;span style="font-style: italic;"&gt;supor&lt;/span&gt; que exista uma norma sem conteúdo explícito cuja função é apenas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;emprestar validade&lt;/span&gt; a todo o ordenamento. Como o exemplo do próprio jurista alemão, é mais ou menos como se eu me perguntasse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque devo seguir as ordens de meu pai?&lt;/span&gt; E a resposta (para um religioso) será &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque Deus ordenou que seguíssimos as ordens de nossos pais.&lt;/span&gt; Pois bem, e quem ordena que eu cumpra as ordens de Deus? Esta pergunta não pode ser respondida, devendo eu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;supor&lt;/span&gt; que exista um fundamento de validade para as ordens divinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é este raciocínio muito similar a noção de Pai primitivo em Freud? Afinal, a lei que determina a entrada do sujeito na cultura é, ela mesma, localizada fora da cultura, como ser pairando acima da realidade mundana. Claro que aqui podemos ir até Lacan para pensar a diferença entre masculino e feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Masculina é a posição diante do Pai Primitivo, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;falo&lt;/span&gt; ou lei da castração, da seguinte forma: se o pai é a própria lei então o pai pode tudo, não é barrado pela lei. Assim o pai persiste enquanto ser  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;total e completo&lt;/span&gt; não contraditório que pode gozar plenamente sem restrições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feminina é a posição diametralmente oposta que parte do princípio de que se o pai é a própria lei da castração, então longe de ser ele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;total e completo&lt;/span&gt;, ele é castrado da própria lei, em outras palavras: ele é castrado da própria realidade que surge com a lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a noção lacaniana de significante-mestre: para que haja a formação da ordem simbólica, do conjunto de significantes (símbolos ou palavras) é necessário que uma palavra ou símbolo em especial cumpra a função de simbolizar a passagem da realidade pré-simbólica para a realidade simbólica. Em outras palavras, esta palavra ou símbolo vive num paradoxo irresolúvel: ela simboliza o insimbolizável, a próprio corte que surge com a ordem simbólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido não poderíamos lacanizar Kelsen para, em vez de pensar uma norma fundamental  pressuposta que empresta validade ao direito, pensar a própria constituição como uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;norma fundamental à la significante-mestre&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de uma norma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pressuposta&lt;/span&gt; que seja total e completa, como a validade do ordenamento jurídico brilhando soberana acima da ordem jurídica, como um sol que irradia validade,  não poderíamos pensar uma norma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;posta&lt;/span&gt; que não coincida consigo mesma, uma vez que representa o irrepresentável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Para uma reflexão posterior: quais seriam as conseqüências de se imaginar um Kelsen hegeliano?]&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-742290733759046681?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/742290733759046681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=742290733759046681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/742290733759046681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/742290733759046681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/09/kelsen-no-diva-parte-i.html' title='Kelsen no divã - Parte I'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-8398265957337145957</id><published>2009-09-15T06:39:00.001-07:00</published><updated>2009-09-15T06:50:27.957-07:00</updated><title type='text'>Inconsciente, política e economia pós-modernos.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[Depois de algum tempo dedicado a escritos mais "jornalísticos"... já é hora de voltar para a filosofia.]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das características mais marcantes do pensamento pós-moderno é o seu completo "desapego" à economia política. Toda análise político-econômica é prontamente descartada como reducionismo em nome do recurso argumentativo à multiplicidade e à complexidade como formas de impedir uma análise coerente da sociedade. Em termos freudianos, a economia política, para o pensamento pós-moderno, tem a estrutura de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tabu&lt;/span&gt;. Ninguém toca na economia política (não é por menos que mesmo os pós-modernos socialistas, como Boaventura de Souza Santos, sequer esbarram em análises político-econômicas) e quem toca vira, ele próprio, um tabu.[*] &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de enfatizar, na esteira da análise de &lt;a href="http://www.transhumano.blogspot.com/"&gt;Fernando Marcellino&lt;/a&gt;, a frase de Lacan &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"o inconsciente é político"&lt;/span&gt;, para desdobrar como encarar a palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;político&lt;/span&gt; nesta frase. A intenção de Lacan, aqui, é demonstrar como uma ordem simbólica (a cultura, as normas implícitas que regulam a sociedade, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;linguagem&lt;/span&gt; em geral) é o que "parte o sujeito em dois", que o aliena e o obriga a assumir uma posição de fora de sua própria subjetividade para aprender a falar e a agir socialmente. E portanto o sujeito como "ser falante" sempre fala em nome de um Outro, ou antes, o Outro fala através dele. Mas o que é este Outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente a frase &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"o inconsciente é político"&lt;/span&gt; é talvez a menos enigmática das frases de Lacan. O Outro nada mais é do que a forma como uma sociedade se organiza politicamente de forma a orientar a atividade de indivíduos que façam parte dela e que tenham, portanto, de se sociabilizar a partir das normas impostas por este Outro para serem considerados indivíduos "normais". O único "retoque" que talvez pode ser feito à frase de Lacan é que, como afirma Zizek, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;política&lt;/span&gt; precisa sempre ser suplementada pela economia política. Em outras palavras, a política e a Economia são dois pontos de vista irredutíveis, porém inseparáveis, sobre este Outro. Desta forma não só o inconsciente é político, mas o inconsciente é também econômico - como afirmou meu amigo Fernando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto impõe que todo auto-questionamento e toda auto-crítica seja invariavelmente um olhar sobre o desenvolvimento político e econômico da sociedade que, hoje, como inovação histórica de nossos tempos, é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;invariavelmente global&lt;/span&gt;. Contrariamente aos postulados multiculturalistas (e desconstrucionistas), portanto, a auto-crítica nunca deve ser realizada com vistas à personalidade individual, afinal esta é apenas uma resposta, uma particularidade, da lógica Universal que regula a política e a economia. E, como não poderia deixar de ser dito, vale lembrar que este Universal não é uma totalidade fechada, estanque, idêntica a si mesma... mas um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um &lt;/span&gt;que se atualiza historicamente precisamente a partir de um antagonismo inerente e irreconciliável. Por exemplo, o capitalismo - ou melhor o Capital - não é uma totalidade fechada de um mecanismo com peças muito bem colocadas cuja estrutura é para sempre inalterável. Mas uma plasticidade eternamente mutável que se atualiza &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sempre&lt;/span&gt; a partir da matriz antagonística Capital-Trabalho. Assim como as sociedades modernas são sempre diferentes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;enquanto reproduzam&lt;/span&gt;, todas elas, a matriz antagonística chamada de Luta de Classes. (Relações de Produção e Forças produtivas de um lado e Luta de Classes de outro são exatamente os dois antagonismos referentes aos pólos suplementares da Economia Política e da Política, respectivamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recurso argumentativo pós-moderno à multiplicidade tem o efeito de obliterar sempre este antagonismo inerente à Universalidade e por mais que doa aos pós-modernos, não consegue nunca &lt;span style="font-style: italic;"&gt;evitar&lt;/span&gt; a universalidade, mas apenas mascará-la como terreno pacífico, harmônico, não antagônico. Só para dar alguns exemplos da lógica do recurso à multiplicação: os pós-modernos, por exemplo nos dizem que não existe &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um sujeito&lt;/span&gt; mas uma pluralidade infinita de personalidades multicoloridas absolutamente diferentes e singluares. É claro que um pouco de dialética nos ajudaria a entender o que se passa implicitamente neste argumento: enquanto todos são absolutamente diferentes e peculiares, todos são iguais precisamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nesta diferença absoluta&lt;/span&gt;. Portanto O Sujeito (Universal) aparece aqui nas entrelinhas como um simples conjunto aiôntico (para citar Deleuze), ou em outras palavras, como uma simples reunião amorfa (e pacífica!) de todas as subjetividades singulares. O pensamento metodologicamente orientado pela dialética - mais especificamente pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;materialismo dialético&lt;/span&gt; - ao contrário assume explicitamente o Universal como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um&lt;/span&gt; que não coincide consigo mesmo, voltando ao exemplo: as milhares de subjetividades singulares e diferentes, neste caso, seriam simplesmente a resposta, a tentativa (sempre fracassada) de reconciliação de um antagonismo inerente à própria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;idéia de sujeito&lt;/span&gt;, ao próprio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sujeito Universal&lt;/span&gt; , para sempre cindido entre consciente e inconsciente, por exemplo. Da mesma forma as sociedades não são singularmente diferentes entre si, mas tentativas concretas de reconciliação do antagonismo inerente à própria idéia de sociedade chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;luta de classes;&lt;/span&gt; as múltiplas formas culturais e políticas que o Capital encontra para se "instalar" num determinado local também são respostas concretas à contradição Capital-Trabalho, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o inconsciente é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;político-econômico&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;", como podemos ler o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inconsciente pós-moderno&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível identificar o pós-modernismo como uma passagem do significado para o significante, em outras palavras, como a renúncia à noção de Verdade, de um significado seguro (porque real e concreto) da realidade em nome de uma certa noção de linguagem que enfatiza a produção de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido&lt;/span&gt; como efeito das infinitas interações entre os múltiplos símbolos. Em outros termos o pós-modernismo se posicionaria contra o modernismo a partir da noção de que qualquer acesso a um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido concreto&lt;/span&gt; ou a uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Verdade&lt;/span&gt; seria impossível porque o ser humano está imerso, para sempre, num oceano de linguagem e de simbologias, e a realidade (como sendo aquilo que está fora da linguagem) está para sempre envolta numa "capa de sentido" que impossibilitaria os sujeitos de saber qual é a "realidade em si mesma" ou qual é a "verdade em si". Com isso todo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido&lt;/span&gt; em vez de ser referenciado a alguma Verdade Divina, localizada fora do mundo (humano) da linguagem, seria simplesmente o efeito da interação e da inter-relação entre os milhares de símbolos e palavras que compõem nosso mundo cultural/simbólico. Com isso cada palavra ou símbolo não significa algo concreto e real, mas seu significado é produzido pela troca que ela realiza entre as outras infinitas palavras ou símbolos, gerando um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;efeito de sentido&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Harvey, em seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Condição Pós-Moderna&lt;/span&gt; nos dá uma dica: não seria este processo um correlato da lógica exacerbada de mercado gerada com a modernidade capitalista? Vejamos: na teoria marxista o Valor da mercadoria também é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um &lt;/span&gt;para sempre cindido, cindido entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;valor de uso&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;valor de troca&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Valor de uso&lt;/span&gt; seria o quanto a mercadoria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vale&lt;/span&gt; em referência à utilidade concreta que ela traz para a vida humana: uma camisa tem valor não só de mercado, mas é também &lt;span style="font-style: italic;"&gt;útil&lt;/span&gt; ao homem que precisa se vestir e ao valor atribuído a esta utilidade direta de que pode desfrutar o proprietário da mercadoria se chama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;valor de uso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Valor de troca&lt;/span&gt; seria o quanto a mercadoria vale em referência à sua circulação no mercado, ou seja, à capacidade de esta mercadoria ser trocada por outras mercadorias: a mesma camisa guarda valor não só em relação à utilidade que ela serve, mas também em relação à quantidade de produtos que posso adquirir se trocar por esta camisa, o que implica necessariamente numa diferenciação de várias camisas conforme o grau de sofisticação do produto que não necessariamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;serve&lt;/span&gt; para alguma utilidade concreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, este &lt;span style="font-style: italic;"&gt;antagonismo do valor&lt;/span&gt; funciona sempre e sem equilíbrio. Mas o mercado capitalista precisa cada vez mais acentuar o valor de troca das mercadorias, o que possibilita uma tendência de aumento daquilo que Marx chamou de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fetichismo da mercadoria&lt;/span&gt; o que implica a perda progressiva - que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tende &lt;/span&gt;a zero mas que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nunca chega&lt;/span&gt; a zero - do valor de uso, da utilidade concreta do produto em nome do aumento de seu valor de troca, do valor monetário inscrito em cada produto que possibilita que ele, com maior ou menor sucesso, faça as vezes de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dinheiro&lt;/span&gt;, momentaneamente. Em termos mais abstratos: cada mercadoria tem importância pela forma como ela se liga e se interrelaciona com outras mercadorias, e não com uma utilidade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;natural&lt;/span&gt; que a liga com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lado de fora&lt;/span&gt; do livre mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao trecho anterior: "Com isso cada palavra ou símbolo não significa algo concreto e real, mas seu significado é produzido pela troca que ela realiza entre as outras infinitas palavras ou símbolos, gerando um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;efeito de sentido&lt;/span&gt;". Acredito que podemos ler a mesma frase trocando algumas palavras: "Com isso cada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mercadoria ou produto&lt;/span&gt; não tem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;utilidade&lt;/span&gt; concreta e real, mas seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;valor&lt;/span&gt; é produzido pela troca que ela realiza entre as outras infinitas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mercadorias&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;produtos&lt;/span&gt;, gerando um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;efeito de valor&lt;/span&gt; [que podemos chamar de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fetichismo da mercadoria&lt;/span&gt;]".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um primeiro passo para pensarmos no inconsciente pós-moderno/pós-saussureano e, quem sabe, para uma economia política lacaniana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[*] É interessante ver como toda a cruzada pós-moderna contra as "meta-narrativas" no final das contas é uma grande meta-narrativa, com a diferença específica de ser uma meta-narrativa despreocupada com qualquer causalidade, uma meta-narrativa à la &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deus ex machina&lt;/span&gt;: a desculpa pós-moderna para deixar de lado a economia política é o argumento de que passamos da sociedade de produção para a sociedade de consumo... mas em termos econômicos, qual foi o grande Evento dos últimos anos que teria transformado tanto o desenvolvimento do Capitalismo para que ele pudesse prescindir da exploração do trabalho (subumano)? Que teoria econômica consegue demonstrá-lo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-8398265957337145957?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/8398265957337145957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=8398265957337145957' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8398265957337145957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8398265957337145957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/09/inconsciente-politica-e-economia-pos_15.html' title='Inconsciente, política e economia pós-modernos.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1304909912644154105</id><published>2009-09-13T09:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T19:33:19.861-07:00</updated><title type='text'>MP3, Comunismo e outras coisas.</title><content type='html'>Ideologicamente, vivemos em um tempo muito estranho.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A questão do Cinismo, trazida para discussão, no Brasil, em primeira mão por Vladimir Safatle, demonstra como a Democracia, hoje, pode ser sustentada (e funciona muito bem assim) sem que ninguém acredite piamente na democracia. Todos nós sabemos que a democracia não funciona, mas parecemos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;crer em alguém que crê &lt;/span&gt;na democracia de forma que não podemos pensar nenhuma realidade para além da lógica democrática.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De forma peculiar, portanto, vivemos no tempo politicamente mais conformista da história, ao mesmo tempo em que não esperamos nada do regime político e econômico vigente. E assim, a democracia e o Capital atuam livremente, percebidos como lógicas naturais etenras e imutáveis de relações sociais e humanas. Neste sentido, o Capital é pensado como uma força que atingiu a indestrutibilidade quando conseguiu atingir uma dimensão Global. Mas como diria Zizek, isto demonstra no máximo uma posição privilegiada do Capital, jamais sua indestrutibilidade eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, além disso, fica claro que é precisamente porque o Capital é global que seus antagonismos são elevados à última potência, deixando a ele uma posição muito mais instável. Sintomático disto é a questão da propriedade intelectual. Ora, um dos motivos da expansão global do Capital é justamente o desenvolvimento tecnológico das comunicações, mais especificamente da internet. Mas a internet &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/Sq2q5tvL-mI/AAAAAAAAACw/771Pt56pPF0/s1600-h/mp3comunismo.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 237px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/Sq2q5tvL-mI/AAAAAAAAACw/771Pt56pPF0/s320/mp3comunismo.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381145038284388962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;como forma de circulação de mercadorias virtuais gera o problema da insustentabilidade da propriedade intelectual, uma espécie de mercadoria que não tem consistência física e que, por isso mesmo, não pode ser consumida fisicamente e só vale enquanto informação virtual que, por isso mesmo, pode ser copiada e pirateada. Nas palavras de Zizek, a propriedade intelectual é inerentemente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comunista &lt;/span&gt;e não é a toa que as empresas que produzem softwares e outros bens virtuais gastam muito mais dinheiro combatendo a pirataria de seus produtos do que desenvolvendo os produtos propriamente. Se o valor de toda a mercadoria oscila como num gráfico de batimento cardíaco, o valor da propriedade intelectual parece um ataque cardíaco. Neste sentido, captamos um ato falho da ultra-direita fundamentalista norte americana (Recording Industry Association of America) que revela muito dessa estrutura antagônica do Capital. Apesar da intenção conservadora, o poster revela muito de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resistência ao Capital deve se ater nestas fraquesas, nestas inconsistências da dinâmica de mercado, e se o Capital se organiza globalmente, também a resistência tem, pela primeira vez, a capacidade de se organizar globalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, só para lembrar a frase de Zizek: Socialismo = todo o poder aos sovietes + livre acesso à internet.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1304909912644154105?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1304909912644154105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1304909912644154105' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1304909912644154105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1304909912644154105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/09/ideologicamente-vivemos-em-um-tempo.html' title='MP3, Comunismo e outras coisas.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/Sq2q5tvL-mI/AAAAAAAAACw/771Pt56pPF0/s72-c/mp3comunismo.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7388533222019707542</id><published>2009-09-06T10:17:00.001-07:00</published><updated>2009-09-07T06:30:14.685-07:00</updated><title type='text'>Viva o presente! (Porque o futuro assusta e a liberdade dá trabalho!): 4 focos de reflexão sobre a reconfiguração geopolítica do mundo em crise.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;crise estrutural&lt;/span&gt; se revela um fenômeno único na história do mundo já que agora o capitalismo encontra (mas insiste em não reconhecer) seus limites materiais de reprodução, pensemos nos últimos acontecimentos geopolíticos e fiquemos bem atentos quanto aos desdobramentos desta crise para os próximos anos. Podemos arriscar alguns focos de análise no mínimo férteis para o desenrolar desta perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1 -&lt;/span&gt; Uma ditadura militar  se instaura em Honduras depois da guerra-fria. Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;paladinos da democracia&lt;/span&gt;, os EUA, estão absolutamente indiferentes (para dizer o mínimo) a este regime golpista ultra-conservador. Vale lembrar que Zelaya, o presidente eleito, é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;liberal "crasso"&lt;/span&gt;, nada radical que queria convocar a população para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;possivelmente&lt;/span&gt; propor uma Assembléia Constituinte que trouxesse demandas democráticas mínimas para a miserável nação hondurenha. Sua postura liberal-conformista é evidenciada com sua reação extremamente patética frente ao golpe que sofreu: chora para Hilary Clinton daqui; corre para buscar apoio de sindicatos de outros países da América Central de lá; ameaça voltar ao país mas dá dois passos de volta ao ver no horizonte os homens-gorilas fardados; agora tenta implorar para que os EUA e alguns países da Europa (todos bastante resilientes no caso) não reconheçam as novas eleições propostas por Michelleti para o fim do ano... Enfim: sua agenda política como presidente eleito e as demandas democráticas que estava, friso, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pensando&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;propor&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;numa possível&lt;/span&gt; nova Constituição, não são nada pelo que valha a pena lutar muito ou se arriscar muito... (algo aqui tem cheiro de Jango). E estes fatores revelam o quão conservador é o governo ditatorial e, consequentemente, a burguesia local que está representada em cada distintivo. De resto, a indiferença norte-americana frente a situação também demonstra que tipo de vínculo os Estados Unidos guardam, historicamente, com essas oligarquias ultra-conservadoras de Honduras e que tipo de problemas realmente importam para o grande irmão do norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2 - &lt;/span&gt;Após os Estados Unidos, preocupados com a crise e os problemas muito mais urgentes que dela decorrem, terem se posicionado indiferentemente em relação aos cães-de-guarda da reação hondurenha que latem e rosnam contra demandas, repito, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;minimamente democráticas, &lt;/span&gt;a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;land of the free&lt;/span&gt; instala bases militares na Colômbia, num momento não só de crise do capitalismo, mas também (em conseqüência) de crise hegemônica do imperialismo norte-americano. Com Evo e Chávez, a hegemonia ianque pela primeira vez em algumas décadas, se vê enfraquecida na América do Sul. Lula, no Brasil, não declarou fogo aberto à Venezuela e à Bolívia (sobretudo depois dos grunhidos da direita ultra-conservadora brasileira frente à questão da Petrobrás com a nacionalização do gás boliviano), situação esta que duvido muito que teria sido a mesma com um tucanofascista como Geraldo Alckmin ("ídolo" da comunidade carcerária paulistana, dos sobreviventes do Carandiru e do PCC) na presidência do Brasil. Parece claro que o objetivo principal das bases na Colômbia não é a Venezuela, diretamente, mas o Brasil, o foco principal dos olhares beligerantes do imperialismo na América do Sul em termos históricos. Mas, obviamente estamos falando de olhares de controle e repressão contra atitudes políticas que dancem fora do rítimo do Capital Global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, se o momento é de crise estrutural e, portanto de impossibilidade de aumentar os mercados e os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;benefícios &lt;/span&gt;da classe trabalhadora, perder mercado ou disciplina fabril na América do Sul, o terreno seguro do imperialismo, não é nada interessante. Por isso o momento da crise na situação específica da América do Sul impõe uma escolha: romper com a hegemonia norte-americana e vê-la desabar de vez ou ajudá-la a manter, a duros custos, sua posição para, quem sabe, sair ganhando alguma coisa... isso se os EUA conseguirem sair ganhando antes, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uribe escolheu a segunda opção. E pretende ficar um pouquinho mais na presidência da Colômbia, numa atitude que qualquer articulista da Veja há uns dois anos teria chamado de "bolivariana". (e mais uma vez a história prova que só a esquerda consegue terceiros mandatos sem precisar comprar votos). Assim este é o raciocínio de Uribe: "quem sabe 'depois da crise' eu e as oligarquias colombianas possamos ascender ao lado dos EUA!". Pena! A crise é irreversível. (Não há "depois da crise")! Chávez e Evo têm escolhido a primeira opção. Aliás a mais sensata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula se mantém, como um bom liberal, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;neutro. &lt;/span&gt;Mas e os oportunistas? Imaginem, mais uma vez, Alckmin no poder (Mano Brown em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diário de um Detento&lt;/span&gt; fala sobre "Fleury e sua gangue nadando numa piscina de sangue". Imaginem que personalidade da política brasileira atual foi um dos líderes dessa gangue!). A postura &lt;span style="font-style: italic;"&gt;neutra&lt;/span&gt; do Brasil quanto à Venezuela e Bolívia não é natural, mas partidária. Neste sentido, Alckmin no poder pode significar a declaração aberta da Venezuela e da Bolívia como inimigos nacionais (e quem sabe Coronel Ubiratã como ministro da defesa). (Devo frisar que Alckmin, por ser o Berlusconi brasileiro, é mais um exemplo extremo para mostrar a que sorte a política brasileira está lançada, independentemente de ser ele ou outro tucano mais "bonzinho" que concorra à presidência ano que vem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3 - &lt;/span&gt;E justamente por ser a crise &lt;span style="font-style: italic;"&gt;irreversível&lt;/span&gt; que hoje emerge a possibilidade de o capitalismo chinês (chamado com muito mau gosto de "socialismo de mercado") ser o modelo perfeito de Estado capitalista para as próximas décadas da história do mundo: um enxugamento radical dos "custos desnecessários" como previdência social, educação, saúde, etc. (veja-se o fracasso do programa de reforma da Saúde Pública do nosso querido Obama), para dinamizar a produção de bens, a circulação de capital financeiro às custas de mais repressão e cada vez piores condições de vida e trabalho. (Detalhe interessante: a Ásia representa cerca de 70% da classe trabalhadora do mundo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que o modelo econômico capitalista dos EUA está obsoleto frente ao capitalismo chinês significa a perda da hegemonia ianque j&lt;span style="font-style: italic;"&gt;á na idéia&lt;/span&gt;, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;abstração&lt;/span&gt; e não num ou noutro contexto concreto e específico. Por abstração e idéia quero dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;conceito&lt;/span&gt;. Por contexto concreto e específico quero dizer a manifestação da crise que podemos ver num lugar específico e num tempo específico. Neste sentido o imperialismo americano não está falhando neste ou naquele lugar específico do mundo, nesta ou naquela época histórica. É a própria idéia de imperialismo americano que está em crise (mas não no sentido pós-moderno de que agora vivemos um reino de liberdade e igualdade entre os povos, e sim no sentido de que isto representa uma tendência cada vez mais agressiva dos Estados Unidos para lutar contra esta crise do imperialismo). Ou seja, as crises hegemônicas "concretas" do globo (como a da América do Sul) não são acidentes, contingências, mas uma resposta necessária à crise que já existe na própria idéia de hegemonia/imperialismo norte-americano. Em suma: é só sentar e esperar as crises hegemônicas específicas e concretas pipocarem no mundo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é isso mesmo que vemos acontecer agora no Japão? Creio que o Japão tenha tido um raciocínio similar ao de Uribe depois da II Guerra. E funcionou porque a crise de 29, de que foi resposta o Fascismo e a Guerra em geral, era uma crise conjuntural, solucionável a partir de uma simples expansão de mercado keynesiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, com a impossibilidade absoluta de contornar a crise pelo modelo keynesiano, o Japão não precisa mais ser o pequeno &lt;span style="font-style: italic;"&gt;akita&lt;/span&gt; do imperialismo norte-americano na Ásia. E Yiukio Hatoyama (premiê eleito pelo Partido Democrata do Japão que sobe ao poder depois de 55 anos de governo do Partido Liberal Democrático) já anuncia políticas de rompimento com os Estados Unidos e uma postura menos subserviente da política internacional japonesa frente aos EUA, principalmente estando a ilha ao lado da China! E é este o sentido da nova política externa japonesa: uma tendência a romper com os Estados Unidos e fortalecer laços com a (ex rival) China. (Um analista político chinês chegou a parabenizar a postura do novo governo japonês de não mais realizar a tradicional homenagem aos soldados mortos na segunda Guerra. Aliás, a rivalidade China e Japão, ideologicamente, é bastante sustentada pela imagem fascista da participação japonesa na segunda guerra. Este ato do novo governo só pode apontar para um novo alinhamento ideológico do Japão. E a parabenização do analista chinês como um indício de sucesso nesse novo alinhamento).  Em suma: a hegemonia ianque no extremo oriente já era!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;4 - &lt;/span&gt;Pobre Obama! A cada dia cai um problema pior no seu colo vindo das mais diversas partes do mundo. Com isso crescem as ameaças de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que isso não é culpa do Obama, mas a história americana nos mostra o que pode ocorrer com presidentes que não conseguem dar conta do recado. É mais ou menos como aquele dito popular: "não me importa se o pato é macho, o que eu quero é o ovo!". E Obama vai ter que se virar pra conseguir o ovo, independentemente de sua impotência frente ao momento histórico em que vivemos. (Os Kennedy's, por mais diferentes que sejam os detalhes da história, não conseguiram o ovo...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as coisas continuarem a se desenvolver como tem sido a tendência até agora, das duas uma: ou Obama é um liberal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;com&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Causa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (colhões) e irá até o fim passando por cima do medo de levar uma pá de terra pelo rosto, ou ele é um liberal como outro qualquer (por exemplo Zelaya ou Jango) e renuncia ao mandato abrindo caminho para algum Republicano insandecido  - o comediante americano Bill Maher deu a análise precisa do que anda ocorrendo com a política partidária dos Estados Unidos: &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16126"&gt;"Os Democratas deram um passo em direção à direita; os Republicanos deram vários em direção ao hospício"&lt;/a&gt; - tomar as rédeas do amálgama imperialista sino-americano ou berlusconiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bem disse Slavoj Zizek: só nós, comunistas, podemos salvar o mínimo de democracia que o mundo conquistou até agora!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7388533222019707542?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7388533222019707542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7388533222019707542' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7388533222019707542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7388533222019707542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/09/viva-o-presente-porque-o-futuro-do.html' title='Viva o presente! (Porque o futuro assusta e a liberdade dá trabalho!): 4 focos de reflexão sobre a reconfiguração geopolítica do mundo em crise.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-2469552785129091606</id><published>2009-09-02T19:27:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T20:06:42.210-07:00</updated><title type='text'>Minhas notas sobre a palestra de François Chesnais na USP (19/08/2009)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[Minhas anotações de caderno (portanto não esperem muito!) sobre a palestra de François Chesnais no III Seminário organizado pela revista Margem Esquerda, na USP, sobre a obra de István Mészáros e o pensamento sobre a Crise Estrutural do Capital.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mészáros previu a noção de crise estrutural e muitos conceitos que ajudaram a compreender o tempo atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje "Para Além do Capital" [obra de Mészáros] é uma necessidade imperativa civilizacional. É uma situação em que não se pode dizer exatamente como chegar lá. "O desafio e o fardo do tempo histórico" é também outro título que caracteriza a vida atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada geração, cada sujeito politicamente consciente, deve ler Marx de várias maneiras. Quem o faz de uma só vez ou de uma só forma não entende o pensamento de Marx. Podemos ver que os Grundrisse de Marx são o fio condutor d'O Capital, mas de forma menos explícita: trata-se do movimento de autoprodução do capital que não pode ter um fim nem um limite "real". Uma pluralidade de mecanismos insaciáveis, e isto é algo decisivo a ser compreendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vemos os indicadores econômicos mais importantes ( por exemplo as taxas de investimento em queda), vemos uma curva que desde os anos 60 é descendente, um sistema em queda tendencial: cada vez mais a queda se acentua e o sistema se torna mais agressivo. Este é o fio condutor também do trabalho de István Mészáros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento do Capital, conforme a obra de Marx, no livro III, é sem barreira e sem limite, ou antes, o limite é o Capital mesmo! O movimento limite nada mais é do que aquele em que o Capital encontra seus limites na sua própria forma de reprodução. Cada vez mais ele procura meios de ultrapassar estas barreiras para que a acumulação possa ser incrementada. Ao longo de todo o século XX esses movimentos foram cada vez mais brutais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a crise estrutural, trabalho de Mészáros em "Para Além do Capital", é a crise que aparece nos anos 50 e se desenvolve a partir dos anos 70, mais específicamente em 75.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas podemos pensar a primeira Guerra como um momento histórico em que a concorrência imperialista encontra um sistema em expansão. Nos anos 30 uma nova Guerra Mundial é a nova solução possível para abrir espaço para a expansão capitalista. Neste momento a única solução para os EUA sairem da crise, sua única alternativa foi a entrada na Guerra e a expansão do mercado de armas que, desde lá, se torna estrutural para o poderio hegemônico norte-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 75, porém, o Capital vem lançando formas sucessivas para reinventar o Capital: Globalização da valorização do capital; reintegração da URSS e da China no mercado mundial; liberalização, flexibilização, regulamentação, etc. Foi o próprio sucesso deste mecanismo de ultrapassagem dos limites de sua reprodução que levou uma parte do capitalismo para o Capital Financeiro: um capital que tem juros e dividendos, aquele que se cristaliza na forma de títulos de dívida e de propriedade e isto nos dá uma idéia do peso decisivo que recai sobre a acumulação hoje. Com o tempo, este processo transforma o sistema fincanceiro no ponto mais delicado. Neste sistema se manifestará a crise da própria acumulação, uma vez que ele mesmo já foi uma resposta à crise de acumulação que se desdobra desde a década de 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a crise de 2008 tomou uma proporção gigantesca, um momento inteiramente novo na história do mundo, o momento da crise da própria acumulação e expansão capitalista. Em relação ao futuro tudo o que podemos dizer é que o grau de destruição da natureza, da catástrofe ecoógica hoje é decorrente direto do grau de desenvolvimento do Capital, do seu estádio de acumulação. Ele tem hoje possibilidades de por em movimento um processo de destruição nunca antes visto, uma vez que necessita continuar ultrapassando os limites reais a sua expansão e acumulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto define a relação entre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;crise estrutural e o sócio-metabolismo do capital&lt;/span&gt;: um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gerenciamento de estruturas por uma acumulação que não quer reconhecer limites&lt;/span&gt;. Hoje não vivemos simplesmente uma crise financeira: vivemos uma crise da expansão e da acumulação em sua totalidade, do sistema do Capital como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar disto no Brasil tem importância particular: devido a sua cultura e formação histórica, o Brasil nasce de uma dinâmica exploratória que pensa poder fazer o que quer com a natureza do país. Por tudo o que li nos últimos meses, o Brasil não está em recessão como a Europa. Aqui vocês caíram somente um pouquinho. Mas se entendermos a dimensão global da Crise, veremos como ela afeta o mundo todo e, assim, podemos vislumbrar a possibilidade de ação transformadora radical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-2469552785129091606?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/2469552785129091606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=2469552785129091606' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2469552785129091606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2469552785129091606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/09/minhas-notas-sobre-palestra-de-francois.html' title='Minhas notas sobre a palestra de François Chesnais na USP (19/08/2009)'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3926117963971476761</id><published>2009-08-31T19:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T20:01:35.410-07:00</updated><title type='text'>Mediação Ontológica.</title><content type='html'>É incrível como pequenos acontecimentos dão uma mudada ontológica no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3926117963971476761?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3926117963971476761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3926117963971476761' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3926117963971476761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3926117963971476761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/mediacao-ontologica.html' title='Mediação Ontológica.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3018643873832047677</id><published>2009-08-27T10:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-28T09:03:32.355-07:00</updated><title type='text'>A brief resume for the comming-pandemonium!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui vai uma tradução de um dos meus posts antigos para o inglês. [Here is a translation of one of my elder posts to english].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tose are strange times!&lt;br /&gt;Hugo Chávez has published in &lt;a href="http://www.cubadebate.cu/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cubadebate&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; website an &lt;a href="http://www.cubadebate.cu/hugo-chavez-frias/2009/08/02/las-lineas-de-chavez-ideas-y-milicias-%C2%A1que-creacion/"&gt;article&lt;/a&gt; with a breif resume of the latest most relevant events of the latin-american politics, whose denouement was the "installing" of new US military basis in Colombia. Chavez's incisive question was "who USA and president Uribe want to cheat by saying that Colombia's military basis do not represent a threat to Venezuela?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Some years ago this question could be read as an exagerate egotism of Chavez's. But what about now, after Honduras? What every critical thought about the gorrilla-dictatorship in Honduras has to keep in mind is that the &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coup d'etat&lt;/span&gt; was not a plot hiddenly guided by bad men thirsty for blood! Things are pretty much as they appear: Obama is a nice guy! He smoked weed (and inhaled it!) with friends in university. His intentions are really the best possible and, certainly: better him than Bush. That is not the question.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The splits of the ongoing capitalist crisis, which has been happening since the seventies, when capitalism has reached its material limits of market expansion, when it has definitively consolidated itself on the entire globe cannot occur without oppening up a great fissure in democracy, its ideology &lt;span style="font-style: italic;"&gt;par excelence&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek, for example, in a lecture about his latest book written togeather with John Milbank (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The monstrosity of Christ&lt;/span&gt;), by the way one of the best works of revolutionary philosophy of our time, talks about the process in which the US government and the FED decided for the emission of some 'x'illions of dollars to the financial system of United States. Whoever was accompaining this process since the 15th of september of the last year remembers: the decision for the emission of this irrepresentable amount of money was, in principle, vetoed by the yankee congress. As Zizek says, the message was quite clear: "We do not have time to play this democracy game right now! It has to be done, and that's all!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It is this and only this that we are watching in Honduras: "we do not have time to interveine in the name of democracy in a country that has only, so far, exported bananas (by the 'help' of american multinational fruit companies, of course!)! We need to save GM and Co. firs!". (As Immanuel Wallerstein has said, Honduras lies amongst the latest priorities of the White House). Of course the small detail is that the "democracy war" on Iraq is still going. Everybody new USA did not &lt;span style="font-style: italic;"&gt;really&lt;/span&gt; invade Iraq for the sake of democracy, against Saddam dictatorship (that guy who was publicly executed on youtube)... But ok! This was said, nobody could effectively protest aginst the invasion, United Nations proved itself, for the despair of the most honest liberals, totally unusefull, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But now we are getting much more conscious that &lt;span style="font-style: italic;"&gt;the real thing&lt;/span&gt; is Capital's global circulation and expansion, really! What does it mean, therefore, to install the military basis closed (or glued!) to Venezuela, the first of the latin-american countries to adopt an openly anti-capitalist and anti-imperialist politics after the continent "redemocratization"? Now that it doesn't matter, for Capital, to legitimize itself under the flag of democracy or any other reactionary dictatorship, only Lula can believe in a mere statement of president Uribe (Colombia) which "guarantees" that the basis will not act outside Colombia's territory. (Detail: we are talking here about dozens or hundreds of fighting planes that could make it from the source of the Amazon river to the Atlantic Ocean in twenty minutes or so.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Besides, as i have already said in one of the latest posts, american left-wing wants desperately to see Obama's death! Now that Democracy &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; Totalitarianism is a false opposition even to the Capital, that is to say, it shows itself as a false option not only to the marxist-hegelians most aware of the dialetical method, but even to the economic system, "Democracy, Human Rihts, Dictatorship, Military Men in power... It doesn't matter!" What would it represent, then, the murder of Obama? Certainly, he would not be murdered merely for the caprice of "intolerant racists from Tennessee". The right-wing would never loose any opportunity to take an even worse-than-Bush texan to power. An open &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coup d'etat&lt;/span&gt; in USA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The best that could happen is Obama's renounce of his presidency with the condition that someone much worse would took over his place. Of course, "best" for Obama: after all, this attitude would give the appearence of legitimacy to this "power transition".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recapitulating: Democracy cannot stand still by its own legs. Military dictatorship and a resilient position by one side and war on Iraq for the sake of Democracy by the other. The installing of military basis in Colombia glued to the most significant country in terms of political resistence agains imperialism and the Capital in Latin America. The possibility of an (explicit) ULTRA-conservative &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coup d'etat &lt;/span&gt;USA... The situation indicates, definitely, not a "much too good and safe" future, especially considering that this crisis is irrevirsible (because structural) and that the emergency state proclaimed by Giorgio Agamben has ironically started to manifest itself in Italy with Mr Silvio Berlusconi a mixture of a fascist with a comedy-movie-Mafioso: an amalgam between Mussolini and Danny DeVito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Its better for us to think about Lula's roll in all this: while Bush was pulling the strings of imperialist geo-politics, Lula used to serve as a mediator between the confederate preisdent and Hugo Chávez. Now that we have Obama (who, i repeat, is a nice guy!) it seems that Lula is doing overtime in latin-american geo-political scenary. What about thinking on seizing the power once and for all and make the aliance that has already being formed between Chávez, Morales and Correa grow?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3018643873832047677?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3018643873832047677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3018643873832047677' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3018643873832047677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3018643873832047677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/brief-resume-for-comming-pandemonium.html' title='A brief resume for the comming-pandemonium!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7101847695877409941</id><published>2009-08-20T13:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T19:53:51.930-07:00</updated><title type='text'>Marina Silva para a política brasileira: um super-trunfo para o Capital Global?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Saiu hoje, na folha, várias notas sobre a saída de Marina Silva do PT. E parece que já começam a emergir agitações a respeito do que sua possível eleição, ou apenas sua candidatura, representariam para a política nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que haja um certo consenso na esquerda a respeito do que a política governamental do PT representou para as lutas emancipatórias de esquerda no Brasil. Um grande amigo de Porto Alegre chegou até mesmo a levantar a hipótese de este fracasso estar vinculado às origens "trabalhistas" do PT que impossibilitariam-lhe de pensar as políticas emancipatórias que não estivessem diretamente ligadas com o trabalhismo, como as ecológicas, feministas ou, como é o caso de sua mais sincera angústia como criminólogo, da qual partilho, a questão do vagabundo, do criminoso. E que talvez, a candidatura de Marina Silva poderia ter sua importância precisamente pelo fato de ela representar a luta ecológica, vinculada a outras formas de lutas daquilo que meu amigo &lt;a href="http://www.somepills.blogspot.com/"&gt;Moisés &lt;/a&gt;chamou de esquerda não-trabalhista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partindo de pressupostos políticos diferentes, gostaria de levantar a hipótese de que o fracasso do PT se dá pelo fato de não assumir até o fim as consequências de se declarar "trabalhista" e que, neste sentido a candidatura de Marina Silva, sua própria figura política, não representa grande avanço no momento de crise em que vivemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O grande problema de assumir a democracia como horizonte último das lutas políticas é justamente a impossibilidade de &lt;em&gt;metaforizar&lt;/em&gt; as reinvindicações, de guardar no reclame político uma certa "transcendência" que revele um sentido de justiça maior, para além das coordenadas políticas vigentes e contra elas que determinam o significado real, pragmático, de justiça. Uma reinvindicação "trabalhista" como "redução das jornadas de trabalho" tem sua eficácia limitada, é claro, mas isto apenas se não lemos na mensagem um ideal de justiça maior, que reinvindique a própria forma pela qual a justiça é concebida politicamente. Caso contrário, não temos uma luta pela emancipação universal do homem, mas apenas a reinvindicação de direitos da classe trabalhadora por parte do sistema econômico e político vigente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que isto se aplica a absolutamente qualquer reinvindicação política. E não é este o principal problema das passeatas e protestos pela legalização da maconha? O que isto significa? Simplesmente a indignação de pessoas que gostariam de comprar maconha em qualquer farmácia, ou há aí um ideal de justiça implícito? Me parece que o que temos é a primeira opção, uma reinvindicação "não-metaforizada" e isto é mais fácil de perceber se perguntarmos, como criminólogos, o que seria feito com as pessoas que atualmente vivem do tráfico. O comércio da droga seria realizado por grandes empresas farmacêuticas, drogarias, etc, ou por aqueles que atualmente chamamos de traficantes? Não colocar esta discussão significa jogar mais gente (armada) na miséria absoluta, desprovidos da única forma de trabalho que lhe foi disponível até então.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A democracia, sobretudo em sua forma ocidental multiculturalista, favorece a políticas desmetaforizadas, políticas específicas ecológicas, feministas, étnicas, sexuais, etc, cada uma com uma agenda política diferente, mas que têm em comum o fato de que a democracia é a única forma de traduzir estas reinvindicações, não havendo um ponto em comum entre estas lutas que represente um ideal de justiça e política resistente à democracia e à dinâmica universal concreta do Capital Global. (Uma conseqüência deste efeito ideológico são os levantes de Paris em 2005: neste contexto, a única forma de "explodir" quando a experiência de justiça é insuportável, através de atos violentos que não reinvindicam absolutamente nada! É violência pela violência, ou, linguagem pela linguagem). Por isto a esquerda se enfraquece: o "trabalhismo" de Marx não significava apenas uma melhora para a condição dos trabalhadores tampouco significa ele um movimento político em detrimento daqueles que não estão incluídos no processo produtivo. O proletário, marxista, não é somente o operário, mas aqueles que são destituídos de suas próprias subjetividades se tornando cada vez menos sujeitos. O que temos portanto é uma metáfora para um ideal de justiça que transcenda a lógica dominante da política e da economia encontrando seu único ponto de antagonismo irreconciliável: a contradição capital-trabalho. Isto quer dizer que a contradição capital-trabalho corta todas as diferenças específicas e todas as lutas específicas. Não se confunde diretamente com elas, mas as sobredetermina. Em suma: o "trabalhismo" de Marx, não é simplesmente trabalhismo, mas &lt;em&gt;Comunismo&lt;/em&gt;. Tudo o que o "trabalhismo" petista não é, e não será jamais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;É exatamente esta falta de Causa comum e de metaforização das reinvindicações políticas que leva Zizek a afirmar em &lt;em&gt;Elogio da Intolerância&lt;/em&gt; que entre a direita reacionária e intolerante e o multiculturalismo liberal-democrata e tolerante, não existe diferença &lt;em&gt;real&lt;/em&gt;. Não que ambos sejam simplesmente a mesma coisa, mas a lógica de compromisso com a ideologia é a mesma, vista de pontos diferentes. Por essa lógica compartilhada é que é possível amálgamas entre multiculturalistas e reacionários, como é o caso do polítco holndês Pim Fortuyn que como diz Zizek, era "um populista de direita cujas características pessoais e (grande parte das) opiniões eram quase todas politicamente corretas: era gay, mantinha boas relações pessoais com muitos imigrantes,um senso inato para a ironia, e assim por diante - em resumo, era um bom liberal, tolerante com relação a tudo, menos a sua atitude política básica".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E não é uma figura muito similar que temos com Marina Silva? Duas coisas me deixaram bastante intrigados com a forma como se anunciou a possibilidade de sua candidatura: em primeiro lugar, uma manchete na revista &lt;em&gt;isto é&lt;/em&gt;, nenhum veículo de publicação muito esquerdista, falando com um certo entusiasmo na candidatura, e, hoje, um artigo da folha entitulado "Marina sai do partido e diz não ter mais ilusão". A &lt;em&gt;ilusão&lt;/em&gt; a que se refere o título é a afirmação de Marina de que não tem mais ilusão em relação a partidos políticos, ou seja: eles não funcionam mesmo! E isto ela diz precisamente ao afirmar sua filiação ao PV. Esta não é a atitude cínica liberal caricata? Como é possível num regime partidário um político anunciar sua filiação a um novo partido ao mesmo tempo em que afirma que isto não é uma atitude sincera, de que nenhum partido, nem aquele a que se está filiando, funciona? Esta atitude não é possível somente pelo cinismo? Após esta indagação, eis que leio um artigo de Kennedy Alencar que revela a postura multiculturalista da senadora Marina Silva, ecologista fervorosa, mulher, evangélica etc, porém enfatizando a forma como esta postura multiculturalista está perfeitamente alinhada com posições conservadoras: sua posição anti-aborto, sua ligação com a igreja católica &lt;em&gt;apesar de evangélica, etc. &lt;/em&gt;Claro que, se o modelo de conservador-multiculturalista foi Pim Fortuyn, a senadora talvez seja um pouco ou até bastante diferente. Mas no mínimo vemos a forma estranha de um multiculturalismo disposto a dialogar com as mais diversas culturas, desde que com ancoragem no conservadorismo de cada uma.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, o que presenciamos em tempos ideológicos estranhos como os que vivemos, é uma transformação na própria &lt;em&gt;forma&lt;/em&gt; do conservadorismo: a velha idéia de que um conservador é alguém preso a suas raízes, agarrado ao pedaço de terra em que nasceu, já é &lt;em&gt;out&lt;/em&gt;. Hoje, o conservador é aquele que está disposto a dialogar e a transitar em diversos campos culturais, grupos políticos etc, desde que enfatize sua posição realmente &lt;em&gt;conservadora&lt;/em&gt;: o engajamento plural da senadora Marina Silva é uma atitude neurótica obsessiva básica: engajamento, movimento, postura e pulso... para que nada mude!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se, como já disse nos últimos posts, a tendência política a partir desta crise é um amálgama político entre democracia e totalitarismo, a senadora Marina Silva não apresenta ameaça alguma à dinâmica destrutiva do Capital Global e, de fato, não há muitas esperanças de que em termos de política democrática interna, ela realizará qualquer mudança substancial. Cada vez mais a opção de Rosa Luxembrugo, bem lembrada por István Mészáros, se faz mais clara: "Socialismo ou Barbárie". Se nem o "trabalhismo" do PT teve condições de assumir o fardo e o desafio de seu tempo histórico, que dirá a Senadora Marina Silva.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7101847695877409941?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7101847695877409941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7101847695877409941' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7101847695877409941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7101847695877409941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/saiu-hoje-na-folha-varias-notas-sobre.html' title='Marina Silva para a política brasileira: um super-trunfo para o Capital Global?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-8993476037882962614</id><published>2009-08-17T16:11:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T16:45:38.691-07:00</updated><title type='text'>Já é hora de pensar!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda sociedade é um aglomerado mais ou menos complexo de indivíduos que coordenam ações e trabalho para seu desenvolvimento na história. Essa coordenação tem de ser feita a partir de um acordo, ainda que frágil ou ainda que implícito, de objetivos. E, obviamente, se estamos falando de objetivos, falamos de algo que todos, mais ou menos de comum acordo, &lt;i&gt;imaginam&lt;/i&gt; como possibilidade concreta de realização. A esta &lt;i&gt;imaginação&lt;/i&gt; social dos objetivos possíveis a serem alcançados, chamamos &lt;i&gt;ideologia.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marx chegou a definir a ideologia como uma ilusão que mascara a realidade. Esta afirmativa tem sentido em relação a seu tempo histórico e não é de todo equivocada. Mas Zizek, por outro lado, a partir da psicanálise, define ideologia como uma "fantasia que estrutura a realidade". Mas o que isto quer dizer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existe um mecanismo em funcionamento em toda a estrutura social que determina, no campo político, aquilo que é possível e aquilo que é impossível, algo que está em funcionamento no nosso imaginário, naquilo que podemos vislumbrar como possibilidade de futuro, e que determina as ações do político. Hoje, no capitalismo tardio, não necessitamos mais acreditar fielmente na democracia, mas a democracia funciona muito melhor a partir do momento em que não necessitamos afirmar nossa crença democrática explicitamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por democracia, aqui, quero dizer a &lt;i&gt;pura forma&lt;/i&gt; do Estado Democrático de Direito, ou seja, uma organização estatal pensada pela Razão histórica burguesa baseada na divisão dos poderes, na democracia representativa/eleitoral etc. e que já não guarda nenhuma semelhança com a democracia dos gregos antigos, por exemplo, e, é claro, tampouco guarda qualquer relação com uma idéia de democracia propriamente revolucionária, aquela que Vladimir Safatle define como uma Democracia verdadeiramente popular e que só guarda sentido quando podemos violar a lei e o estado em nome de algum ideal de justiça maior (que eu poderia acrescentar, com a devida licença, justiça &lt;i&gt;Revolucionária&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É importante frisar que hoje o discurso de Churchil, eminentemente cínico em relação à democracia, não é uma mera contingência, não é algo que "escapou sem querer" do discurso democrático ideológico: afirmar cinicamente que "a democracia não funciona mas é o único regime possível" faz parte do próprio funcionamento da democracia hoje! A democracia funciona muito bem enquanto ninguém acredita explicitamente nela, mas, nessa mesma descrença, todos afirmam a impossibilidade de ultrapassá-la historicamente, de &lt;i&gt;imaginar&lt;/i&gt; uma outra forma de organização do político que possa deixar para trás, como uma dentre muitas páginas da história do homem, o capitalismo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa forma, os indivíduos, hoje, agem de forma a aceitar &lt;i&gt;implicitamente&lt;/i&gt; os limites históricos da democracia. E esta impossibilidade de pensar algo além da &lt;i&gt;democracia formal&lt;/i&gt; (burguesa) é precisamente o que nos impede de ultrapassar a lógica do capitalismo que, se bem teve seu breve momento de florescimento (com o estado de bem-estar social que permitiu uma leve melhora qualitativa na vida dos trabalhadores, principalmente ou sobretudo na Europa) &lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt; funcionou na base da exploração do trabalho e, portanto, se a vida dos trabalhadores chegou a melhorar em algum momento, esta melhora necessariamente representou um enriquecimento muito mais significativo daqueles que &lt;i&gt;não trabalham&lt;/i&gt;: os capitalistas industriais ou financeiros, pouco importa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje vivemos uma crise do capitalismo que terá necessariamente duas consequencias: em primeiro lugar a impossibilidade de &lt;i&gt;qualquer&lt;/i&gt; melhora na vida dos trabalhadores, a partir de agora as condições do trabalho só tendem a piorar e o índice de desemprego demonstra isto; em segundo lugar o discurso democrático será paulatinamente substituído por um discurso totalitário light, com regulações estatais no âmbito do Estado Democrático de Direito para a exclusão fascista de imigrantes e marginalizados sociais (é esta tendência que a figura de Berlusconi representa).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como então encarar as mudanças profundas que vemos acontecendo no mundo hoje em relação à possibilidade de legitimação da democracia? O que estamos vendo é a fragmentação, a ruptura do discurso democrático em Honduras, Afeganistão, Colombia e nos próprios Estados Unidos, sem falar na recalcitrante política petista que, agora, representa mais um &lt;i&gt;atraso&lt;/i&gt; do que um terreno seguro para a emancipação do povo brasileiro e latino-americano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é o momento de repensarmos a possibilidade de tomarmos as rédeas da história novamente! E isto se dará quando conseguirmos dominar a força que nos impede de ir além da democracia e do capitalismo, para pensarmos uma sociedade que tome a máxima de Marx: "a verdadeira riqueza do homem é o tempo livre!". Tudo bem, reconhecemos o avanço histórico que representou o capitalismo em relação ao mundo medieval e antigo, mas agora, no momento em que temos a possibilidade de usar a energia nuclear para abastecer o mundo com energia por mais 100 anos, enquanto esta mesma energia é, em vez disso, disperdiçada com bombas que podem destruir o planeta por 6 vezes; Enquanto vemos as jornadas de trabalho aumentarem e a paranóia da produção just-in-time se expandir &lt;i&gt;ao mesmo tempo&lt;/i&gt; em que o desemprego aumenta (não seria melhor reduzir as horas de trabalho e empregar a todos?); enquanto vemos a possibilidade de uma catástrofe ecológica tendo plenas condições tecnológicas de reduzir o impacto da exploração predatória da natureza por parte do homem... enquanto tudo isto ocorre a maior prova que temos é que o capitalismo é &lt;i&gt;um empecilho para o desenvolvimento da tecnologia, &lt;/i&gt;e não sua causa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A oportunidade histórica é única: com esta crise do capital e do discurso democrático é fundamental começarmos a nos organizar em plano global para pensarmos estratégias de vitórias socialistas em todos os cantos do mundo. Não é possível que todos nós aceitemos a possibilidade de uma destruição do mundo pela dinâmica exploratória da natureza, mas não aceitemos a possibilidade (muito mais modesta, aliás) de destruição da dinâmica &lt;i&gt;bestial&lt;/i&gt; (para citar Che) do capitalismo de do imperialismo ianque. A história é nossa, mas as vezes ela aparece como algo autônomo, estranho, independente... por isso, perder uma oportunidade pode representar mais 100 ou 200 anos de trabalho intenso, desemprego intenso, genocídios em massa, políticas fascistas e guerras nucleares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hora de repetir a lição de Vandré, o Lenin da MPB: "os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente e a História na mão!"&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-8993476037882962614?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/8993476037882962614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=8993476037882962614' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8993476037882962614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8993476037882962614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/ja-e-hora-de-pensar.html' title='Já é hora de pensar!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7253328467509374764</id><published>2009-08-13T17:32:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T16:59:13.636-07:00</updated><title type='text'>Um breve resumo do pandemônio-por-vir!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São tempos estranhos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hugo Chávez publicou no site &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.cubadebate.cu/"&gt;Cubadebate&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://www.cubadebate.cu/"&gt; &lt;/a&gt;um &lt;a href="http://www.cubadebate.cu/hugo-chavez-frias/2009/08/02/las-lineas-de-chavez-ideas-y-milicias-%C2%A1que-creacion/"&gt;artigo&lt;/a&gt; com breve resumo sobre os últimos acontecimentos mais relevantes para a política latino-americana, cujo desfecho foi a polêmica instalação das novas bases militares na Colombia. A pergunta incisiva de Chavez foi "a quem os Estados Unidos e o presidente Uribe querem enganar dizendo que as bases militares na Colômbia não representam uma ameaça à Venezuela?".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns anos a pergunta poderia ser lida como um exagerado egocentrismo de Chávez. Mas e agora, pós-Honduras? O que todo o pensamento crítico sobre a ditadura-gorila de Honduras deve ter em mente é que o golpe não foi uma "armação" guiada por baixo dos panos de homens malévolos e sedentos por sangue! As coisas são realmente como aparentam: Obama é um cara legal! Fumava maconha (e tragava!) com os amigos da universidade. Suas intenções são realmente as melhores possíveis e, de fato, melhor ele do que o Bush. A questão não é essa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os desdobramentos da crise estrutural do capitalismo, que vêm ocorrendo desde a década de setenta quando o capitalismo atingiu seus limites materiais de expansão de mercado, quando se consolidou definitivamente sobre todo o globo, não podem ocorrer sem deixar aberta a grande fissura da democracia, a ideologia do capitalismo por excelência!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zizek, por exemplo, em sua palestra sobre seu último livro com John Milbank (&lt;i&gt;The Monstrosity of Christ)&lt;/i&gt;, por sinal uma das maiores obras de filosofia revolucionária do nosso tempo, comenta sobre o processo em que o governo norte-americano e o FED decidiram pela emissão de alguns porrilhões de dólares no sistema financeiro dos EUA. Quem acompanhou o processo desde o 15 de setembro do ano passado se lembra: a decisão de emissão desta quantidade irrepresentável de dinheiro foi, em princípio, vetada pelo congresso ianque. Logo em seguida, Bush, Obama e todas as figuras mais importantes da política do país se juntaram e "contornaram" a decisão do Congresso. Como Zizek afirma, a mensagem foi muito clara: "Nós não temos tempo pra brincar de democracia agora! Tem que ser feito e ponto final!". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isto e somente isto que etamos vendo em Honduras: "nós não temos temo de intervir em nome da democracia num país que só faz exportar bananas! Precisamos salvar a GM e cia!". (como afirmou Wallerstein, Honduras está entre as últimas prioridades da Casa Branca). Claro que o pequeno detalhe é que a guerra no Iraque em nome da democracia está ocorrendo ainda. Todo mundo sabe que os EUA não invadiram o Iraque &lt;i&gt;realmente&lt;/i&gt; em nome da democracia, contra a ditadura do Saddam (aquele que foi executado publicamente no youtube)... mas vá lá! Isto foi dito, ninguém conseguiu eficazmente protestar contra, a ONU provou, para desespero dos liberais mais honestos, que não serve pra nada, etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora estamos cada vez mais cientes de que o negócio é circulação e expansão do Capital mesmo! O que significam portanto as bases militares ao lado da Venezuela, o primeiro dos países latino-americanos a adotar uma postura abertamente anti-capitalista e anti-imperialista após a nossa "redemocratização"? Agora que pouco importa para o capitalismo legitimar-se sob a democracia ou sob uma ditadura reacionária qualquer, só mesmo o Lula para acreditar numa mera declaração de Uribe de garantir que as bases não agirão fora do território da Colombia. (Detalhe, estamos falando de dezenas ou centenas de caças que têm condições de ir da nascente do rio Amazonas até o oceano atlântico em vinte minutos). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, como já falei no último post, a direita americana quer ver o coro de Obama! Agora que Democracia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; Totalitarismo é uma oposição falsa até mesmo para o Capital, ou seja, ela se mostra como uma opção falsa não só para os marxistas-hegelianos mais atentos ao método dialético, mas mesmo para o o sistema econômico, "Democracia, direitos humanos, Ditadura, Militares no poder... tanto faz!". O que representaria, então, o assassinato de Obama? Com certeza ele não seria assassinado por um simples capricho de "racistas intolerantes do Tenessee". A direita não perderia jamais a oportunidade de colocar algum texano pior do que o Bush no poder. Um golpe de Estado aberto nos EUA... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na melhor das hipóteses o Obama renunciaria ao cargo, com a condição de que alguém muito pior tomasse seu lugar. Claro que "melhor" para o Obama: afinal, tal atitude daria uma aparência de legitimidade para esta transição de poder...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recapitulando: a Democracia não se agüenta em suas próprias pernas. Ditadura militar e postura resiliente de um lado e guerra no Iraque em nome da Democracia de outro. Instalação de bases mlitares na Colômbia ao lado do país mais significativo em termos de resistência política ao imperialismo e ao Capital na América-Latina. A possibilidade de um golpe de Estado (explícito) ULTRA-conservador nos EUA... A situação não indica, definitivamente, um futuro bom e seguro, ainda mais considerando que a crise é irreversível e que o estado de emergência previsto por Agamben, ironicamente começou a se manifestar na Itália com o Sr. Silvio Berlusconi, uma mistura de fascista com mafioso de filme de comédia: um amálgama entre Mussolini e Danny DeVito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho bom pensarmos no papel do Lula: enquanto Bush puxava as cordinhas da geo-política imperialista, Lula servia como mediador entre o presidente confederado e Hugo Chávez. Agora que temos o Obama (que, repito, é um cara bacana!) parece que o Lula está fazendo hora extra no cenário geo-político latino-americano.  Que tal pensarmos em tomar o poder de uma vez e crescer a aliança que já vem se formando com Evo, Chávez e Correa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 21px;font-size:12;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7253328467509374764?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7253328467509374764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7253328467509374764' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7253328467509374764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7253328467509374764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/um-breve-resumo-do-pandemonio-por-vir.html' title='Um breve resumo do pandemônio-por-vir!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3336788909696850900</id><published>2009-08-05T08:44:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T16:17:55.022-07:00</updated><title type='text'>Estilistas de Direita desenham o próximo paletó de Obama! (Um golpe de Estado Republicano nos EUA?)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vimos até agora, neste blog, duas previsões, no mínimo, pretensiosas: em primeiro lugar a notícia do possível craque do sistema financeiro global, prenunciada pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;João Batista&lt;/span&gt; da economia política marxista, Fernando Marcellino, e outra, talvez um pouco mais modesta, da possível passagem do presidente Obama "desta para uma melhor". (E ao contrário de John F. Kennedy, a morte de Obama pode ser facilmente imputada à KKK... não é perfeito para a direita ultra-conservadora americana (republicana)?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o breve período em que tenho acompanhado as notícias sobre honduras e a impossibilidade vindoura de sustentação do discurso democrático, o que chamei de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fim do fim da história&lt;/span&gt; ou a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;negação da negação&lt;/span&gt; dos ataques terroristas de 11 de setembro, bem como a abertura do embargo a cuba e o mais recente conflito na Ossétia do sul, mais um país da antiga URSS que vêm se debatendo pra se enquadrar na gramática política global chamada de Democracia (burguesa) o fato é que a situação de Obama está cada vez mais insustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vamos cair aqui no discurso de que a culpa seja, na verdade, do Bush... Creio que a culpa é o daquilo que Marx previu em seu Capital, livro 3, um processo de crise estrutural do capitalismo, de perda da representação simbólica do capitalista (um Marx que leu Lacan, quem sabe?) de reconfiguração da produção do lucro, sob o domínio do capital financeiro que nega a mediação da mercadoria para a produção de "mais dinheiro" e que, ao ser comentado há cerca de 2 anos atrás, parecia papo de maluco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, voltando à minha previsão, qual não foi minha surpresa quando vejo a notícia divulgada na "Daily Telegraph" do Reino Unido: &lt;a href="http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/usa/barackobama/5967942/Barack-Obama-faces-30-death-threats-a-day-stretching-US-Secret-Service.html"&gt;"Barack Obama faces 30 death threats a day, stretching US Secret Service"&lt;/a&gt; [Barack Obama enfrenta 30 ameaças de morte por dia, incrementando o Serviço Secreto Americano]. Segundo a notícia do tablóide britânico, as ameaças de morte, desde que Obama tomou posse, aumentaram 400 por cento em relação à média de 3000 (sim: três mil!) ameaças &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por ano&lt;/span&gt; contra o "pseudo-presidente" George W. Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para piorar a situação do Obama (mas melhorar a qualidade das minhas profecias) dentre as ameaças de morte, o Serviço Secreto americano identificou um complô de "racistas brancos do Tenessee" que planejavam matar quase cem pessoas antes de dar o tiro definitivo em Barack Obama... e assim, o golpe de Honduras poderá acontecer também nos EUA! (Quem sabe um golpe de Estado Republicano?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo demora até que os Berlusconi's subam ao poder no mundo todo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3336788909696850900?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3336788909696850900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3336788909696850900' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3336788909696850900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3336788909696850900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/vimos-ate-agora-neste-blog-duas.html' title='Estilistas de Direita desenham o próximo paletó de Obama! (Um golpe de Estado Republicano nos EUA?)'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7049962359790552751</id><published>2009-08-01T12:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T12:54:09.983-07:00</updated><title type='text'>Notas sobre o craque por vir (de Fernando Marcellino)</title><content type='html'>&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Post retirado do blog do Fernando Marcellino, &lt;a href="www.transhumano.blogspot.com"&gt;O Mundo Dentro de um Colapso Existencial.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Um comentário de Marx sobre o craque é interessantíssima. Com o desdobramento da crise financeira, “o processo se complica tanto – com a emissão de meros papagaios, ou com negócios de mercadorias destinados apenas a fabricar letras – que pode subsistir a aparência tranqüila de negócio sólido e de retornos fáceis de dinheiro, quando há muito tempo esses retornos na realidade só se fazem mediante fraude contra prestamistas ou contra produtores. Por isso, sempre às vésperas do craque, os negócios aparentam quase solidez extrema... Os negócios vão muito bem, reina a maior prosperidade, e de repente surge a catástrofe” (idem, p. 640, 641). Desde dia 17 de julho de 2009 não se iniciou esse processo que reluz a véspera do craque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dentes&lt;br /&gt;segura primavera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7049962359790552751?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7049962359790552751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7049962359790552751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7049962359790552751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7049962359790552751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/08/notas-sobre-o-craque-por-vir-de.html' title='Notas sobre o craque por vir (de Fernando Marcellino)'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6267600231312872603</id><published>2009-07-29T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T08:19:51.008-07:00</updated><title type='text'>A bomba de Osama estourou em Obama: uma visão geral sobre a crise e o caso Honduras!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último número da revista cult, tanto Slavoj Zizek quanto Vladimir Safatle se perguntam pelo destino da democracia nos anos que virão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crise do capitalismo é irreversível. Com isto não estamos querendo dizer que o capitalismo vai emperrar e ruir, de repente, de uma hora pra outra nos próximos anos... mas temos que ter em mente que: Sim! O capitalismo vai continuar se nada for feito. Mas, ao mesmo tempo, não será possível prever a custa do que o capital atenderá seus imperativos existnciais de acumulação e expansão. Não é esta a principal pataquada do pensamento neo-keynesiano? Claro que a alternativa keynesiana "funcionou" nos tempos que seguiram à crise de 29... Mas o que é claro para qualquer liberal-tolerante mais ou menos honesto, é que a recuperação subsequente permitiu ao capitalismo se expandir geo-politicamente, atingindo áreas em que o capitalismo ainda não havia chegado e permitindo assim a criação de novos mercados. Hoje, faremos o que? Conquistar mercados na lua ou em marte (diga-se de passagem, este era o imaginário ideológico-hollywoodiano dos anos 60!)? E considerando que a dinâmica do capitalismo é pulsional, circulando em torno de si mesma, sem objetivos, Capitalismo só existe enquanto acumulação para expansão, expansão para mais acumulação, e assim por diante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de agora, o capitalismo propulsiona sua dinâmica destrutiva: tudo o que não for valor direto, tudo o que for &lt;span style="font-style: italic;"&gt;antivalor&lt;/span&gt; é excluído. Acabou: educação, saúde, previdência social, direitos trabalhistas... algo vai mudar drasticamente neste campo (e em todo o mundo) entre os anos de 2010 e 2020... isto se não contarmos com a previsão de Fernando Marcellino sobre a completa derrocada do sistema financeiro mundial em setembro deste ano (daqui dois meses).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a discussão de Zizek e Safatle: qual o modelo de maior crescimento econômico no mundo contemporâneo? Não seria o Estado Chinês? O Estado do Capital perfeito: o Estado só funciona para incentivar a produção de mercadorias de um lado e descer o sarrafo nos trabalhadores de outro, sem a menor &lt;span style="font-style: italic;"&gt;interferência&lt;/span&gt; da democracia e dos democratas sensíveis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com esta reflexão que devemos olhar para o caso Honduras. E o fato de Honduras representar um papel muito modesto frente à dinâmica do capital global, ao contrário, só deve nos alertar para a monstruosidade do problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Evento em que um presidente liberal-democrata (não um comunista radical) resolve realizar mudanças mínimas na constituição do país que garantisse maiores direitos democráticos aos seus cidadãos e uma aliança bastante modesta com a Venezuela e Chávez, para conseguir petróleo mais barato e contrabalancear o poder que os Estados Unidos exercem sobre a região desde os tempos em que Honduras era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;literalmente&lt;/span&gt; uma república das bananas (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Todas&lt;/span&gt; as grandes empresas de plantio e colheita de bananas em honduras durante o fim do século XIX e início do século XX eram norte-americanas, sem falar na repressão à greve geral dos trabalhadores destas empresas que foi reprimida não pela polícia hondurenha mas sim pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;marinha norte-americana&lt;/span&gt;) sobretudo quando estamos diante do primeiro golpe militar na américa latina desde o fim da guerra fria deixa claro o problema: a democracia (assim como o capitalismo) pela primeira vez se defronta com ela mesma! Ela é insustentável não por culpa do SOREX (socialismo realmente existente), Krushev, Stalin, Fidel, Cháves ou qualquer personificação do inimigo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;externo&lt;/span&gt; que perturba a ordem harmônica do bom senso capitalista e democrata: a democracia é um empecilho para o capitalismo a partir de agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste sentido parece que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a bomba de Osama estourou em Obama!&lt;/span&gt;... o que fica claro da postura norte-americana, ainda que Bush e Obama tenham programas políticos levemente diferentes (acho que a maior diferença não é em termos de programas políticos, mas de inteligência mesmo!), é a inconsistência em relação ao discurso proclamado aos quatro cantos do mundo de que a invasão do iraque foi em nome da democracia (como instituição supra-capitalismo, acima das questões mundanas do mundo econômico) e a atual postura arredia dos Estados Unidos frente à Ditadura Gorila de Honduras! Como disse Immanuel Wallerstein em artigo à folha: o problema de Honduras está nas últimas posições das prioridades de Obama e da política nacional e internacional norte-americana! Ou: com a crise hoje, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Democracia&lt;/span&gt; está nos últimos lugares da lista de prioridades do Imperialismo Norte-Americano! Zelaya passeia de um canto a outro do mundo, conversa com Hillary Clinton, conversa com sindicalistas da américa central, pede por mais pressão política contra o governo golpista de Micheletti, compra um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jipe&lt;/span&gt; para voltar ao poder dirigindo... e nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama provou ao mundo que é impossível ser liberal-democrata hoje! E Zizek tem razão quando afirma: só a esquerda radical, somente nós comunistas, podemos salvar o mínimo de democracia que temos hoje! Não me espantaria que Obama não aguentasse a pressão e saísse de cena até o fim de 2010! Claro que me refiro não ao caso de Honduras isoladamente, mas a série de problemas com os quais Barack Obama se defrontou nestes poucos meses de governo, a crescente insatisfação do povo norte-americano com suas políticas, a incapacidade de ser liberal e democrata como um todo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o prognóstico Zizekiano de que em breve veremos Berlusconi's no poder em todos os países do mundo ocidental, em Honduras ela já começou a se concretizar - só que um Berlusconi latino-americano teria que vestir uma farda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vemos nestes eventos é nada mais nada menos que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fim do fim da história&lt;/span&gt;. Se os eventos de 11 de setembro demonstraram que a democracia, após suas 2 décadas de livre desenvolvimento pós-moderno, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não&lt;/span&gt; era a fórmula definitiva, é agora com a crise, e com a pressão que um evento político tão insignificante para o capitalismo global, mas tão significante para a manutenção do discurso legitimador liberal-democrata, agora podemos ler o desfecho, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;negação da negação&lt;/span&gt; dos atentados talibãs!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6267600231312872603?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6267600231312872603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6267600231312872603' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6267600231312872603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6267600231312872603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/07/bomba-de-osama-estourou-em-obama-uma.html' title='A bomba de Osama estourou em Obama: uma visão geral sobre a crise e o caso Honduras!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1668840161851132343</id><published>2009-07-12T00:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-12T00:42:50.650-07:00</updated><title type='text'>O que significa ser um revolucionário hoje?</title><content type='html'>Aqui, somos mais uma vez presenteados pelo maior filósofo vivo do mundo, Slavoj Zizek, com mais um tema crucial para os debates contemporâneos da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que significa ser um revolucionário hoje? (Palestra com Slavoj Zizek)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="500" height="315"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_GD69Cc20rw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_GD69Cc20rw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="315"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1668840161851132343?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1668840161851132343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1668840161851132343' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1668840161851132343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1668840161851132343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/07/what-does-it-mean-to-be-revolutionary.html' title='O que significa ser um revolucionário hoje?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7775438896276420498</id><published>2009-07-06T07:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T08:24:31.190-07:00</updated><title type='text'>Nossa "Democracia" latino-americana.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo a tese de Meszáros, o imperialismo hoje se dá na forma da estratégia política e militar dos Estados Unidos que cumprem em si a função de Estado do Capital transnacional, estabelecendo militarmente as condições de desenvolvimento e expansão do capital multinacional nos diversos países que não se adequem aos imperativos existenciais do capitalismo global.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que este argumento, por si só, derruba todo o sonho liberal-democrata de uma instituição supra-nacional que consiga apaziguar e pacificar os conflitos inter-estatais que decorrem dessa dinâmica contraditória do capitalismo. Não é por menos que os Estados Unidos não titubearam em passar por cima de todos os conselhos da ONU em relação à invasão do Iraque em nome da "Democracia", donde, mais uma vez, fica claro que "Democracia" e "Totalitarismo" são dois lados de uma mesma moeda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora, nossa direita latino-americana, aquela que tem fetiche por homens de farda, resolveu se dar o Direito de também passar por cima das recomendações da ONU. O Site da &lt;a href="http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/39-noticia/1001-honduras-prepara-se-golpe-de-estado"&gt;Fundação Lauro Campos  &lt;/a&gt;tem mais informações a respeito dos recentes episódios em  Honduras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas parece a primeira vez em muito tempo que uma ditadura militar de direita tão escancaradamente se impõe sob a américa latina, um verdadeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Golpe de Estado&lt;/span&gt; (não uma revolução, como no Evento cubano).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar das inúmeras manifestações do povo de Honduras para que o presidente eleito democraticamente, o Sr. Manuel Zelaya retorne ao poder, o exército vêm reprimindo violentamente o povo hondurenho além de, na manhã de 5 de julho, ontem, ter bloqueado a pista do Aeroporto internacional de Honduras para impedir a aterrisagem do presidente Zelaya.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corbisier nos escreveu certa vez que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revolução dos Cravos&lt;/span&gt; em Portugal nos provou que é possível &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser militar sem ser fascista&lt;/span&gt;. O que será necessário para manter esta afirmação viva hoje? Parece que de tempos em tempos nossa querida América Latina e sua democracia são tomada por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gorilas fardados &lt;/span&gt;e enquanto isso, os liberais "mais sóbrios" continuam a exigir mais democracia e regulação e defendem os direitos humanos como remédio para estes arroubos totalitários... Como se não houvesse a menor causalidade histórica entre a dinâmica de expansão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;absolutamente necessária&lt;/span&gt; para a manutenção do capitalismo, e as ditaduras militares de direita que de tempos em tempos brotam dos bueiros latino-americanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para dar uma última palavra: lembro-me da piada do sujeito que vai ao Canadá para caçar ursos. Num ano ele vai, mata um urso e um outro urso maior ainda o "enraba". No outro ano, movido por desejo de vingança, o sujeito encontra o urso pederasta e o mata. Logo em seguida, um amigo do urso aparece e obriga o sujeito a repetir o ato do ano passado. E assim durante alguns anos... até que um dia um Urso, maior de todos, pergunta-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala sério... Você não vem aqui pra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caçar&lt;/span&gt; ursos mesmo, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em relação ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fetiche por&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homens de farda&lt;/span&gt;, não podemos dizer o mesmo dos liberais sóbrios que protestam contra os reitarados golpes militares fascistóides da América Latina com pedidos de regulação, mais democracia e mais Direitos Humanos? Eles não estão aqui para defender os Direitos Humanos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mesmo&lt;/span&gt;, né?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7775438896276420498?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7775438896276420498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7775438896276420498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7775438896276420498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7775438896276420498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/07/nossa-democracia-latino-americana.html' title='Nossa &quot;Democracia&quot; latino-americana.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1922630349361130871</id><published>2009-07-04T21:44:00.001-07:00</published><updated>2009-07-04T21:46:44.411-07:00</updated><title type='text'>Trabalho sobre hegelianismo e a esquerda.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabei de concluir o esqueleto do meu artigo sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hegelianismo e esquerda hoje&lt;/span&gt;, fruto das questões que vinha postando (e possivelmente ainda postarei) aqui no blog. Já que ainda há muito trabalho pela frente, deixo aqui disponível o meu email para que os que tenham interesse possam me escrever, pedindo o artigo, para me responder com as devidas críticas e sugestões:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;chrysantho@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1922630349361130871?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1922630349361130871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1922630349361130871' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1922630349361130871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1922630349361130871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/07/trabalho-sobre-hegelianismo-e-esquerda.html' title='Trabalho sobre hegelianismo e a esquerda.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-14308305559209265</id><published>2009-06-26T16:25:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T16:48:41.571-07:00</updated><title type='text'>Porque Democracia é Ditadura?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em vista de algumas críticas construtivas que recebi em relação aos últimos posts, resolvi abrir um pouco mais a idéia de que Democracia é Ditadura. Peço inclusive que quem tiver alguma dúvida em relação aos meus textos, façam perguntas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que "Democracia é Ditadura" não significa que não há absolutamente nenhuma diferença entre o governo Lula, por exemplo, e o governo militar que os Gorilas e cães de guarda da reação implantaram no Brasil de 64 a 85. Sim, há diferenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto do raciocínio hegeliano seria, antes, o seguinte: se o entendimento é poder de limitação e de fixação, dando independência e identidade a termos opostos e a razão, por outro lado, é a identidade da contradição, a identificação de que um termo é a verdade do outro, o que temos é uma forma de encarar o movimento, o desenvolvimento de um certo conceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Identidade e independência de termos opostos, neste sentido, significa que termos como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Democracia&lt;/span&gt; de um lado, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Totalitarismo&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ditadura&lt;/span&gt; de outro, são postos como coisas diferentes (e de fato o são, em princípio, sempre!) mas além de diferentes, Independentes entre si: Democracia, assim, poderia existir independentemente de totalitarismo e vice-versa, como termos opostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que significa, então, dizer que Democracia é Ditadura se, como acabei de afirmar, são duas coisas diferentes sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa a perceber é que, quando digo "A verdade da democracia é a ditadura", a palavra verdade tem de ser compreendida de forma um pouco diferente da noção mais comum do termo: não é possível opor Democracia e Ditadura como simples "mentira e verdade", ou seja, não é que, no fundo, todo regime democrático é uma máscara para uma conspiração obscura que tenta desenrolar a estrutura específica do Estado de forma ditatorial, por debaixo dos panos, sem que nós, cidadãos comuns, percebamos este processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é, isso sim, aquela entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pensar&lt;/span&gt; (relacionada à razão) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entender&lt;/span&gt; (relacionado obviamente ao Entendimento). Neste sentido é que podemos interpretar o polêmico artigo de Roland Corbisier, chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que a direita não pensa?&lt;/span&gt;: como o próprio Corbisier afirma, não significa que todos os liberais e conservadores sejam simplesmente burros. Mas, se pensar é apreender a realidade no pensamento, e se, para Hegel, não é só o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;método&lt;/span&gt; que é dialético e, portanto, contraditório, mas também a realidade, o mundo natural e histórico, que são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;também e principalmente&lt;/span&gt; dialéticos e contraditórios, logo: pensar é apreender no pensamento a contradição inerente à realidade, entendida aqui como o objeto sobre o qual se debruça para conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido temos duas formas de nos debruçar sobre a democracia: pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entendimento&lt;/span&gt; de forma que não conseguiremos entender o que, na Democracia, é sua contradição inerente; ou pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Razão&lt;/span&gt; quando conseguimos entender que a Democracia possui um termo oposto a ela e que, quando aparecem um de frente para o outro, os dois são pegos num movimento de auto-propulsão que possibilita o desenvolvimento da Democracia, de um lado (sua "sofisticaria" como diria Hegel, isto é, a complexificação de suas instituições, de sua idéia, de seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;conceito&lt;/span&gt;) e da sua oposição, do outro, que também retornará, sempre, como uma espécie de "retorno do recalcado", que possibilitará (e esta será sua única função) o desenvolvimento do Conceito de Democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, optar por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Democracia&lt;/span&gt; ou por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ditadura&lt;/span&gt; é, necessariamente, uma opção falsa: estamos diante de dois termos que não são independentes, que necessitam um do outro para se desenvolver como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;conceito&lt;/span&gt; e, é claro, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;realidade concreta&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da USP: sim, é claro que a intervenção policial na USP não significa que há uma manipulação, por detrás da máscara democrática, e que, quiçá, os Militares estão no poder até hoje, sem que percebamos, escolhendo, movendo as cordinhas da nossa realidade política, definindo de antemão quem ganhará ou perderá as eleições etc etc. Seria paranóia demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Democracia se desenvolverá a partir deste &lt;span style="font-style: italic;"&gt;excesso totalitário&lt;/span&gt; que surgiu no evento trágico da USP: qualquer que seja a solução dada, dentro dos limites do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entendimento Político Democrático&lt;/span&gt; (pensemos em alguma lei para punir policiais sem identificação ou uma outra lei/decreto etc que regule mais especificamente a entrada de policiais nas Universidades) darão um salto dentro dos limites do desenvolvimento democrático apenas para que, num outro momento, sabe-se lá quando ou onde, outro excesso totalitário reapareça, com a função de que a Democracia se desenvolva, ou seja, se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;movimente&lt;/span&gt;. Porque, afinal, dialética é movimento e movimento é contradição (estar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; não-estar ao mesmo tempo; ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; não-ser ao mesmo tempo; etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Democracia é Ditadura&lt;/span&gt; é simplesmente capturar, pelo pensamento, a contradição aparentemente independente da democracia, seu Outro, para perceber como este Outro não é simplesmente algo que surge, simplesmente, do nada, de uma inconsistência específica da Democracia e que pode ser sanada por ela: a exceção é o que sustenta a idéia, no sentido de que seu aparecimento é funcional na medida em que é este confronto do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conceito&lt;/span&gt; com seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Excesso&lt;/span&gt;, seu Outro, que dispara o gatilho do movimento de auto-propulsão do conceito.&lt;span style="display: block;" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;span class="" style="display: block;" id="formatbar_JustifyFull" title="Justificar" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 13);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="img/blank.gif" alt="Justificar" class="gl_align_full" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-14308305559209265?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/14308305559209265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=14308305559209265' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/14308305559209265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/14308305559209265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/06/porque-democracia-e-ditadura.html' title='Porque Democracia é Ditadura?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4350830038712212032</id><published>2009-06-17T06:27:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T07:00:36.413-07:00</updated><title type='text'>Democracia é Ditadura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um exemplo claro de como a verdade da Democracia é a Ditadura, pode ser encontrado nos últimos acontecimentos na USP que têm sido pouco divulgados pela mídia e, quando o são, o ar de "neutralidade" perpassa todas as reportagens. De forma nojenta eu diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das poucas reportagens que vi, e não na televisão, por sinal, mas no youtube, mostra uma jornalista afirmando "Segundo os estudantes..." [corte para um estudante contando que a política teria entrado violentamente para reprimir as manifestações]; "já segundo os policiais" [corte para um sargento da PM afirmando que a PM estava lá "pacificamente" e que foram os estudantes que começaram com as agressões de forma que a Política Militar de São Paulo teve que se defender].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Polícia, como coorporação, se defende de alguma coisa? Tudo bem: o policial, o sujeito, o homem que veste uma farda e ganha a vida como policial, este se defende. Mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a coorporação&lt;/span&gt;  se defende de alguma coisa? Quer dizer que a Polícia Militar de São Paulo estava passando pelo campus da USP, como quem não quer nada, visitando a Universidade, quando começaram a sofrer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bulling&lt;/span&gt; dos estudantes malvados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que o argumento de neutralidade da jornalista tenha sido lançado de boa fé, a prova &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cabal&lt;/span&gt; de que os policiais NÃO ESTÃO NA USP COM BOAS INTENÇÕES está no fato de estarem quase todos sem identificação nas fardas [Inclusive, o que é muito mais grave, os oficiais]!!!! Isto demonstra que os policiais estão ali para fazerem algo de errado. ESTA É A ORDEM QUE RECEBERAM, e não um acidente de percurso que pode ocorrer. Quem quer que tenha ordenado a invasão do campus da USP deu ordens para que se executassem atos ilegais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448657.jpg" alt="" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448658.jpg" alt="" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448659.jpg" alt="" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448660.jpg" alt="" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448661.jpg" alt="" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448662.jpg" alt="" width="400" border="0" height="600" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448663.jpg" alt="objeto repressor não identificado" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as ações da PM de São Paulo ali são ações proto-fascistas desde a origem, desde a ordem que recebeu o batalhão. Por isso, essas imagens a seguir não são meros acidentes de percurso, eventualidades que surgiram do confronto com estudantes insandescidos. A PM de São Paulo está lá para isto mesmo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;.   &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448643.jpg" alt="." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448644.jpg" alt="." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448648.jpg" alt="... e o meganha sai atirando contra o corredor do crusp" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.   &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448647.jpg" alt="entrincheirados na Reitoria. O comandante aponta..." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448653.jpg" alt="... dessa vez muito pior..." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448654.jpg" alt="foram atiradas bombas dentro do prédio da Geografia/" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;foram atiradas bombas dentro do prédio da Geografia/ &lt;/p&gt;  &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448655.jpg" alt="menina sai carregada rumo ao HU após passar mal com o gás lacrimogênio" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448629.jpg" alt="." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448627.jpg" alt="." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448628.jpg" alt="." width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.   &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448630.jpg" alt="" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ataque ao carro de som do sindicato dos Professores da USP, foco principal das "ações" da PM:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448631.jpg" alt="ataque ao caminhão de som do Sintusp" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;ataque ao caminhão de som do Sintusp &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448632.jpg" alt="ataque ao caminhão de som do Sintusp" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;ataque ao caminhão de som do Sintusp &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;img src="http://brasil.indymedia.org/images/2009/06/448633.jpg" alt="ataque ao caminhão de som do Sintusp" width="600" border="0" height="400" /&gt;&lt;br /&gt;ataque ao caminhão de som do Sintus.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que estas imagens deixaram um pouco mais claro o que meus estudos sobre hegelianismo quiseram dizer com DEMOCRACIA É DITADURA!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todas as imagens estão divulgadas em&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448626.shtml" target="_blank"&gt;http://www.midiaindependente.&lt;wbr&gt;org/pt/blue/2009/06/448626.&lt;wbr&gt;shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448641.shtml" target="_blank"&gt;http://www.midiaindependente.&lt;wbr&gt;org/pt/blue/2009/06/448641.&lt;wbr&gt;shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448656.shtml" target="_blank"&gt;http://www.midiaindependente.&lt;wbr&gt;org/pt/blue/2009/06/448656.&lt;wbr&gt;shtml&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448656.shtml" target="_blank"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4350830038712212032?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4350830038712212032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4350830038712212032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4350830038712212032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4350830038712212032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/06/democracia-e-ditadura.html' title='Democracia é Ditadura'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6545559568121757508</id><published>2009-06-12T14:26:00.000-07:00</published><updated>2009-06-12T14:51:59.171-07:00</updated><title type='text'>Entendimento Político e Identidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já discutimos no último post o que seria o conceito de Entendimento Político como fixação dos termos opostos do antagonismo social como princípio de identificação. E chegamos até mesmo a vincular este princípio de identificação com a forma com que a democracia, hoje, se utiliza do discurso de "novas identidades" para se legitimar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que parece necessário, entretanto, é desdobrar esta relação de forma um pouco mais complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hegel nos aponta que o saber em geral está ligado a uma relação específica entre o Eu e um objeto determinado, relação esta chamada por ele de consciência. E é Creston Davis quem afirma que, para Hegel, antes de tudo existe a relação. Mas como devemos ler esta afirmação de Davis? A resposta parece ser a mais óbvia: de forma literal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, antes de tudo, aqui significa antes de tudo mesmo, antes inclusive do próprio Eu e do próprio objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hegel afirma que a consciência (relação Eu-objeto) se manifesta de várias formas conforme são as variações do objeto e do sujeito que se debruça sobre ele. Por isso, afirma também que o saber em geral (ao menos em sua época) se preocupava apenas com o objeto sem levar em conta o próprio saber e a própria subjetividade: "Ora, tudo o que é dado no saber não se reduz ao objeto: contém também  o Eu que sabe, e a relação recíproca entre o Eu e o objeto: a consciência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, Hegel derivará - como era de se esperar - 3 momentos da manifestação da consciência: em primeiro lugar, a relação simples entre o Eu e um objeto exterior, a consciência em geral; em segundo lugar a relação entre Eu e Eu, a consciência de si &lt;span style="font-style: italic;"&gt;simples&lt;/span&gt;; e finalmente a consciência de uma realidade objetiva que, entretanto, pertence ao próprio Eu: o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ttermos gráficos, o que temos é uma relação: a) Eu - objeto; b) Eu - Eu; c) Eu - (Eu - Eu). Esta última é a consciência de si &lt;span style="font-style: italic;"&gt;para &lt;/span&gt;uma consciência de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fundamental aqui é perceber que, da impossibilidade de um sujeito conhecer objetivamente uma realidade exterior, passa-se para o saber sobre sua própria subjetividade. Este processo, entretatno, não é suficiente e é igualmente impossível. Tudo, até agora, é mediado pelo entendimento. E o conhecer sobre a subjetividade e sobre o Eu, torna este Eu e esta subjetividade um objeto igualmente impossível de ser conhecido. O raciocínio aqui é a incompassibilidade entre os dois Eu's da relação Eu - Eu. O primeiro Eu é o ser que conhece e o segundo Eu é um mero objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro passo, ou a síntese, é a passagem para o saber sobre esta própria relação: como eu posso me debruçar sobre um objeto, como surge a consciência, de que maneira ela é mediada. No gráfico "Eu - (Eu - Eu)", vemos a consciência de si colocada como objeto, ou seja, o objeto é tanto o Eu que conhece quanto o objeto, nas palavras de Hegel. É isto que permite a emergência do espírito como um mero Eu = Eu desprovido de conteúdo: em outras palavras, uma vez que o objeto é sempre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;outra coisa&lt;/span&gt;, porque sua aparência é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;enganadora&lt;/span&gt;, por ser mediada pelo entendimento, esta "consciência de si para uma consciência de si" é o que permite à consciência se identificar diretamente com esta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;outra coisa&lt;/span&gt;, uma vez que seu objeto já é a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;relação &lt;/span&gt;entre Eu e Eu, as duas formas assimétricas do Eu (o Eu que conhece e o Eu objeto) de forma que esta relação surja imediada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída pós-moderna, mais uma vez, parece ser o mais fácil: "já que não podemos conhecer nada de forma objetiva, devemos nos voltar para nossa relação com nosso 'Eu interior'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos políticos: "já que não podemos saber a verdade sobre o capitalismo e a Democracia, já que não podemos saber qual a alternativa perfeita ao capitalismo e à Democracia, a saída é conhecer nossas necessidades interiores ou "locais" , dentro de cada um dos múltiplos movimentos em que se fragmentou a esquerda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a afirmativa hegeliana de que o saber se preocupa com a relação entre o Eu e o objeto é historicamente equivocada: hoje, o saber se volta cada vez mais para a relação entre o Eu e o Eu (interior).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que fica no ar é: esta relação é objetiva/não mediada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única saída, portanto, parece ser a síntese dos movimentos para a pergunta: de que forma experimentamos tanto o mundo exterior quanto a minha própria subjetividade/identidade como realidades imediatas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, se a questão da subjetividade emerge da "percepção" de que o objetivo não é acessível, também outro momento deve surgir desta impossibilidade de acesso ao subjetivo: donde o questionamento e a conseqüente superação da mediação que me permite experimentar minha identidade como algo natural ou imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso contrário estamos somente reproduzindo o Entendimento Político Democrata e abrindo portas ao desenvolvimento irrestrito do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6545559568121757508?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6545559568121757508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6545559568121757508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6545559568121757508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6545559568121757508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/06/entendimento-politico-e-identidade.html' title='Entendimento Político e Identidade'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1100433106499837953</id><published>2009-06-08T10:31:00.000-07:00</published><updated>2009-06-08T11:09:16.019-07:00</updated><title type='text'>O Conceito de Entendimento Político</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Hegel, ao contrário da noção vulgar que se tem de seu pensamento, o Absoluto não é a reconciliação harmônica das contradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há alguma "reconciliação" no Absoluto, esta é, pura e simplesmente, a idéia de que o Absoluto é a própria contradição, e ela vive, como tal, no Absoluto. Por isso a máxima hegeliana: "não há nada no céu e na terra que não contenha o ser e o nada". O Absoluto, entã, é a contradição última: aquela entre ser (o conceito mais abrangente) e o nada (o conceito menos abrangente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, a Razão é, diretamente, a contradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oposto à Razão está o Entendimento como poder de limitação e princípio de identidade. O Entendimento é a contradição não como Unidade, tal qual se realiza no Absoluto, na Razão, mas a contradição como termos opostos e fixados como independentes um do outro e existentes em si mesmo, e por isso, idênticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é o que aproxima o Entendimento da lógica do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;masculino&lt;/span&gt; em Lacan: uma idéia apoiada na exclusão de sua exceção, na contradição da idéia posta fora da própria idéia e não dentro dela, como na Razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entendimento Político&lt;/span&gt;&lt;span&gt;, portanto, diz respeito a uma ordem política dada, ou antes à sua manifestação como ideologia, que se apóia na exclusão radical daquilo que lhe nega. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entendimento Político &lt;/span&gt;contemporâneo é a Democracia que, como tal, só se sustenta e se desenvolve pela absoluta exclusão de seu oposto: O Totalitarismo. E o procedimento lógico e racional é identificar diretamente esta contradição como Unidade: Democracia é Totalitarismo. Como todo Entendimento Político, ele é o poder de limitação de uma dada operacionalidade política que fixa os termos opostos do antagonismo social como termos independentes e existentes em si mesmos sendo, portanto, princípio de identidade/identificação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é atoa que Kojin Karatani, em sua interpretação de Marx, afirma que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Democracia é a Ditadura da burguesia &lt;/span&gt;sob a forma do sufrágio universal: nele todos os indivíduos podem se fazer representar politicamente anulando, assim, as relações de classe que se manifestam na esfera da produção. Neste sistema, o indivíduo só é livre mediante eleições que suspendem as contradições reais de classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;E não é a toa, também, que a Democracia, hoje, fale tanto em identidades, sbretudo por meio da sua maior agência ideológica no plano teórico: A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teoria da Sociedade do Risco&lt;/span&gt;. Se há identidades opostas no mundo, elas não são independentes, caso contrário, não haveria movimento dialético no mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;O que a crítica de esquerda deve fazer, portanto, é tentar achar na contradição das mútliplas identidades e naquilo que podem opor umas as outras uma Unidade no seio da própria contradição, de forma que se possa identificar o momento sintético destas Unidades em relação ao Uno do Entendimento político que se instaura na ordem do Caos e da contingência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isto que permite a Zizek em sua aula &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Reality of the Virtual&lt;/span&gt; aproximar a diferença entre Esquerda e Direita como a diferença sexual no edifício teórico lacaniano: uma diferença que pré-existe aos próprios termos a que se refere, de forma que não é possível falar da diferença (ou de seu pretenso desaparecimento) senão por um dos termos. E é claro que se a idéia que se pauta na exclusão de sua exceção é a lógica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;masculina&lt;/span&gt;, necessariamente, esta é a postura identificada com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt; comum às posturas conservadoras e liberais. Por outro lado, dar cabo da contradição como gênese ontológica da idéia é a postura &lt;span style="font-style: italic;"&gt;feminina &lt;/span&gt;identificada diretamente com a esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;A Esquerda, hoje, necessita deste processo dialético, do qual parece ter se distanciado nestes últimos anos, em busca da superação do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entendimento Político&lt;/span&gt; que, enquanto se desenvolva como tal, é Morto e estéril, incapaz de articular o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-senso&lt;/span&gt; de onde se criam suas próprias contradições no seio de seus movimentos particularizados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1100433106499837953?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1100433106499837953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1100433106499837953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1100433106499837953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1100433106499837953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/06/o-conceito-de-entendimento-politico.html' title='O Conceito de Entendimento Político'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-5374728387645228058</id><published>2009-06-04T12:34:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T13:13:08.643-07:00</updated><title type='text'>Hegel, Lacan e Deleuze: Razão, Não-todo e Aion, na defesa do Socialismo.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coincidêcia dos opostos, em Hegel, decorre do fato de que tudo procede da Razão. Ou antes, o que é bem diferente, que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não há nada que não proceda da razão&lt;/span&gt;. Logo, uma idéia negada por uma particularidade, por exemplo a propriedade negada pelo roubo, não pode supor que o rouobo é o irracional que nega o racional "propriedade". Se ambos devem proceder da Razão, logo ambos estão subordinados a ela e coonstituem apenas um momento particular da Razão que é histórica, historicamente construída. Assim, ambos são capiturados num só momento: a famosa frase proudhoniana em seu insight hegeliano, "a propriedade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é&lt;/span&gt; um roubo", ou seja, o roubo, como antítese da propriedade constitui sua própria verdade, a verdade da propriedade é que ela é sua antítese, o roubo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que, para Zizek, a síntese é a antítese no sentido de que, na síntese, percebe-se que a antítese é a verdade da tese e que esta última, a Tese, não é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Razão&lt;/span&gt;, mas apenas um momento do desenvolvimento dela (o que em si já joga pra escanteio o argumento de que Hegel seria um Metafísico ou um Idealista insandecido que pensava que a Verdade ou a Razão fosse algo transcendental perfeitamente acabado: Não! A Razão é construída na passagem de uma concepção de Razão para outra concepção de Razão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que a Razão é construída pelo Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se algo é não-todo em Hegel, esse algo é a própria Razão, o que por definição, portanto, não pode ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;totalitária&lt;/span&gt; pois, se algo é irracional numa concepção determinada de Razão, isto significa que é esta concepção em si que não é racional. Isto é precisamente o que aproxima a Razão em Hegel do Aion deleuziano: o ponto aleatório em que todas as singularidades determinadas formam uma "totalidade" ou, colocando em termos mais claros e precisos: é precisamente isto que o Aion não é, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todo&lt;/span&gt;, mas sim um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-todo&lt;/span&gt; no sentido lacaniano, daquilo que não exclui sua exceção, mas que comporta precisamente sua exceção como a surpresa que permite a abertura eterna do sistema para se desenvolver historicamente sempre como um vir-a-ser ou devenir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica claro, portanto, que a razão em Hegel é não-todam se constrói a si mesma, como razão, através da atuação do Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o entendimento é o que nega a razão, a possibilidade, portanto, de simbolizar o Real lacaniano (que é nada mais nada menos do que a natureza em termos hegelianos) e esta possibilidade, diga-se, é a própria Razão Absoluta, como devenir, ser e nada. O que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todo &lt;/span&gt;em Hegel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, nas palavras do próprio Hegel, o Entendimento é o poder de fixação que liga o homem ao absoluto e que fixa justamente as oposições como coisas absolutamente independentes, este é o Todo em Hegel, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o masculino &lt;/span&gt;em Lacan, como algo que se fixa só e somente só pela exclusão daquilo que lhe nega, pela exclusão de sua exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Entendimento hegeliano, não pode ser aproximado, desta forma, da cadeia S1-S2 em Lacan?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, é claro que o Entendimento pode se desenvolver ao infinito, como inclusão de novos significantes S2 que se articulam somente em relação à inscrição prévia do S1, do significante-mestre. Mas o ato da Razão como "abertura do conceito" que recolhe em si o antagonismo, não é a troca do próprio S1, na medida em que seu antagonismo lhe é inerente, o próprio antagonismo que existe entre o S1 e o lugar de sua inscrição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que queremos dizer exatamente com esta noção de troca? O processo de "travessia da fantasia" é aquele em que, identificando-se com o sintoma, o sujeito pode encarar o S1, o nome do pai que lhe constitui como sujeito, como produto de sua própria "escolha" (com a ressalva a ser feita de que as aspas nesta expressão dizem respeito ao cuidado de não entender &lt;span style="font-style: italic;"&gt;escolha&lt;/span&gt;  como simples &lt;span style="font-style: italic;"&gt;livre arbítrio.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A troca &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;se dá, portanto, não quando se consegue inserir novos significantes S2 na cadeia (a mudança não é quantitativa), mas quando se consegue articular diretamente o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-senso&lt;/span&gt; do S1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-senso&lt;/span&gt; é o Aion e, portanto, a Razão. Neste sentido, no plano político, não se trata de inserir novos institutos para o desenvolvimento da democracia (o significante-mestre do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entendimento &lt;/span&gt;político contemporâneo, mas articular seu próprio não-senso, trazer para ela sua própria negação: igualdade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é &lt;/span&gt;desigualdade; tolerância &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é&lt;/span&gt; intolerância; propriedade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é&lt;/span&gt; roubo e, finalmente Democracia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é &lt;/span&gt;Ditadura e Totalitarismo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolver a Democracia e seus institutos é negar a Razão e a ética, tanto hegeliana quanto estóica, que está ligada ao aparecimento do não-senso do Aion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a dialética comporta o momento negativo, o de desaparecimento da fixação imposta pelo entendimento e um momento positivo em que a Razão aparece como sua forma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aiôntica&lt;/span&gt; de eterno devir, esta positivação é necessariamente a negação da Democracia (e do capitalismo que, lembramos, também pode se desenvolver ao infinito) cuja única forma posta até agora foi o Socialismo como negação da negação do capitalismo e o Comunismo como abertura &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não-toda&lt;/span&gt; da Razão política-social. (E a única forma porque, até agora, todas as alternativas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;terceira via&lt;/span&gt; a la Anthony Giddens se mostraram ser somente uma forma colorida de capitalismo e Democracia).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-5374728387645228058?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/5374728387645228058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=5374728387645228058' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/5374728387645228058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/5374728387645228058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/06/hegel-lacan-e-deleuze-razao-nao-todo-e.html' title='Hegel, Lacan e Deleuze: Razão, Não-todo e Aion, na defesa do Socialismo.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4533532999315477405</id><published>2009-05-31T13:56:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T20:37:42.917-07:00</updated><title type='text'>Elogio à Verdade!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O último livro de Slavoj Zizek e John Milbank, publicado neste ano de 2009, chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Monstrosity of Christ &lt;/span&gt;[A monstruosidade de Cristo], está inaugurando um novo tema de discussão da filosofia honestamente crítica de hoje: aquela ligada ao edifício teórico marxista sem a necessidade de 'ter de admitir que a luta acabou', como soi acontecer neste esquerda apática que olha diante das catástrofes sociais, ambientais e políticas com cara de "pintura barroca".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creston Davis, que escreve a introdução do livro, é enfático: hoje, Hegel foi subitamente excluído das discussões políticas, filosóficas e acadêmicas por ser de pronto criticado por sua "pretensão à verdade" e seu pensamento "totalitário", sendo amplamente defendida a ingênua idéia de que micro lutas ridículas dentro de sua especifidade autista são mais do que suficientes para conquistar a emancipação humana ou para derrotar o capitalismo. Ninguém se preocupa em denominadores comuns e em combater o capital global e sua verdade democrática também em termos de Verdade. As únicas verdades que imperam são a verdade pulsional do capitalismo e seus imperativos existenciais, para citar Fernando Marcellino, e a verdade cínica da Democracia que sabe ela própria que não funciona, mas... nos abre sempre um sorriso diante das contradições auto-resolvidas de seu sistema político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que este recalque de Hegel impõe é uma preguiça intelectual de tentar responder à pergunta mais básica da filosofia: não "existe ou não a verdade?", mas sim "o que queremos dizer quando pronunciamos a palavra Verdade?". Dessa preguiça intelectual é que decorrem as mais ridículas críticas a Hegel: "um serzinho que teve a pretensão de achar que pode conhecer o Universo em seu caráter absoluto"; "um intelectual totalitário que pensa que pode montar um sistema mais completo do que os outros sistemas de outros intelectuais que nas suas singularidades são tão importantes para o pensamento quanto ele"; sem falar nas inúmeras críticas a Hegel que miram somente em suas concepções específicas de Direito, Estado, Sociedade Civil, mas que em nada põem em cheque o projeto de seu sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estas críticas excluem as principais intuições de Hegel: em primeiro lugar não existe o Absoluto como os críticos mais apressados costumam apontar: o absoluto não é a reconciliação das oposições, o absoluto é a oposição mais radical de todas, elevada às útlimas consequências, donde se descobre que as oposições fixadas pelo entendimento não são independentes, mas que uma está contida na outra, já na idéia. Não que Estado seja a idéia perfeita de um Estado harmônico conciliador dos interesses da sociedade civil e as aplicações concretas da idéia de Estado, os Estados concretos sejam o antagonismo concreto que impossibilita a idéia, mas, ao contrário, é a idéia de Estado que é a contradição absoluta enquanto as tentativas concretas de aplicá-la é que são sempre fracassadas tentativas de tentar resolver a contradição última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, síntese é antítese em seu estado puro! O que ocorre na passagem de uma para outra é uma mudança mínima em que se percebe que a síntese já é a antítese, na medida em que é a antítese a verdadeira forma da Tese, que é a Idéia e que, portanto, contém em si uma ruptura que a impossibilita de totalizar-se: o absoluto é sempre outro para ele mesmo, e não só para nós, humanos conscientes. Esta passagem é que permite ao Espírito Subjetivo retirar-se da determinação do Espírito Objetivo no aspecto ilusório em que se apresenta, como reificado, para que ele (Espírito Subjetivo) perceba que é possível a concepção de outro espaço em que se dará o desenvolvimento do Entendimento, em que não faça mais sentido a oposição anteriormente dada sob a forma de Tese-Antítese, como se fossem duas coisas independentes e mutuamente excludentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é relevante nesta segunda idéia é que a síntese é o processo da contingência, da criação de um ato ou Evento que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;somente retrospectivamente&lt;/span&gt; é que criará a necessidade de seu surgimento, suas condições ou pressupostos. A dialética hegeliana é retrospectiva. Esta é a dialética da necessidade e da contingência e, sendo que em termos hegelianos é sempre necessária a discussão a respeito de qual dos campos opostos (no caso necessidade vs contingência) é o domínio inconsistente em si que se exterioriza na forma da oposição, nesse caso o domínio é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sempre&lt;/span&gt; a contingência. Como pergunta Zizek: "mas a dialética em si, não é necessária?": sim, mas somente enquanto esta necessidade é criada retrospectivamente em vista da pura contingência da emergência de um ato ou acontecimento impulsionado pelo Espírito, sendo esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espírito&lt;/span&gt; aquele aspecto do homem que não se reduz a sua natureza nem tampouco a suas determinações sócio-culturais. Algo que sempre escapa a elas, um "a mais" do homem, o que Lacan chamaria de objeto pequeno &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que temos neste vislumbre extremamente conciso da dialética hegeliana (tão conciso que quase chega ao ponto do ridículo) é precisamente que Hegel não constituiu um sistema Total. Ao contrário, é mais fácil pensar o sistema hegeliano como um não-todo. Não um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt; é explicado pela razão", mas um "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nem tudo&lt;/span&gt; é explicado pela razão", não no sentido de que algo do mundo natural ou cultural seja irracional, mas no sentido de que é a totalidade da razão e da causalidade é que são inconsistentes em si, e esta perspectiva é o que permite a aparência de surpresas e de milagres, e só com Hegel (e diria ainda, com o materialismo marxista posterior) é que podemos confrontar-nos racionalmente com esses milagres, como pontos de desafio à própria razão, posta em movimento pelo movimento de retirada do Espírito para si próprio (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aufhebung&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vemos aqui é como Hegel trás a negatividade para dentro do sistema. E Creston Davis está correto em afirmar que Hegel, de todos os grandes pensadores modernos, foi o primeiro a pensar um sistema racional que permite arriscar seus próprios pressupostos. A Verdade, portanto, é método, é negatividade e é fluxo. Donde não é possível pensar nada para além, nada excluído deste não-todo que é abertura. O que é que nega a dialética sem ser já encarnado no seu fluxo de negatividades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sentido da Verdade como movimento e fluxo é que deve ser o sentido da Verdade como Universalidade ofensiva contra a conclamada aporia do sistema econômico capitalista. Dialética como Verdade é, nada mais nada menos, do que a "tática de guerrilha do pensamento"!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4533532999315477405?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4533532999315477405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4533532999315477405' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4533532999315477405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4533532999315477405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/05/elogio-verdade.html' title='Elogio à Verdade!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-8252289483429552912</id><published>2009-05-15T08:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T00:28:18.799-07:00</updated><title type='text'>Uma outra brasileirização do mundo? (Ulrich Beck: filho de Yemanjá).</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É conhecido o argumento de Ulrich Beck de como as relações sociais, as formas de organização política e a instabilidade da economia e da sociedade teriam contribuído para uma certa "brazileirização do mundo" na medida em que o risco, a incerteza e a impossibilidade de ações políticas previsíveis e efetivas teriam se globalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Safatle em seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Cinismo e Falência da Crítica"&lt;/span&gt; aponta como a ordem do consumo pós-moderna está apoiada no desaparecimento da figura paterna e o surgimento de um Superego Materno que não mais ordena o ascetismo, mas o gozo! O Gozo do consumo, ligado à "administração da insatisfação" que permite, ou antes ordena, a todos que transgridam constantemente as normas, incorporem novas formas de subjetividade, erotizem a vida da forma mais criativa possível. A culpa hoje está relacionada não mais em desejar ou realizar algo reprimido... mas antes em não conseguir realizá-lo plenamente como nos ordena essa nova forma de superego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que falamos em superego materno, a antropóloga Rita Laura Segato em seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Édipo Brasileiro: dupla negação de gênero e raça&lt;/span&gt; demonstra como historicamente a família brasileira é composta por duas figuras maternas: a mãe biológica/legítima e a ama-de-leite que, nas origens do país, estava identificada com as escravas negras que atuavam no trabalho doméstico, dentro da casa grande, cuidando dos filhos dos grandes senhores. Com o tempo a figura da ama-de-leite começou a surgir também em famílias emergentes que não eram necessariamente donas de engenhos ou grandes latifúndios até se popularizar entre as classes média e surgir também, sob outras formas, nas classes mais pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este processo histórico é bastante complexo, alterando-se progressivamente inclusive a imagem desta ama-de-leite que passa, paulatinamente, a não mais amamentar os filhos das senhoras brancas, tornando-se as babás de hoje. O que importa, entretanto, é demonstrar como a formação cultural do brasileiro impõe uma figura materna duplicada: a da mãe negra (que tende a ser recalcada na formação psíquica da criança) e a da mãe branca (a única que pode ser reconhecida como mãe legítima pela criança).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é notar que esta mãe branca é que exerce, em relação à mãe negra, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;função paterna&lt;/span&gt; - e é Safatle, com Lacan, que salienta que, se decai a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;figura paterna&lt;/span&gt; nos tempos de hoje, isso não quer dizer, em absoluto, que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;função paterna&lt;/span&gt; também já não exista: ela é perfeitamente exercida pelo Superego Materno - na medida em que é ela a responsável em separar seu filho da ama-de-leite ou da babá de forma drástica e radical devendo esta última, de preferência, ser esquecida, jogada para "a outra cena" do aparelho psíquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita Laura Segato comenta ainda que este processo, embora muito retratado na literatura brasileira, aparece muito pouco nos estudos acadêmicos, de forma que não se analiza esta constituição de suma importância de um registro psicanalítico e antropológico da formação cultural brasileira. Entretanto existe um interessante registro deste fenômeno nas religiões afro-brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yemanjá, é considerada no candomblé, a mãe de todos os orixás, a representante das águas do mar. Oxum, por sua vez, é a mãe de criação, ou ama-de-leite dos orixás, representando a água doce dos rios e lagos.&lt;br /&gt;Yemanjá é a deusa da falsa ternura, da profundidade obscena dos oceanos, traiçoeira e pouco confiável, enquanto Oxum representa a ternura verdadeira, o carinho, a maternidade e a douçura. Segundo Segato, nas culturas afro-brasileiras as simpatias caem quase sempre ao lado de Oxum e não de Yemanjá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yemanjá, por sua vez, tinha dois filhos: Ogum e Xangô. O primeiro, disciplinado, honesto e trabalhador; o segundo, trapaceiro, indisciplinado e rebelde. Reza a lenda que no dia da coroação de Ogum, Xangô coloca sonífero no café do irmão - o café aparecendo em lendas religiosas em vez do vinho é motivo de orgulho! - para que Ogum adormeça e Xangô, disfarçado, seja coroado em seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim aconteceu: Xangô foi coroado no lugar do irmão pela mãe. Interessante é que, segundo a lenda, Yemanjá sabia que quem estava sendo coroado não era Ogum, mas o rebelde e traidor Xangô. Entretanto, para Yemanjá era mais interessante manter a ordem do reinado, ainda que coroasse o rei errado e de maneira injusta, do que deixar o reinado sem rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, entretanto, entre Oxum e Yemanjá as simpatias caem do lado de Oxum, a mãe de criação, em relação aos irmãos Ogum e Xangô, as simpatias caem do lado de Xangô, o rebelde e trapaceiro que, segundo Segato, talvez seja um registro cultural de um povo forçadamente lançado às margens da ilegalidade, aprendendo a viver, ou antes tendo sua imagem construída, como desrespeitosos transgressores da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será este exatamente o sentido do Superego Materno Pós-Moderno: uma instância que sustenta um reinado de transgressões, desordem, prazeres, múltiplas identidades, festas e carnavais, mas que esconde uma obscena rigidez que prefere a ordem à justiça? E se estamos realmente passando por um processo de "brasileirização do mundo" é antes por estarmos "exportando" esta forma obscena de injunção superegóica ao gozo, do que nosso 'gingado' ou 'malandragem' tropicais louvados por Caetano, Gil e outros tropicalistas, mas completamente dessubstancializado, esvaziado desta obscenidade oceânica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-8252289483429552912?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/8252289483429552912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=8252289483429552912' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8252289483429552912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8252289483429552912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/05/uma-outra-brasileirizacao-do-mundo.html' title='Uma outra brasileirização do mundo? (Ulrich Beck: filho de Yemanjá).'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3182340065572385441</id><published>2009-05-08T07:45:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T08:02:26.551-07:00</updated><title type='text'>Primeira consequência decorrente do nosso conceito de pós-modernidade.</title><content type='html'>Encontrada em Kierkegaard, eu seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Papers and Journals&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To me the difference between a writer who picks up his material from everywherer but doesn't work it into an organic whole and a writer who does is like that between mock turtle and real turtle. The meat of the real turtle tastes in some places like veal, in others like chicken, but all of it has been combined in one organism. You find all these different kinds of meat in mock turtle but what binds the separate parts is a sauce, which even so is often more sustaining than the jabber which stands in for it in much writing. (22 november 34 I A 32).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Tradução livre: "Para mim a diference entre um escritor que retira suas fontes de toda parte mas não se empenha em torná-las um todo organico e um escritor que o faz é como aquela entre uma 'mock turtle' [uma imitação de tartaruga] e uma tartaruga de verdade. A carna da tartaruga de verdade em algumas partes tem sabor de vitela, em outras de frango, mas tudo isso está combinado em um organismo. Você encontra todos esses diferentes tipos de carne numa tartaruga falsa, mas o que mantém juntas as diferentes partes é o molho, que ainda assim tem mais 'sustância' do que a tagarelice que o substitui em muitos escritos".]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mock_turtle_soup"&gt;Mock Turtle Soup&lt;/a&gt;: é uma cópia barata da sopa de tartaruga genuína em que se misturam carnes de diferentes animais com um molho grosseiro para imitar o sabor da sopa verdadeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3182340065572385441?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3182340065572385441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3182340065572385441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3182340065572385441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3182340065572385441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/05/primeira-consequencia-decorrente-do.html' title='Primeira consequência decorrente do nosso conceito de pós-modernidade.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4924576212680524463</id><published>2009-05-04T08:52:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T08:55:43.794-07:00</updated><title type='text'>Mészàros descarta keynesianismo e regulacionismo como saídas para a crise</title><content type='html'>[artigo publicado no &lt;a href="http://www.socialismo.org.br/portal/filosofia/154-entrevista/777-meszaros-descarta-keynesianismo-e-regulacionismo-como-saidas-para-a-crise"&gt;site do Psol&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;table class="contentpaneopen"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top"&gt;&lt;span class="small"&gt;Judith Orr e Patrick Ward  &lt;/span&gt;       &lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td class="createdate" valign="top"&gt;   Dom, 22 de fevereiro de 2009 12:28 &lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt; &lt;td valign="top"&gt; &lt;div style="float: left; width: 180px;" class="img_caption"&gt;&lt;img class="caption" src="http://farm4.static.flickr.com/3387/3300631804_59035bd0ce_m.jpg" alt="István Mészàros" title="István Mészàros" align="left" border="0" /&gt;&lt;p&gt;István Mészàros&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;Em 1971 István Mészàros ganhou o Prêmio Deutscher pelo seu livro &lt;strong&gt;A Teoria da Alienação em Marx&lt;/strong&gt;.  Em janeiro deste ano, ele conversou com Judith Orr e Patrick Ward, da &lt;strong&gt;Socialist Review&lt;/strong&gt;, sobre a atual crise econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Socialist Review &lt;/strong&gt;– A classe dominante sempre é surpreendida por crises econômicas e fala delas como se fossem aberrações. Por que você acha que as crises são inerentes ao capitalismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;István Mészàros&lt;/strong&gt; – Eu li recentemente Edmund Phelps, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 2006. Phelps é um tipo de neokeynesiano. Ele estava, é claro, glorificando o capitalismo e apresentando os problemas atuais como apenas um contratempo, dizendo que “tudo o que devemos fazer é trazer de volta as idéias keynesianas e a regulação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Maynard Keynes acreditava que o capitalismo era ideal, mas queria regulação. Phelps estava reproduzindo a idéia grotesca de que o sistema é como um compositor musical. Ele pode ter alguns dias de folga nos quais não pode produzir tão bem, mas se você olhar no todo verá que ele é maravilhoso! Pense apenas em Mozart – ele deve ter tido o velho e esquisito dia ruim. Assim é o capitalismo em crise, como dias ruins de Mozart. Quem acredita nisso deveria ter sua cabeça examinada. Mas, no lugar de ter sua cabeça examinada, ele ganhou um prêmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nossos adversários têm esse nível de pensamento – o qual tem sido demonstrado, agora, ao longo de um período de 50 anos, não é apenas um escorregão acidental de economista vencedor de prêmio – poderíamos dizer, “alegre-se, esse é o nível baixo do nosso adversário”. Mas com esse tipo de concepção você termina no desastre de que temos experiência todos os dias. Nós afundamos numa dívida astronômica. As dívidas reais neste país (Inglaterra) devem ser contadas em trilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ponto importante é que eles vêm praticando orgias financeiras como resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo. Não é um acidente que a moeda tenha inundado de modo tão adventista o setor financeiro. A acumulação de capital não poderia funcionar adequadamente no âmbito da economia produtiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estamos falando da crise estrutural do sistema. Ela se estende por toda parte e viola nossa relação com a natureza, minando as condições fundamentais da sobrevivência humana. Por exemplo, de tempos em tempos anunciam algumas metas para diminuir a poluição. Temos até um ministro da energia e da mudança climática, que na verdade é um ministro do “lero lero”, porque nada faz além de anunciar uma meta. Só que essa meta nunca é sequer aproximada, quanto mais atingida. Isso é uma parte integral da crise estrutural do sistema e só soluções estruturais podem nos tirar desta situação terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SR&lt;/strong&gt; – Você descreveu os EUA como levando a cabo um imperialismo de cartão de crédito. O que você quer dizer com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IM&lt;/strong&gt; – Eu lembro do senador norte-americano George McGovern na guerra do Vietnã. Ele disse que os EUA tinham fugido da guerra do Vietnã num cartão de crédito. O recente endividamento dos EUA está azedando agora. Esse tipo de economia só avança enquanto o resto do mundo pode sustentar sua dívida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os EUA estão numa posição única porque têm sido o país dominante desde o acordo de Bretton Woods. É uma fantasia que uma solução neokeynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais. A dominação dos EUA que Bretton Woods formalizou imediatamente depois da Segunda Guerra era realista economicamente. A economia norte-americana estava numa posição muito mais poderosa do que qualquer outra economia do mundo. Ela estabeleceu todas as instituições econômicas internacionais vitais com base no privilégio dos EUA. O privilégio do dólar, o privilégio aproveitado pelo Fundo Monetário Internacional, pelas organizações comerciais, pelo Banco Mundial, todos completamente sob a dominação dos EUA, e ainda permanece assim hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode fazer de conta que isso não existe. Você não pode fantasiar reformas e regulações leves aqui e acolá. Imaginar que Barack Obama vai abandonar a posição dominante de que os EUA dispõe, nesse sentido – apoiada pela dominação militar – é um erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SR&lt;/strong&gt; – Karl Marx chamou a classe dominante de “bando de irmãos guerreiros”. Você acha que a classe dominante vai trabalhar junta, internacionalmente, para encontrar uma solução?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IM&lt;/strong&gt; – No passado o imperialismo envolveu muitos atores dominantes que asseguraram seus interesses mesmo às custas de duas horrendas guerras mundiais no século XX. Guerras parciais, não importa o quão horrendas são, não podem ser comparadas ao realinhamento do poder e da economia que seria produzido por uma nova guerra mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas imaginar uma nova guerra mundial é impossível. É claro que ainda há alguns lunáticos no campo militar que não negariam essa possibilidade. Mas isso significaria a destruição total da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de pensar as implicações disso para o sistema capitalista. Era uma lei fundamental do sistema que se uma força não pudesse ser assegurada pela dominação econômica você recorreria à guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imperialismo global hegemônico tem sido conquistado e operado com bastante sucesso desde a Segunda Guerra Mundial. Mas esse tipo de sistema é permanente? É concebível que nele não surjam contradições, no futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pistas vêm sendo dadas pela China de que esse tipo de dominação econômica não pode avançar indefinidamente. A China não será capaz de seguir financiando isso. As implicações e consequências para a China já são bastante significantes.  Deng Xiaoping uma vez disse que a cor do gato – seja ele capitalista ou socialista – não importa, desde que ele pegue o rato. Mas e se, no lugar da caçada feliz do rato se termine numa horrenda infestação de ratos de desemprego massivo? Isso está acontecendo agora na China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas coisas são inerentes nas contradições e antagonismos do sistema capitalista. Portanto, temos de pensar em resolvê-los de uma maneira radicalmente diferente, e a única maneira é uma genuína transformação socialista do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SR&lt;/strong&gt; - Não há em parte alguma do mundo econômico desacoplamento dessa situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IM&lt;/strong&gt;- Impossível! A globalização é uma condição necessária do desenvolvimento humano. Desde que o sistema capitalista se tornou claramente visível Marx teorizou isso. Martin Wolf, do Financial Times tem reclamado de que há muitos pequenos, insignificantes estados que causam problemas. Ele argumenta que seria preciso uma “integração jurisdicional”, em outras palavras, uma completa integração imperialista – um conceito fantasia. Trata-se de uma expressão das contradições e antagonismos insolúveis da globalização capitalista. A globalização é uma necessidade, mas a forma em que é exequível e sustentável é a de uma globalização socialista, com base nos princípios socialistas da igualdade substantiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que não haja desacoplamento na história do mundo, é concebível que isso não signifique que em toda fase, em todas as partes do mundo, haja uniformidade. Muitas coisas diferentes estão se desenvolvendo na América Latina, em comparação com a Europa, para não mencionar o que eu já assinalei sobre a China, o Sudeste Asiático e o Japão, que está mergulhado em problemas mais profundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos pensar no que aconteceu há pouco tempo. Quantos milagres tivemos no período do pós-guerra? O Milagre Alemão, o Milagre Brasileiro, o Milagre Japonês, o Milagre dos cinco Tigres Asiáticos? Engraçado que todos esses milagres tenham se convertido na mais terrível realidade prosaica. O denominador comum de todas essas realidades é o endividamento desastroso e a fraude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dirigente de um fundo hedge foi supostamente envolvido numa farsa envolvendo 50 bilhões de dólares. A General Motors e outras estavam pedindo ao governo norte-americano somente 14 bilhões de dólares. Que modesto! Eles deveriam ter dado 100 bilhões. Se um fundo hedge capitalista pode organizar uma suposta fraude de 50 bilhões, eles devem chegar a todos os fundos possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sistema que opera nesse modo moralmente podre não pode provavelmente sobreviver, porque é incontrolável. As pessoas chegam a admitir que não sabem como isso funciona. A solução não é desesperar-se, mas controlá-lo em nome da responsabilidade social e de uma radical transformação da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SR&lt;/strong&gt; – A tendência inerente do capitalismo é exigir dos trabalhadores o máximo possível, e isso é claramente o que os governos estão tentando fazer na Grã Bretanha e nos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IM&lt;/strong&gt; – A única coisa que eles podem fazer é advogar pelos [cortes] dos salários dos trabalhadores. A razão principal pela qual o Senado recusou a injetar 14 bilhões de dólares nas três maiores companhias de automóveis é que não puderam obter acordo sobre a drástica redução dos salários. Pense no efeito disso e nos tipos de obrigações que esses trabalhadores têm – por exemplo, repagando pesadas hipotecas. Pedir-lhes que simplesmente passem a receber metade de seus salários geraria outros tipos de problemas na economia – de novo, a contradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capital e contradições são inseparáveis. Temos de ir além das manifestações superficiais dessas contradições, [às] suas raízes. Você consegue manipulá-las aqui e ali, mas elas voltarão como uma vingança.  Contradições não podem ser jogadas para debaixo do tapete indefinidamente, porque o carpete, agora, está se tornando uma montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SR&lt;/strong&gt; – Você estudou com Georg Lukács, um marxista que retomou o período da Revolução Russa e foi além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IM&lt;/strong&gt; – Eu trabalhei com Lukács sete anos, antes de deixar a Hungria em 1956, e nos tornamos amigos muito próximos até a sua morte, em 1971.  Sempre nos olhamos nos olhos – é por isso que eu queria estudar com ele.  Então aconteceu que quando eu cheguei para estudar com ele, ele estava sendo feroz e abertamente atacado, em público.  Eu não aguentei aquilo e o defendi, o que levou a todos os tipos de complicações.  Logo que deixei a Hungria, fui designado seu sucessor, na universidade, ensinando estética.  A razão pela qual deixei o país foi precisamente porque estava convencido de que o que estava acontecendo era uma variedade de problemas muito fundamentais que o sistema não poderia resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tentei formular e examinar esses problemas em meus livros, desde então. Em particular em “A Teoria da Alienação em Marx” e “Para Além do Capital” (*).  Lukács costumava dizer, com bastante razão, que sem estratégia não se pode ter tática. Sem uma perspectiva estratégica desses problemas você não pode ter soluções do dia-a-dia. Então eu tentei analisar esses problemas consistentemente, porque eles não podem ser simplesmente tratados no nível de um artigo que apenas relata o que está acontecendo hoje, ainda que haja uma grande tentação em fazê-lo. No lugar disso, deve ser apresentada uma perspectiva histórica. Eu venho publicando desde que meu primeiro ensaio justamente substancial foi publicado, em 1950, num periódico literário na Hungria, e eu tenho trabalhado tanto como posso, desde então. À medida de nossos modestos meios, damos nossa contribuição em direção à mudança. Isso é o que tenho tentado fazer ao longo de toda minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SR&lt;/strong&gt;- O que você pensa das possibilidades de mudança neste momento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IM&lt;/strong&gt; – Os socialistas são os últimos a minimizar as dificuldades de solução.  Os apologistas do capital, sejam eles neokeynesianos ou o que quer que sejam, podem produzir todos os tipos de soluções simplistas.  Eu não penso que podemos considerar a crise atual simplesmente da maneira que o fizemos no passado.  A crise atual é profunda.  O diretor substituto do Banco da Inglaterra admitiu que esta é a maior crise econômica na história da humanidade.  Eu apenas acrescentaria que esta não é apenas a maior crise na história humana, mas a maior crise em todos os sentidos.  Crises econômicas não podem ser separadas do resto do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fraude e a dominação do capital e a exploração da classe trabalhadora não podem continuar para sempre.  Os produtores não podem ser postos constantemente e para sempre sob controle.  Marx argumenta que os capitalistas são simplesmente personificações do capital.  Não são agentes livres; estão executando imperativos do sistema.  Então, o problema da humanidade não é simplesmente vencer um bando de capitalistas.  Pôr simplesmente um tipo de personificação do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminaríamos com a restauração do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas que a sociedade está enfrentando não surgiram apenas nos últimos anos.  Cedo ou tarde isso tem de ser resolvido e não, como o vencedor do Prêmio Nobel deve fantasiar, no interior da estrutura do sistema. A única solução possível é encontrar a reprodução social com base no controle dos produtores. Essa sempre foi a idéia do socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós alcançamos os limites históricos da capacidade do capital controlar a sociedade.  Eu não quero dizer apenas bancos e instituições financeiras, ainda que eles não possam controlá-las, mas o resto.  Quando as coisas dão errado ninguém é responsável.  De tempos em tempos os políticos dizem “Eu aceito total responsabilidade”, e o que acontece?  Eles são glorificados. A única alternativa exequível é a classe trabalhadora, que é a produtora de tudo o que é necessário em nossa vida.  Por que eles não deveriam controlar o que produzem?  Eu sempre enfatizei em todos os livros que dizer não é relativamente fácil, mas temos de encontrar a dimensão positiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;István Mészàros&lt;/strong&gt; é o autor do recentemente publicado “The challenge and burden of Historical Time”, “Os Desafios e o Fardo do Tempo Histórico”, publicado no Brasil pela Boitempo Editorial, 2007.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Ambos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução de Fabiana Peixoto&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4924576212680524463?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4924576212680524463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4924576212680524463' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4924576212680524463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4924576212680524463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/05/meszaros-descarta-keynesianismo-e.html' title='Mészàros descarta keynesianismo e regulacionismo como saídas para a crise'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm4.static.flickr.com/3387/3300631804_59035bd0ce_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1449534980430227921</id><published>2009-03-24T21:12:00.001-07:00</published><updated>2009-03-24T21:14:50.951-07:00</updated><title type='text'>À Itália, mais uma vez!</title><content type='html'>Esta é a genuína comemoração de um Evento. Algo que faltava há muito, mas que finalmente, para a supresa mais que agradável de todos, surgiu: o Blog do Katraka (Tiago Costella)!&lt;br /&gt;Mais uma pérola do legado cultural ítalo-brasileiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perigo! Não entrem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.hipersurrealidade.blogspot.com/"&gt;Hipersurrealidade&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1449534980430227921?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1449534980430227921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1449534980430227921' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1449534980430227921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1449534980430227921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/03/italia-mais-uma-vez.html' title='À Itália, mais uma vez!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-2832741823900869429</id><published>2009-03-19T07:02:00.000-07:00</published><updated>2009-03-19T07:04:21.447-07:00</updated><title type='text'>A Pós-Modernidade, um conceito.</title><content type='html'>Pós-modernidade é a afirmação de que tudo está em crise, para que se possa misturar, de maneira irresponsável, várias áreas do saber, com o único objetivo de dizer que o marxismo é ultrapassado sem soar conservador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-2832741823900869429?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/2832741823900869429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=2832741823900869429' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2832741823900869429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/2832741823900869429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/03/pos-modernidade-um-conceito.html' title='A Pós-Modernidade, um conceito.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6220945219930263104</id><published>2009-03-03T13:25:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T14:35:39.924-08:00</updated><title type='text'>A Juó Bananere. Sua agonia é o seu triunfo!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando penso no legado da cultura italiana não posso deixar de lembrar 3 fenômenos que maracaram minha vida: a história de Sacco e Vanzetti, anarquistas italianos condenados a morte por um crime que não cometeram (uma das mais conhecidas injustiças da justiça norte-americana que foi para as telas do cinema sob direção de Giuliano Montaldo); o cinema neo-realista, paixão de adolescência, e as músicas do nosso saudoso Adoniran Barbosa (diga-se de passagem meu sambista preferido!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos começar falando do cinema neo-realista. Mas antes, melhor falar um pouco sobre uma pontinha da literatura neo-realista, ou melhor, de sua concepção. No prefário a "A trilha dos ninhos de aranha", Ítalo Calvino põe como o grande problema da literatura neo-realista "como transformar em obra literária aquele mundo que para nós era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o &lt;/span&gt;mundo", uma vez que, no momento em que se punha a escrever a obra, no momento de surgimento da literatura neo-realista italiana, a "escola" neo-realista era ainda a "verde vontade de fazer literatura". Pois bem, com o cinema neo-realista o mesmo não parece imperativo? Fazer cinema neo-realista não é simplesmente a "verde vontade de fazer cinema" passando pela dificuldade de transformar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o &lt;/span&gt;mundo em lingüagem cinematográfica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito embora, um certo filósofo por quem tenho até mesmo um certo apreço (não... idolatria jamais!) tenha dito que cinema neo-realista é coisa de intelectuais degenerados enquanto a maior contribuição italiana para o cinema tenha sido os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;western-spaguettis&lt;/span&gt; e as comédias eróticas da década de setenta, não podemos deixar de nos deparar com o fato de que estes estilos sejam, nada mais nada menos, do que um certo amadurecimento direto daquela "vontade verde de fazer cinema".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a dificuldade em traduzir o mundo em linguagem literária/cinematográfica... o que dizer a respeito? É ainda Calvino que, em todo o prefácio a sua obra, em 1964, fala recorrentemente desta dificuldade e do remorso que sente em não conseguir cumprir até o fim com seu objetivo: transformar a realidade em lingüagem literária sem passar por um naturalismo (uma profunda sensibilidade crítico-filosófica do autor, diga-se de passagem) e, portanto, engajando-se na "realidade objetiva" que pretende retratar. Podemos recorrer à psicanálise lacaniana para apontar que tal projeto é impossível por si só! Porém não podemos deixar de apontar que o próprio romancista é quem diz que, na descrição objetiva de personagens e cena, cai na descrição de "traços exacerbados e grotescos, caretas contorcidas, obscuros dramas visceral-coletivos" remontando ao expressionismo. Sendo zizekianos, não podemos arriscar a hipótese de que, no fim das contas, a diferença entre neo-realismo (italiano) e expressionismo (alemão) no cinema não constitui uma relação de Paralaxe? Uma diferença mínima de dois olhares sobre um mesmo objeto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a questão fundamental parece ser um certo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;insight&lt;/span&gt; Ético-político, de extrema atualidade, no mesmo prefácio do autor quando responde aos ataques dos mais conservadores a respeito da luta dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;partigiani&lt;/span&gt; na resistência italiana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mesmo nos que se lançaram na luta sem um motivo claro, agiu um impulso elementar de resgate humano, um impulso que os tornou cem mil vezes melhores que vocês, que fez com que se tranformassem em forças históricas ativas, que vocês jamais poderão sonhar ser!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a devida licença, gostaria somente de acrescentar que não é que "mesmo nos que se lançaram na luta sem motivo claro agiu um impulso elementar", ao contrário, acredito que neles o impulso elementar Revolucionário era mais autêntico do que nos que se engajaram na luta por um motivo explícito, mais ou menos individualista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Calvino conclui, a respeito daqueles que durante a luta, passavam de um lado para outro: "só a morte dava às suas escolhas uma marca irrevolgável".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui podemos nos debruçar sobre Sacco e Vanzetti. Sua história é a de dois anarquistas italianos, que viviam em Boston nos Estados Unidos no início do século XX. Num determinado momento, houve um assalto a mão armada em que alguns homens ricos da cidade acabaram mortos. Sem ter nada a ver com o fato, mas sendo privilegiadamente selecionáveis pelo sistema penal da época, Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, foram a julgamento pelo episódio. Ao perceber que sua defesa era completamente irrelevante, o advogado resolveu transformar todo o júri em um manifesto político, uma vez que os italianos já estavam condenados a morte desde o princípio. O mais marcante porém é o discurso dos dois às vésperas da execução quando, a respeito da mobilização que causaram em todo país nos meios intelectuais e proletários da época declararam: "Nossa agonia é o nosso triunfo"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta não é a ética revolucionária por excelência? A morte é que dá sentido a nossa Causa (para qualquer iniciado em psicanálise isto tem um nome: pulsão de morte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, tal passo não é suficiente. É preciso haver uma verdade para o sujeito revolucionário. Uma verdade maior do que ele, em nome da qual ele fale, a despeito de quaisquer idiossincrasias pessoais. É isto que Calvino tem em mente quando diz que, a respeito do remorso que sentia em não conseguir descrever a experiência revolucionária, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;outra coisa&lt;/span&gt;, nas minhas preocupações daquele tempo, era uma definição do que fora a guerra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;partigiana&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta outra coisa, justamente por ser Outra (acrescentamos um maiúsculo bastante lacaniano) e por ultrapassar a subjetividade, pode ser o ponto de identificação universal da verdade... algo que ultrapassa todos os indivíduos, mas que só pode ser acessado a partir de uma posição individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é isso que Calvino tem em mente quando explica que sua existência burguesa, como sensação de não-pertencimento à classe burguesa é exatamente a mesma existência do menino Pin, personagem do romance "A trilha dos ninhos de aranha" que não-se-pertence ao grupo dos garotos da mesma idade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este mesmo descompasse, indicador de Verdade, de uma Ética que ultrapassa a identificação com o rosto levinasiano, não é encontrado na vida de Juó Bananere? Descendente de portugueses que foi estudar engenharia em São Paulo e lá se defronta com os imigrantes (proletários) italianos, escrevendo poesias no dialeto deles e sobre a realidade deles? A questão não passa por quanto exatamente suas poesisas acessam a vida real daqueles imigrantes... antes, devemos procurar nesta identificação com um não-rosto, uma certa comicidade e uma certa tristeza. Entretanto, os poemas mais belos, tristes ou nostálgicos, não deixam de transbordar comicidade... E se a Ética revolucionária é a Ética com quem perdeu toda a dignidade para ser trágico, o passo cômico é o indicador da política revolucionária por excelência! A Ética com quem é inumano demais para ser trágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é sequer necessário dizer que nosso saudoso Adoniran Barbosa (ou João Rubinatto) é o neto de Juó Bananére: o samba cômico, que não-se-pertence como samba (pois nasceu no Bexiga) e que é uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;outra coisa&lt;/span&gt; (comum entre os operários, negros, italianos, etc.) que conviviam na mesma condição sócio-política em que foram jogados pela modernização do nosso país!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda esta ligação da bela tríade do legado cultural italiano para o Brasil, neo-realismo, Adoniran Barbosa e Juó Bananere, é necessário resgatar este poeta modernista pré-modernista, este italiano não-italiano, este que é um exemplo de uma alteridade multiculturalista Verdadeira, já que o Verdadeiro multiculturalismo é aquele que liga culturas através do ralo da pia, daquilo que perdeu toda a dignidade de ser trágico, e é a Verdade!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6220945219930263104?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6220945219930263104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6220945219930263104' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6220945219930263104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6220945219930263104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/03/juo-bananere-sua-agonia-e-o-seu-triunfo.html' title='A Juó Bananere. Sua agonia é o seu triunfo!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3028090207634397888</id><published>2009-02-28T23:16:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T06:09:13.714-08:00</updated><title type='text'>Vertigo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;... lá se vai mais uma fantasia&lt;br /&gt;que parte... com uma não-parte&lt;br /&gt;tangenciada pela fissura vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual um disco de acetato&lt;br /&gt;mal manuseado e escorregadio&lt;br /&gt;de escutar-se horas a fio&lt;br /&gt;Em rodas de pessoas de bom trato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai-se embora quebrado&lt;br /&gt;Mas reclamar, se na estante&lt;br /&gt;já estava mal apoiado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim do rompante!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3028090207634397888?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3028090207634397888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3028090207634397888' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3028090207634397888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3028090207634397888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/02/vertigo.html' title='Vertigo'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-981705316037360113</id><published>2009-02-08T19:34:00.000-08:00</published><updated>2009-02-08T22:09:10.530-08:00</updated><title type='text'>Carta aberta à flor e ao coração!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;And we laugh/ and we drink/ and we teach ourselves not to think/ we never did get it right/ now they've got it so low.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À pergunta: "o que se quer?" devemos responder que, talvez, esta seja a (uma das) maior(es) indagações filosóficas desde a Filosofia grega. Entretanto, porque deve o coração permanecer do lado oposto ao da flor?: esta talvez seja a indagação contemporânea por excelência.&lt;br /&gt;Não importa o quanto se possa beijar a lacuna que os separa, e fazer deste ato o ato livre! Há sempre algo que nos lembra de que, existe um corpo, um corpo que tem movimento e voz. E que, no fim, toda nossa impotência, talvez seja conceber, que este corpo não se reduz à sua voz, e que sua voz não se reduz ao seu corpo.&lt;br /&gt;Tempos de libertação, não são os que nos exaltam a indissociabilidade entre a flor e o coração. Mas aquele em que provaremos que esta mesma lacuna já pede em si uma síntese. E esta síntese é o risco!&lt;br /&gt;E se há risco não há certeza... Só a certeza do risco!&lt;br /&gt;A beleza desta mesma lacuna, é que ela é em si duas. A que faz o coração nascer da flor, e a flor do coração. A angústia é se aproximar demais daquilo que nos faz ter tanta certeza de que se tratam de duas coisas tão diferentes. E é preciso saborear, calmamente, com delicadeza, uma e outra... outra e uma, ainda que não se tenha pressa de fazer das duas uma.&lt;br /&gt;Há algo de culpado... mas em ter de obedecer, ou em ter de transgredir?&lt;br /&gt;E se respondermos que não se há de (necessariamente) obedecer, tanto quanto não se há de (necessariamente) transgredir?&lt;br /&gt;Tanto a flor quanto o coração são insuficientes e inconsistentes. Apoiemo-nos carinhosa e delicadamente sobre os dois e façamos deste ato a responsabilidade Ética.&lt;br /&gt;Desde que, se queremos sintetizar os dois, seja preciso ter muita segurança sobre o que deve florescer do quê... Qual dos termos é o campo Universal sobre o qual se planta a semente da luta? O coração, à esquerda, ou a flor, à direita?&lt;br /&gt;Indo mais adiante: de que lado está a Verdade? À esquerda ou à direita?&lt;br /&gt;Deixemos o corpo ser o apóstolo da Verdade.&lt;br /&gt;O dilema principal seja, talvez, o fato de que não há ganho nesta Ética, uma vez que o corpo fala em nome do Outro e não de si mesmo.&lt;br /&gt;Por isso a conduta Ética é um abraço tão apaixonante quanto sufocante; um olhar tão deslumbrante quanto subserviente; uma palavra tão esclarecedora quanto inexistente.&lt;br /&gt;Nossa Verdade (implícita) é o Amor e ele não se traduz, já que é o entrelaçamento de línguas que em si não se pertencem... Em vez de "o que se quer?" que tal perguntar: "o que fazer?"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-981705316037360113?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/981705316037360113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=981705316037360113' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/981705316037360113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/981705316037360113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/02/carta-aberta-rosa-e-ao-coracao.html' title='Carta aberta à flor e ao coração!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6308131183510551166</id><published>2009-01-31T06:50:00.000-08:00</published><updated>2009-01-31T06:52:16.357-08:00</updated><title type='text'>Divulgação da Entrevista de Slavoj Žižek no programa Roda Viva!</title><content type='html'>&lt;table class="textopadrao" width="100%" border="0" cellpadding="3" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="bottom" width="400"&gt;&lt;span class="textopadrao"&gt;&lt;b&gt;02/02/2009&lt;/b&gt; -                                       Gravado às 22h10                                      &lt;br /&gt;                  &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#cc3300;"&gt;SLAVOJ ŽIŽEK&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;                  &lt;span style="color:#cc3300;"&gt;Filósofo e Psicanalista&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;                 &lt;td valign="top"&gt;                                    &lt;br /&gt;&lt;/td&gt;               &lt;/tr&gt;             &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;             &lt;table width="100%" border="0" cellpadding="3" cellspacing="0"&gt;             &lt;/table&gt;            &lt;br /&gt;                         &lt;span class="textopadrao"&gt;Professor da Universidade de Lubliana, na Eslovênia, Diretor Internacional do Instituto de Humanidades da Universidade de Londres, Slavoj Žižek é um dos principais teóricos contemporâneos. Navega pelos mais variados cenários intelectuais. Da teoria social para a crítica da cultura, da teoria do cinema para o marxismo, a psicanálise, a política. Nome presente no debate sobre a desintegração dos estados socialistas e sobre o papel da esquerda no mundo atual, Žižek também aborda os dilemas que a globalização e a crise financeira colocam às pessoas e que tanto economistas quanto psicanalistas tentam decifrar. Provocativo, polêmico, Slavoj Žižek constrói um olhar e um pensamento diferente que o destaca na crítica da cultura contemporânia e na análise dos desafios políticos do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;                         &lt;span class="textopadrao"&gt;&lt;u&gt;Entrevistadores&lt;/u&gt;: Maria Rita Khel, psicanalista e escritora; Laura Greenhalgh, editora executiva dos cadernos Aliás e Cultura do jornal O Estado de S. Paulo; Emir Sader, sociólogo e Vladimir Safatle, professor do departamento de filosofia e do instituto de psicologia da Universidade de São Paulo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;                         &lt;span class="textopadrao"&gt;&lt;u&gt;Apresentação&lt;/u&gt;: Alexandre Machado&lt;/span&gt;                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;b&gt;Roda Viva&lt;/b&gt; é apresentado às  segundas a partir das 22h10.&lt;br /&gt;Você pode assist  ir on-line acessando o site no horário do programa.&lt;br /&gt;&lt;a name="SAWARN1d65j91" id="SAWARN1d65j91" original_name="" original_id="" real_href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva" rel="nofollow" href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva" target="_blank"&gt;http://www.tvcultura.com.br/&lt;wbr&gt;rodaviva&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6308131183510551166?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6308131183510551166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6308131183510551166' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6308131183510551166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6308131183510551166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/01/divulgacao-da-entrevista-de-slavoj.html' title='Divulgação da Entrevista de Slavoj Žižek no programa Roda Viva!'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3166805357279106567</id><published>2009-01-25T19:29:00.000-08:00</published><updated>2009-01-25T22:21:56.472-08:00</updated><title type='text'>Aplausos à quem, se não resta ninguém, se não presta ninguém?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha grande amiga e dissecadora de almas, Mariana Porto (nossa querida Marie) nos presenteou com uma crítica (in)direta sobre a produção intelectual de nossos estranhos tempos em seu blog &lt;a href="http://pingacombambu.blogspot.com/"&gt;Com açúcar, com afeto&lt;/a&gt; e o trabalho que alguns de nós, seus amigos, pretendemos fazer como destino de nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aproveito a ocasião para passar um recado tão reconfortante quanto desconsertante para aqueles que pensam como ela e de quem gostamos muito, tanto que é imperativo ser violento e explícito nas respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossa querida Marie, por cuja amizade tenho alto apreço critica aqueles que - e faço questão de vestir a carapuça - buscam da produção teórica seus meios de vida, fazendo-se expressar com citações e leituras rebuscadas que selecionam seu público de maneira, por vezes, egocêntrica, num jogo de vaidades típico da academia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema é o que fazer diante deste (aparente) impasse da vida acadêmica? E aqui talvez vá o recado - menos acadêmico possível, prometo - que acredito compartilhar com todos aqueles amigos que também resolveram dispersar-se do rebanho pós-político dos nossos tempos de Gozo e expressão "livre" da individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se todas as gerações passadas falharam ao arregaçar as mangas, a única conclusão que posso tirar disto é que a tarefa de transformar o mundo é mais imperativa do que nunca para nós, e cai sobre os ombros de nossa geração com muito maior peso. Nossas angústias, nossas crises, nossos choros são sempre e irremediavelmente um eterno descobrir de novos valores supremos  que devemos estar dispostos a abdicar em nome de nossa Causa. Se sofremos por amor é porque o Amor se põe como valor comparável a Tarefa Revolucionária. Se brigamos com nossos pais, é porque queremos nossa Família livre de formas alienadas de Afeto. Se não planejamos grandes realizações individuais é porque no sucesso está sempre-já inscrito uma perda do Gozo prometido, como se o preço a pagar pela felicidade individual fosse a eterna silhueta desta felicidade, projetada mais e mais longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Problemas desta perspectiva utópica não estão no fato de não sabermos exatamente o que queremos. Mas em que campo de luta estamos nos rebatendo. O que queremos é claro: extinguir contradições inerentes ao capitalismo que tem em &lt;em&gt;comum&lt;/em&gt; o fato de restringirem um expaço de &lt;em&gt;comunhão&lt;/em&gt;, de compartilhamento e coexistência humanos e, neste sentido, somos ainda &lt;em&gt;Comun&lt;/em&gt;istas. Pouco mais do que isto é necessário saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os maiores problemas são, ao contrário, conhecer exatamente em que campo de luta estamos vagando. Não estamos nos dedicando a teoria porque somos tementes demais ao combate belicoso, mas porque este combate belicoso precisa ter o mapeamento claro deste terreno caótico que é a política e a cultura das últimas décadas. "Que ordem, afinal, existe, em meio a este caos?" é a pergunta que queremos responder! E a quem queremos aplaudir: não somos histéricos como nossos pais em 68. E é por isso que devemos não aplaudir. E sobretudo não aplaudir a eles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua luta construiu nosso tempo de caos. Ajudou a criar o horizonte ideológico sobre o qual nossa geração teve que duelar desde a década de noventa, reduzidos a mera massa apática incapaz de agir fora dos joysticks e de criar fora das telas dos computadores. Azeitou uma máquina político-econômica em nome da qual nos dizem arrogantemente que somos incapazes de tomarmos as rédeas do Evento. É porque não podemos aplaudir ninguém, que não podemos aplaudir a Eles e, conseqüentemente, aos "ganhos indiscutíveis" que o capitalismo global e o liberalismo tolerante trouxeram para nossa "geração piá-de-prédio (que não sabe o que é dificuldade)"! Nossa "liberdade" hoje, só é sensivelmente possível porque faltam palavras que expressem nossa completa falta de liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossas citações são tijolos com os quais se constróem o edifício sobre o qual precisamos assentar nossos sonhos, estes mesmos sonhos que o Outro nos diz que flutuam a deriva no campo político, sem possibilidades de gerar nada de concreto! Pois bem, é desse concreto que queremos ver constirpada até a morte a proto-intelectualidade cínica que aplaude a arte como consumo, o mundo como inevitável, a vida e a insatisfação como administrativizáveis, o Impossível como adestrável...  É esta morte que testemunhará que nossas reclamações não resultaram em um nada lacônico... muito menos Omisso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossos tijolos devem demonstrar cruamente que o edifício teórico que assentam deve, sobretudo, provar que de tão humildes e tão insignificantes as nossas verdades, elas são as únicas que podem ser diretamente Universalizadas sem a mediação "caiada" de nenhuma forma institucional  (política, artística ou cultural).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nossas escolhas precisam ser em si mesmas - de maneira bastante dialética -  a demonstração de que a única maneira de sustentar nossa ingenuidade romântica é amadurecendo de forma violenta e traumática, fazendo da necessidade uma Ética; do respeito uma Trégua; da palavra uma Arma; dos Amores e das Amizades, a tristeza Revolucionária do lembrete: não existe compatibilidade entre duas Causas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E para Marie e todos os amigos queridos a quem muitas vezes, e infelizmente, tenho a obrigação de ofender, muito carinhosamente devo dizer que é esta tristeza do lembrete que pode esclarecer algo sobre nosso afeto: a busca incessante pelo encontro ideal, por vezes é ofuscada pelo fato de que, quase sempre, já temos o que buscamos... precisamos de outra coisa!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3166805357279106567?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3166805357279106567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3166805357279106567' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3166805357279106567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3166805357279106567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/01/aplausos-quem-se-no-resta-ningum-se-no.html' title='Aplausos à quem, se não resta ninguém, se não presta ninguém?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6376731219825630284</id><published>2009-01-07T18:05:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T16:19:20.617-08:00</updated><title type='text'>Ninguém entendeu um Mod. Parte II: Elogio à geração 90.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Conversava eu com uma amiga a respeito da importância do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oasis &lt;/span&gt;para a minha geração. A crítica que ouvi a respeito da banda foi a de "uma releitura pobre dos Beatles". E a mídia parece de fato enfocar a relação, que realmente existe, entre os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fab Four &lt;/span&gt;e o grupo de Manchester, porém oscilando entre duas argumentações quase unânimes: ou o Oasis é acusado de plágio descarado das composições de Lennon e McCartney, ou de uma releitura pobre destas, que não conseguiria criar nada de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que as composições dos irmãos Gallagher, bem como a postura que adotam publicamente, são matérias bastante férteis para reflexões filosóficas se as virmos - numa postura abertamente žižekiana - como artefatos culturais e "máquinas de pensar". Ficaremos, por hora, com um norte teórico para o presente ensaio: o da analogia existente entre o processo de transformação da forma crítica do modernismo em relação à ideologia e a maneira como a produção musical das bandas de rock nos anos noventa transformaram a forma  mesma de criatividade e inovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a comentar um pensamento de Žižek a respeito de como uma análise mais global das obras de Hitchkock, no cinema, pode dar conta de explicar o processo pelo qual o  fundamento ideológico da modernidade se "desintegra" dando lugar ao presente universo "pós-ideológico". Em suma tal pensamento consiste em mostrar como os filmes hitchkockianos ao longo das décadas de 1950 a 1960 vão, progressivamente, abandonando a figura central do pai, a figura masculina, em nome da figura materna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vladimir Safatle em seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinismo e Falência da Crítica &lt;/span&gt;demonstra que o início do capitalismo está marcado por uma ética de acumulação (tal como descrita por Weber) que se pautava numa repressão às pulsões individuais para garantir os modos de sociabilização necessários ao funcionamento da dinâmica econômica capitalista. Um ascetismo assentado numa fixidez de identidades como vocação para funções específicas. Daí a explicação eminentemente freudiana - de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Mal-estar da Civilização - &lt;/span&gt;da repressão aos desejos como forma de coesão social, de internalização das normas de sociabilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o advento da sociedade de consumo, a partir de transformações sócio-econômicas específicas que substituem os ideais de ascetismo, vocação e repressão pelo ideal do gozo, instaura-se uma outra ética. A ética do direito ao gozo, que por sua vez pressupõe a flexibilidade de identidades e de valores, em busca do prazer - tal qual podemos ler logo no início de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Mal-estar da Pós-Modernidade &lt;/span&gt;de Zygmunt Bauman - e a substituição da acumulação ascéptica pelo crédito (como figura que permite a satisfação imediata de desejos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso o que Lacan tem em mente quando fala em uma forma diferente de supereu na sociedade de consumo: um supereu não mais fundado na repressão às pulsões e na culpa, mas no imperativo do gozo. Esse supereu tem como fundamento o declínio da figura paterna (e não da função paterna, como bem ressalta Safatle) e o advento de um supereu materno, que determina que se goze. O grande problema é que, se o gozo é "norma universal" - é preciso gozar com tudo e sempre! - nenhum objeto em particular permite a satisfação plena. Levando-nos à necessidade de destruição de todos os objetos específicos de gozo, para que este possa ser encontrado sempre em outros lugares e em outros objetos - a descartabilidade de todo objeto de gozo, a "administração da insatisfação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse supereu materno tem, por sua vez, como fundamento a função paterna do pai primevo, na "mitologia freudiana". Aquele que pode gozar plenamente com tudo e cuja imagem é a de uma obscenidade perigosa e destrutiva (da natureza, dos laços sociais, DO AMOR, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O importante é ressaltar como a ideologia se porta diante dessa necessidade da descartabilidade de todos os objetos e suas imagens correspondentes. O exemplo dado por Safatle é o das campanhas publicitárias da Calvin Klein, utilizando-se ora de corpos perfeitos, ora de corpos anoréxicos, ora de figuras heterossexuais, ora de figuras homossexuais ou até incestuosas. Numa pesquisa realizada com consumidores da marca, como aponta Safatle, percebeu-se que eles se mantém sempre em uma distância específica em relação a essas imagens. Ou seja, a própria marca aposta na auto-ironização das imagens que "vende" para garantir o seu nicho mercadológico. Isto é indicativo de uma ideologia que se baseia na auto-ironização de suas imagens, valores e normas como critério mesmo de legitimidade. Uma certa "contradição posta que é, ao mesmo tempo, contradição resolvida" (Safatle p. 84).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, como é a tese central do referido livro, a pergunta que fica é: qual seria a estratégia da crítica diante duma ideologia do cinismo, que ri de si própria, e que mantém neste mesmo riso sua operacionalidade? Parece óbvio que a crítica não pode mais, como fazia ao longo da modernidade, pautar-se pela ironização, humorização ou profanação das normas e valores pois estas pressuporiam um Outro Social fixo, que trabalhasse na lógica da repressão, e não do gozo. Neste sentido é que Safatle aponta suas críticas a Deleuze, Agamben e Butler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à crítica, a análise é feita com base nos pensamentos de dois músicos e críticos musicais: Schoenberg e Stravinsky. Pois, para Schoenberg a crítica deveria ultrapassar as normas naturalizadas da música em direção a uma expressão interior do artista que não precisasse submeter-se à hierarquia de notas e armonias específicas da música tonal. Este pensamento levou Schoenberg à dodecafonia que, posteriormente fora criticada nestes mesmos termos, como insuficiente para por em prática o que a idéia de "série" pretendia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stravinsky (e outros músicos contemporâneos como Adés e Adams) pôs em prática uma nova forma de crítica: bricolage de estilos musicais - românticos, dodecafônicos, etc. - mas não com a pretensão de "legitimidade", de "naturalidade" destes estilos, senão que esta bricolage já pressupunha estilos musicais previamente criticados. Nada de inovador. O efeito "inovador" da obra é global e realizado justamente pela ironização de cada um destes estilos, utilizados como artigos de "liquidação", que trazem em si sua própria negação, distanciados de suas "funções naturais". Uma música baseada na parodização de todos os estilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do livro, Safatle expõe como esta forma crítica encontra também suas limitações, uma vez que a ironização de estilos e este tal "distanciamento de suas funções naturais" são celebrados pela ideologia dos tempos "pós-ideológicos". De qualquer forma, voltemos ao Rock para curto-circuitizar a alta teoria musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de querer estabelecer quaisquer relações teórico-musicais entre música tonal, ou dodecafonia, e Rock'n Roll britânico, fato é que no ponto específico da postura crítica adotada por aqueles maestros, existe uma certa concidência com a relação entre o que foi o movimento musical do MOD ao Flower-Power, nas décadas de 60 e 70 e a criatividade musical das bandas de Rock da geração 90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bandas como Beatles, The Who, Kinks e Rolling Stones trabalharam com uma criatividade que contestava os próprios limites impostos pela formas originais do Rock'n Roll (e talvez até mesmo do Blues). Música concreta, ruídos de caixas, bombas no palco, instrumentos marciais, gemidos e muitos outros elementos foram utilizados neste período de transvaloração da forma musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande questão é: é possível contemplar tais inovações, hoje, sem distanciá-las de suas "funções naturais"? Žižek escreve, a respeito dos filmes-noir contemporâneos, que eles não são propriamente filmes-noir. Como em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The good german, &lt;/span&gt;a história seria uma simples história sem graça, como tantas outras, não fosse pelo fato de o filme produzir no espectador um efeito específico: eu (espectador) me coloco na posição de alguém que viveu na década de 40 e que acredita estar assistindo realmente a um filme-noir. Em suma eu creio que creio tratar-se de um filme da década de 40.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece quando ouvimos as músicas transgressoras de Beatles, The Who, Rolling Stones , Yardbirds etc. não é a mesma coisa? Eu creio que creio tratar-se de uma inovação autêntica do Rock sessentista, mas para isso eu preciso me colocar na posição de alguém que viveu o momento genuinamente inovador em que estas transgressões cumpriam de fato suas "funções naturais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, não é que Oasis seja uma releitura pobre dos Beatles, mas os Beatles em si é que já estão empobrecidos. Só posso contemplar a confusão orquestral de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Day in The Life &lt;/span&gt;ou as guitarras fantasmáticas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dazed and Confused &lt;/span&gt;(Yardbirds/Led Zeppelin)&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;se fizer a ressalva de que "para a época aquilo foi inovador".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui existe uma analogia entre a bricolage de Stravinsky na utilização de estilos musicais já previamente criticados e a produção musical de bandas como Oasis, Ocean Colour Scene, Cornershop, Blur e outras: todas estas bandas realizam uma mesma bricolage de  todos os estilos da história do Rock já previamente distanciados de seus contextos naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sintomático disto é o fato de Zak Starkey (filho de Ringo Starr) ser o baterista do Oasis em "Don't Believe the Trueth" e a resposta de Noel Gallagher quando acusado de plágio por Marc Bolan (T-Rex): "quando quero plagiar alguém, vou direto a Lennon&amp;amp;McCartney".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que a famosa e polêmica afirmação do Oasis de que eles seriam maiores do que os Beatles deve ser lida estritamente sob a ótica desta transformação: as formas de criatividade e inovação das duas bandas são radicalmente diferentes e irreconciliáveis. Não há mais forma fixa a transgredir, mas apenas formas distanciadas e cínicas, postas em contradição consigo mesmas, abrindo assim espaço para uma nova forma de produção musical e artística. Se os Beatles são a maior banda de Rock é porque seus fãs crêem que crêem neste lugar ideal. E se queremos sair do impasse causado pela "falência da crítica" é necessário enfrentar os ídolos do passado - naquilo em que esta afirmação se conjuga com a necessidade de "desespero conceitual" apontada por Safatle.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6376731219825630284?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6376731219825630284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6376731219825630284' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6376731219825630284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6376731219825630284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2009/01/ningum-entendeu-um-mod-parte-ii-elogio.html' title='Ninguém entendeu um Mod. Parte II: Elogio à geração 90.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-5803092603131596698</id><published>2008-12-23T14:24:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T16:59:58.285-08:00</updated><title type='text'>Breve reflexão irresponsável sobre o amor e o sexo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Freud demonstrou como a busca pela segurança, durante a modernidade, estava baseada numa economia libidinal de repressão aos desejos e às pulsões inerentes à condição humana. É isso, em parte, que leva Foucault a demonstrar como esta mesma repressão estava diretamente relacionada à forma de coesão e de relacionamento familiar dentro do espaço doméstico (a estrutura da família burguesa pautada na repressão à sexualidade da criança e da mulher, primordialmente).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é por acaso que Bauman chega a comentar a obra de Foucault e dizer que se durante a modernidade a repressão à sexualidade era o que fundamentava os laços de integração familiar, hoje, em tempos pós-modernos, é a liberdade sexual entrou na lógica do consumo e é uma (privilegiada) fonte de acumulação de prazeres. O que, de forma obscena, faz com que tudo esteja implicitamente imbutido de intenção sexual, minando relações afetivas de outras ordens pelo medo patológico, por exemplo, da pedofilia (vejam o imenso número de regras implícitas que permeiam nosso contato físico com crianças hoje).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A "liquidez" do amor, para usar uma expressão de Bauman, leva a outra profusão de práticas amorosas/afetivas/sexuais que encontram dentro das teias cibernéticas de interação social uma nova forma de aceitação do amor. Tal como no msn, relacionamentos são insuportáveis quando não se pode estar/aparecer offline num clique de mouse! Tudo isto anda lado-a-lado com a liberdade hodierna em falar sobre sexo e praticar o sexo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito ser indispensável ressaltar, porém, que tudo isto está inextricavelmente ligado à visão senso-comum a respeito do amor e da sexualidade: como duas coisas que se podem muito bem separar... sem maiores problemas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É este o centro gravitacional desta reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecemos por uma famosa frase de Woody Allen, nos minutos finais de seu longa-metragem "Manhattan" (sim, existe um longa do Woody Allen &lt;em&gt;criativamente&lt;/em&gt; denominado "Manhattan"!): 'é possível realmente separar sexo e amor?' A resposta padrão é sempre "Sim, CLARO!".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, se voltarmos os olhos para Lacan, vemos como, pelo processo de alienação e de separação, o desejo do sujeito surge do confronto com o desejo do Outro ou, mais específicamente, da "mOther", o Outro materno. A satisfação do desejo da criança deve passar, necessariamente, pela mediação da mãe como fonte de satisfação e pela necessidade de que este Outro tenha como fonte única de satisfação de seus próprios desejos, a criança. A impossibilidade dessas duas condições é que leva a criança a criar um 'objeto pequeno &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;' (objeto-causa do desejo) que servirá de suporte da sua fantasia e será protegido por ela, encontrando nesta fantasia a possibilidade de uma "encenação da satisfação de um desejo imperioso", para usar as palavras de &lt;a href="http://www.transhumano.blogspot.com/"&gt;Fernando Marcelino&lt;/a&gt;, uma vez que a satisfação real é impossível. Com isso passamos a buscar, longe do Outro materno, TODAS as outras formas de satisfação do nosso desejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira conclusão é que todo o desejo nasce do &lt;em&gt;amor&lt;/em&gt; materno! Do ponto de vista psicanalítico, pelo menos, a função do amor materno é a criação do desejo, sexual inclusive (ou principalmente?). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se, politizando Lacan, pensarmos com Žižek na idéia lacaniana de que amar é dar o que não se tem para alguém que não o quer, de qualquer forma, encontramos aqui um desequilíbrio fundamental. E &lt;em&gt;fundamental&lt;/em&gt; porque de fato &lt;em&gt;funda&lt;/em&gt; o amor, dentre outras coisas pela paranóia constante do medo de perder a pessoa amada, afinal nunca se sabe, precisamente, porque ela ama! O amor é, portanto, uma quebra radical do equilíbrio normal das coisas. O Amor é Mau!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E aqui há uma face política do amor. O Amor como Evento perturbador. E uma contrapartida revolucionária da lógica da sexualidade e do amor pós-hippie: O Amor é Mau!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando a pergunta de Woody Allen, 'é possível separar sexo e amor?', sabendo que o cineasta é um neurótico extremamente freudiano: voilà! A resposta é Não! O que significa que a maneira verdadeiramente revolucionária de encarar o sexo e o amor (que é mau) é vislumbrando um risco sempre presente de o segundo se irromper no primeiro. De o Amor destruir o equilíbrio "normal" do sexo e do prazer, da mesma maneira com que devemos encarar o Evento político: assumir integralmente o risco e a responsabilidade por ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como nos ensinam Ocean Colour Scene:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;"cos we all take our chances to find out romance is in someother's bed&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;And you might burn your fingers hock your best rings for those&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;who'd have you standing naked, then, publicly auction the use of a hose".&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-5803092603131596698?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/5803092603131596698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=5803092603131596698' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/5803092603131596698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/5803092603131596698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/12/breve-reflexo-irresponsvel-sobre-o-amor.html' title='Breve reflexão irresponsável sobre o amor e o sexo.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-1909812908482014123</id><published>2008-12-17T13:59:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T17:50:51.970-08:00</updated><title type='text'>Prefácio à coleção "Short Circuit" de Slavoj Žižek.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coleção "Short Circuit" foi lançada pela MIT Press, nos EUA, reunindo livros como "The puppet and the dwarf: the perverse core of christianity" de Slavoj Žižek; "The Shortest Shadow: Nietzsche's philosophy of the two" de Alenka Zupancic; "Is Oedipus online? Siting Freud after Freud" de Jerry Aline Flieger e, finalmente, "Interrogation Machine: Laibach and the NSK" de Alexei Monroe, de onde retirei o prefácio à coleção que traduzi "livremente" para o blog.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Prefácio à Coleção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Um curto-circuito ocorre quando há uma conexão falha na rede - falha, é claro, do ponto de vista do funcionamento normal da rede. Não seria o choque do curto-circuito, portanto, uma das melhores metáforas para uma leitura crítica? Não seria um dos procedimentos críticos mais efetivos cruzar fios que geralmente não se tocam: ler um clássico maior (texto, autor, uma idéia) por meio de um curto-circuito, através das lentes de um autor, texto, ou aparato conceitual "menor" ("menor" deve ser entendido, aqui, no sentido deleuziano: não de "menor qualidade" mas de marginalizado, desacreditado pela hegemonia ideológica, ou lidando com um tópico menos digno, mais "baixo")? Se a referência menor é bem escolhida, tal procedimento nos leva a "insights" que podem despedaçar e minar completamente nossas percepções comuns. Foi isso que Marx, entre outros, fez com a filosofia e a religião ('curto-circuitizando' [short circuiting] especulação filosófica através das lentes da economia política, da especulação econômica); foi isso que Freud e Nietzsche fizeram com a moral (curto-circuitizando a mais elevada noção ética através das lentes da economia libidinal inconsciente). O que tal leitura atinge não é a simplesmente a "dessublimação", ou a redução do mais elevado conteúdo intelectual para sua causa econômica ou libidinal mais "baixa"; o objetivo de tal aproximação é, ao contrário, a inerente descentralização do texto interpretado, que traz à luz seu "impensado", seus pressupostos e consequências não declarados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;É isso que "Short Circuit" quer fazer.&lt;/span&gt; A premissa básica da coleção é que a psicanálise lacaniana é um instrumento privilegiado de tal aproximação, cujo propósito é iluminar um texto padrão ou uma formação ideológica, tornando possível sua leitura de uma forma completamente nova - a longa história de intervenções lacanianas na filosofia, na religião, nas artes (das artes visuais ao cinema, música e literatura), ideologia e na política justifica essa premissa. Essa, portanto, não é uma série de livros sobre psicanálise, mas uma série de conexões no "campo freudiano" - de curtas intervenções lacanianas na filosofia, teologia e ideologia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Short Circuit" pretende reavivar a prática da leitura que confronta um texto, um autor, uma noção clássicos com suas próprias pressuposições ocultas e, assim, revelar sua verdade não-declarada. O critério básico para os textos que serão publicados é que eles efetuem tal curto-circuito teórico. Depois de ler um livro dessa coleção, o leitor não pode simplesmente entender algo novo: a questão é, ao contrário, deixá-lo ciente de outro lado - perturbador - de algo que ele ou ela sempre souberam, o tempo todo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Slavoj Žižek.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-1909812908482014123?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/1909812908482014123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=1909812908482014123' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1909812908482014123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/1909812908482014123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/12/prefcio-coleo-short-circuit-por-slavoj.html' title='Prefácio à coleção &quot;Short Circuit&quot; de Slavoj Žižek.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-855058163164014397</id><published>2008-12-12T10:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-12T10:49:18.264-08:00</updated><title type='text'>Elogio a revolta contra o pacote de ajuda as montadoras.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma publicação roubada do blog &lt;a href="http://www.transhumano.blogspot.com/"&gt;Transhumano&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A Casa Branca anunciou nesta sexta-feira que está considerando a possibilidade  de usar parte dos fundos do plano de resgate financeiro, de US$ 700 bilhões,  para impedir a quebra dos fabricantes de automóveis em crise, depois que os  congressistas não conseguiram acordo para um projeto alternativo". O governo de  São Paulo também anunciou uma linha de crédito de R$ 1,2 bilhão para financiar  empresas de máquinas e autopeças. Os golpes cleptocratas continuam...&lt;br /&gt;O setor  de produção automobilística é um dos grandes motores da reprodução do capital  historicamente desde o início do século XX. Apenas a necessidade objetiva e  estrutural de uso dos fundos públicos para o salvamento das gigantes General  Motors, Ford e Chrysler já não é sintomático em relação aos novos padrões que  estão se estabelecendo sob a hibridização do Estado com o capital diante de sua  crise estrutural hoje? Se de 1945 a 1968 foram os anos glorisos do capitalismo,  a fase que iniciou em meados de 1970 e se fecha em 2008/2009 demonstra os  limites historicos do capitalismo que, inevitavelmente por sua lógica de  expansão e acumulação, buscará novas saídas de reprodução ALÉM do capital  financeiro e do neoliberalismo, dominantes sob a etapa de desenvovimento durante  os últimos 40 anos. Uma volta é impossível. Usando do reducionismo, não existe  volta das forças produtivas. Qual será a nova tentativa de buscar novos nichos  de reprodução? Ou ainda, mais importante, as rebeliões do devir conseguiram dar  respostas satisfatórias rumo a superação radical do metabolismo global do  capital diante da atual crise que mostrase apenas nas primeiras etapas? Arrisco  até dizer que estão voltando os fantasmas das rebeliões e das revoluções diante  da crescente intensidade da violência objetiva que (des)estrutura a realidade  global hoje&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-855058163164014397?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/855058163164014397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=855058163164014397' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/855058163164014397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/855058163164014397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/12/elogio-revolta-contra-o-pacote-de-ajuda.html' title='Elogio a revolta contra o pacote de ajuda as montadoras.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4404693330885554526</id><published>2008-12-02T12:40:00.000-08:00</published><updated>2008-12-02T12:44:06.985-08:00</updated><title type='text'>Para Zizek, crise tem paralelos com 11 de Setembro e revela a fragilidade e as contradições do capitalismo</title><content type='html'>[roubado diretamente do blog do meu amigo Fernando, o &lt;a href="http://www.transhumano.blogspot.com"&gt;Transhumano&lt;/a&gt;, Segue a entrevista de Žižek ao Globo, quando o filósofo esteve no Brasil]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   O filósofo esloveno Slavoj Zizek esteve no Brasil em outubro (Rio, Salvador, São Paulo) para lançar "A visão em paralaxe" (Boitempo) em que reflete sobre questões atuais buscando revitalizar a dialética de Hegel e destaca a importância da psicanálise no reino das ciências cognitivas. Nesta entrevista, conta quais são suas impressões do país e analisa os novos dilemas da crise financeira internacional, a qual, em sua opinião, tem paralelos profundos com o choque causado pelo 11 de Setembro. Diz que em Marx não há como encontrar respostas para a crise. Segundo Zizek, é possível que as partes mais dinâmicas da sociedade no mundo hoje não estejam evoluindo em direção a democracias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O GLOBO: Como foi sua passagem pelo Brasil?&lt;br /&gt;SLAVOJ ZIZEK: Para mim, a cidade é São Paulo. Embora o usual seja dizer que a Bahia é o máximo, com uma imagem relacionada ao carnaval e ao prazer de viver, prefiro São Paulo. Gosto de cidades grandes, vidas orsanizadas, espírito de trabalho, disciplina. Eu não poderia me imaginar morando na Bahia. Mas gosto também da estrutura não-rtransparente da cidade de São Paulo, ao contrário do que é Nova York, com suas ruas definidas com números. Mesmo no Rio, a estrutura é mais transparente. São Paulo é mais caótica. Agora, tem algo de que gosto no Rio e também na Bahia. E isso me fascina no Brasil: vocês não escodem suas favelas. Um quarteirão pode ser muito rico e, logo depoi!?, vem a favela. O que faz uma cidade bonita não são as praias bonitas etc; eu gosto do caos, do caos vibrante. Veja, em Nova York não suporto quando entramos numa cafeteria e há esse ambiente de normalização: um garçom se apresenta, diz que está nos servindo, pergunta se tivemos um bom dia e se estamos bem. Não gosto dessas amizades pseudo-ritualizadas. Agora, um evento mítico para mim a respeito do Brasil é o de Canudos, na Bahia, cuja história conheci através do livro de Mario Vargas Llosa ("A guerra do fim do mundo"). Foi uma comunidade que conseguiu sobreviver no meio do nada por muito mais tempo que a centena de comunidades de socialistas utópicos que se multiplicavam nos EUA na época. Há algo miraculoso com Canudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tipo de auto-suficiência insustentável hoje, não?&lt;br /&gt;ZIZEK: Não digo que devemos transformar o mundo numa grande Canudos, mas faz pensar e em questões interessantes. Na questão alimentar, é impossível hoje a auto-suficiência. Quando a há necessidade de ajuda alimentar, o dinheiro custa a chegar. As grandes potências já reconheceram sua falência nisso. Na questão ecológica, muita gente fala de aquecimento global, é um blá-blá-blá. Li recentemente que milhares de pessoas morrem na Inglaterra esperando por operações de câncer. Mas agora temos uma crise financeira e não houve problema em se obterem bilhões de dólares em poucos dias. É a força real do capital. Há algo irônico nisso: usa-se o dinheiro para restabelecer crença e confiança. É sugestão, parece mágico. Aos poucos, vemos as limitações do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê paralelo entre o impacto desta crise com o que se viu no pós-11 de Setembro? No primeiro caso, a crise chegou de fora; agora inicia-se dentro...&lt;br /&gt;ZIZEK: Paralelos profundos. O 11 de Setembro foi importante por suas dimensões ideológicas. Agora, há um choque equivalente. Primeiramente, os EUA sempre gostaram de se ver como uma ilha de segurança. Além disso, simbolicamente o 11 de Setembro representou o fim da utopia. Não da utopia socialista ou relacionada ao sistema de proteção social, mas a utopia de Fukuyama, que decretara o fim da história, depois da queda do Muro de Berlim, num período de expansão do capitalismo liberal. Foi o fim dessa era feliz. Voltou-se à História, aos conflitos locais entre os povos. Se o 11 de Setembro causou um choque de cunho mais político e militar, agora atinge-se a utopia do capitalismo liberal . Pode-se até superestimar as atuais consequências da crise - acho que não haverá uma gigantesca recessão -mas há um choque nos aspectos utópicos da globalização econômica. E repare que a linguagem usada pelo presidente Bush é praticamente a mesma que usou depois de 11 de Setembro. "Nosso estilo de vida está em perigo, devemos esquecer nossas difenreças políticas, nos unir todos pelo país". Um tanto irônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama repete o discurso?&lt;br /&gt;ZIZEK: Ele fez algo certo num debate com McCain, quando este disse que era hora de esquecer diferenças políticas. Obama disse não, que aquela era a hora do debate. O que devemos fazer? Esta é a verdadeira questão para mim, o verdadeiro debate político? como proceder para lidar com as limitações do sistema. Isso se relaciona a uma visão politica. Sabemos, também, que os modelos conhecidos para agir no mercado não são a verdadeira alternativa. Nem o antigo socialismo de intervenção direta, nem algo mais latino-americano, como uma economia de Estado populista, como a de Hugo Chávez. Talvez algo diferente esteja ocorrendo na China. É preciso encontrar novas formas coletivas de ação. Há decisões básicas que não podem ser deixadas nas mãos do mercado, mas meu ponto é: na verdade muitas delas não estão nas mãos do mercado. Há uma hipocrisia nos paises desenvolvidos que é preciso confrontar. Eles pregam uma economia liberal para os paises de terceiro mundo, mas violam as regras o tempo todo. Os EUA financiam seus produtores de algodão para que este não seja comprado na África, como no Mali, onde a produção é mais barata e os fazendeiros moram nas favelas. O subsídio americano a esses agricultores nos EUA é maior que o PIB do Mali. Então, a crise nos deixa com o pé atrás não apenas em relação ao livre mercado, mas de certa forma nunca houve livre mercado. Veja a União Européia: metade do seu orçamento é para subsidiar agricultores. Os limites estão ficando claros, e temos um grande desafio quanto ao que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento é, portanto, de grande indefinição.&lt;br /&gt;ZIZEK: Isso é outra coisa que me choca. Veja, cada vez mais o capitalismo tem dificuldade de trabalhar no nível da propriedade intelectual, para definir quais são os direitos legais desta. Na internet, há algo nos produtos intelectuais que resiste à propriedade privada. A economia digital tem um fundo socialista; os produtos foram artificialmente adaptados na fórmula capitalista, mas não funciona muito bem. Quero dizer que vivemos em tempos interessantes, em que há grandes confusões. Agora, com esta crise, alguns dos meus amigos cairam na armadilha de dizer que temos a chance de voltar à economia real, e sair da especulação virtual. Ora, não há "economia real". Trata-se de uma maravilhosa contradição. Um dos slogans desde setembro é que devemos abandonar a especulação Irreal. Também se diz que é preciso salvar os bancos, sob o risco de uma gravíssima crise. É preciso salvar o banco porque o dinheiro é real. Devemos superar essas metáforas ingênuas. O fato é que há um mecanismo irracional em jogo. É preciso não só acreditar, como acreditar que os outros acredi- tam. Talvez a melhor solução seja não fazer nada. Se os governos põem tanto dinheiro, então a mensagem é que o problema é mesmo profundo. Quanto mais se tenta resolver o roblema, mais pânico se gera. tudo frágil, baseado em confiança. Isso é algo louco sobre o capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está se voltando a Marx...&lt;br /&gt;ZIZEK: E ainda mais a Keynes. No meu caso, posso dizer que Marx não tem repostas, mesmo que tenha insights do mecanismo do capitalismo. Para Marx, a mais importante fonte de valor é o trabalho. Mas ele próprio disse algumas vezes que, com o desenvolvimento tecnológico, o fator chave na produção deixaria de ser o trabalho mecânico. O conhecimento e as especialidades passariam a ter outra importância. Estamos neste nível hoje. Marx não é a resposta, mas devemos repetir, hoje, a mesma pergunta que fez em relação ao capitalismo do século XIX. Temos algumas tentativas teóncas, como no caso de Antonio Negri ou Giddens, mas é jornalismo teorético. Hoje temos um bom argumento a favor do capitalismo. Em geral, diz-se que leva a alguma liberdade, mesmo com periodos de ditadura, como no Chile. Mas não concordo com quem diz que, com o desenvolvimento, daqui a 20 anos a China vai se democratizar. Algo muito dinâmico está se produzindo lá, genuinamente novo. Talvez o dinamismo da sociedade não esteja se movendo em direção à democracia. Isso deveria nos preocupar. Vejamos a VenezueIa. Não sou pró-Chávez, mas ele foi o primeiro que tentou mobilizar politicamente os excluidos nas favelas. Como era o pais antes de Chávez? Era melhor para os excluidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício de paralaxe, uma certa desconstrução do olhar, é pois fundamental.&lt;br /&gt;ZIZEK: Sim, mas vamos esquecer agora a politica. Meu coração está na primeira parte do livro ("A visão em paralaxe''). Busco revitalizar a dialética de Hegel. Na segunda parte tento salvar a psicanálise do ataque das ciências cognitivas, e mostrar como podem colaborar entre si. Sou a favor de Hegel mesmo contra Marx. A visão de Marx sobre Hegel foi um .r equívoco. Hegel é capaz de nos o oferecer respostas mais proe fundas. Não apenas políticamente. Precisamos de filosofia. Hoje, os cientistas conseguem conectar diretamente o neurônio a um computador, que, assim, permite que se faça movimentos apenas com o pensamento. Modifica-se a percepção do que é ser humano. Nisso Fukuyama estava certo, ao falar sobre as transformações da biogenética. A liberdade não está perdida, mas quando nos tornamos tão mestres de nós mesmos, algo na liberdade se modifica. Devemos pensar muito a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria a "merda divina" de que fala no livro?&lt;br /&gt;ZIZEK: E irônico, ligado a Martinho Lutero. Para ele, o ser humano é o pedaço de merda que caiu do ânus de Deus. É a mais horrivel definição do ser humano. Não é fácil explicar aqui, mas se relaciona ao fato de que quando você aceita que está totalmente abandonado por Deus, está na posição de Cristo na cruz, que pergunta "pai, porque me abandonaste?". Algo inacreditável aconteceu ali. Todos fomos abandonados, inclusive Deus. Por um momento, Deus também se tornou ateu. Ficamos sós, a comunidade dos crentes sem Deus. Sou totalmente ateu, mas acho que no cristianismo encontramos certa lógica coletiva, uma lógica de emancipação coletiva que pe absolutamente crucial e preciosa, hoje mais do que nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4404693330885554526?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4404693330885554526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4404693330885554526' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4404693330885554526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4404693330885554526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/12/para-zizek-crise-tem-paralelos-com-11.html' title='Para Zizek, crise tem paralelos com 11 de Setembro e revela a fragilidade e as contradições do capitalismo'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-3210501885797244789</id><published>2008-12-01T10:33:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T10:33:19.172-08:00</updated><title type='text'>O MUNDO DENTRO DE UM COLAPSO EXISTENCIAL: O que resta da modernidade?</title><content type='html'>&lt;a href="http://transhumano.blogspot.com/2008/11/o-que-resta-da-modernidade.html#links"&gt;O MUNDO DENTRO DE UM COLAPSO EXISTENCIAL: O que resta da modernidade?&lt;/a&gt; Por Fernando "Zen" Marcelino&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-3210501885797244789?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://transhumano.blogspot.com/2008/11/o-que-resta-da-modernidade.html#links' title='O MUNDO DENTRO DE UM COLAPSO EXISTENCIAL: O que resta da modernidade?'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/3210501885797244789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=3210501885797244789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3210501885797244789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/3210501885797244789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/12/o-mundo-dentro-de-um-colapso.html' title='O MUNDO DENTRO DE UM COLAPSO EXISTENCIAL: O que resta da modernidade?'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6571871678413542070</id><published>2008-11-27T18:26:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T10:42:35.968-08:00</updated><title type='text'>Ninguém entendeu um Mod. Parte I: o excesso da modernidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi Žižek quem afirmou que as figuras de Martin Luther King e dos episódios de maio de 68 foram cooptadas pela ideologia do liberalismo multiculturalista contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, Martin Luther King não teve um simples sonho de tolerância racial, mas um sólido projeto político de esquerda, utópico, que envolvia uma crítica político-econômica do capitalismo e da democracia liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os episódios de maio de 68 não representaram uma simples revolução em nome do slogan "sexo, drogas e rock and roll", ou melhor, o próprio slogan continha nas entrelinhas um projeto político emancipatório crítico, de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens equivocadas destas figuras são produto de uma (des)apreensão, no sentido žižekiano do termo, dos fenômenos reais pela fantasia estruturante da ideologia multiculturalista e arrisco dizer que o mesmo se passa com a cena Mod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de uma simples tribo urbana com gostos para roupas e músicas compartilhados por seus membros, existe uma mensagem política que precisa ser apreendida. Não creio que o termo Mod se refira à expressão &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;modern rockers&lt;/span&gt;, mas, num sentido muito mais radical, penso estar ele relacionado ao termo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;modernists&lt;/span&gt; e aqui, os vínculos com a própria modernidade podem servir de rica &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;matiére a pensére&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Žižek aponta, apoiado pela psicanálise, nos filmes de Hitchkock uma interessante transformação: a maneira como, nos anos 60, seus filmes deixam de lado a figura simbólica do pai e passam a se focar no superego materno. Para o filósofo esta transformação é crucial para a compreensão da crise da modernidade uma vez que ela se pauta na desintegração das famílias tradicionais burguesas bem como do Estado-Nação. O desaparecimento da figura paterna no espaço doméstico e a desintegração da figura paterna no espaço público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto quer dizer que os sujeitos que surgem neste contexto têm grande dificuldade em lidar com mandados simbólicos, significantes mestres em seu não-senso. Não custa lembrar que Žižek aponta esta como a característica principal do sujeito "pós-moderno", que constantemente é chamado, desde criança, a se politizar no espaço doméstico e a se despolitizar, ou se infantilizar, no espaço público. Crianças têm a oportunidade de participar das decisões familiares, mas adultos não podem participar das decisões políticas cruciais aceitando cinicamente a democracia liberal como "verdade", ainda que saibam que ela não funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, minha hipótese é que este panorama está umbilicalmente ligado ao surgimento da cena (ou movimento?) Mod: os órfãos da guerra que não mais se identificam com sua nacionalidade, mas com o grupo de jovens que compartilham dos mesmos gostos e hábitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Estado-Nação, que como Žižek aponta, organiza a fantasia em torno dos nossos desejos pessoais por meio dos mitos nacionais, e portanto cria os nossos hábitos e gostos nacionais, se desintegra, rivalidades, violências e intolerâncias não se dão mais entre diferentes nacionalidades, mas entre diferentes grupos artificialmente formados. Não é o caso do fatídico episódio de 64 em que Mods e Rockers se confrontaram até a morte na praia de Brighton?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estética e o comportamento Mod também tem íntima relação com a modernidade: uma aparência burguesa civilizada (e levemente subvertida, é verdade) conjugada com um comportamento agressivo e transgressor. Não é esta precisamente a cara da Modernidade? Uma empreitada aparentemente racionalizadora e civilizadora que esconde uma dinâmica violentíssima de subversão dos costumes tradicionais de todas as localidades ao redor do globo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece, portanto, que a desintegração da figura paterna permitiu que este excesso constitutivo da modernidade viesse à tona personificado na cena Mod. E talvez esta dimensão deva ser resgatada para nos questionarmos o significado político desta aparição e inclusive da cultura que se forma nas duas últimas décadas na cidade em que vivo, Curitiba. Se é bem verdade que, ao menos nas músicas, houve pouca referência da cena Mod a posturas políticas abertamente de esquerda, a arte produzida foi extremamente transgressora, violenta e com a mesma pretensão universalizante. Não seria a hora de discutir o potencial universalizante desta cultura e porque e para que ela ressurge precisamente em São Paulo da década de oitenta e no sul do Brasil em meados da década de noventa?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6571871678413542070?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6571871678413542070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6571871678413542070' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6571871678413542070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6571871678413542070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/11/ningum-entendeu-um-mod-parte-i-o.html' title='Ninguém entendeu um Mod. Parte I: o excesso da modernidade'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-8558709022111702810</id><published>2008-11-26T18:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T10:43:31.372-08:00</updated><title type='text'>Uma breve reflexão sobre o Direito e a Crítica ao Direito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um grande amigo porto-alegrense (e gremista!) por quem tenho muito apreço, publicou em seu blog &lt;a href="http://www.tunelnofimdaluz.blogspot.com/"&gt;Tunel no Fim da Luz&lt;/a&gt; um artigo chamado "A Arrogância da Crítica ao Direito" em que, como bom crítico que é, defende a crítica embora se posicione abertamente pela leitura responsável da dogmática jurídica como viabilizadora de conquistas democráticas sem que se lhe torça o nariz a pretexto de uma pretensa postura crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria, amistosamente é claro, de levantar a bandeira contrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Sujeito Lacaniano&lt;/span&gt; Bruce Fink explica sucintamente a “entrada” do indivíduo na ordem simbólica, na linguagem, pelas operações da “alienação” e da “separação” (categorias cruciais para o pensamento lacaniano). Com a devida licença gostaria de resumir ainda mais (assumindo toda a responsabilidade por isso) tal processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alienação, basicamente, consiste na maneira como o indivíduo se confronta com o fato de que ele e o Outro materno (Fink utiliza-se da expressão “mOther”) não são um só corpo, de que há uma secção entre eles. A criança percebe que seus desejos (e vale lembrar que é temerária a expressão ‘desejo’ nesse momento) não podem ser imediatamente satisfeitos, uma vez que a mãe possui outros desejos diversos da criança. É o primeiro encontro com o desejo do Outro. A reação da criança portanto é tentar atrair o desejo da mãe, obrigada assim a falar para que suas necessidades sejam satisfeitas. E aqui o indivíduo se torna sujeito, pois nesta entrada no mundo da linguagem, percebe que há um lugar previamente definido para ela e que não pode ser, não pode existir fora dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A separação, posteriormente, é o processo pelo qual, sabendo desse desejo, dessa falta do Outro, o sujeito da linguagem percebe que não pode satisfazê-lo. Sobra neste processo a causa do desejo ou o chamado “objeto pequeno a”, que é a causa do desejo do próprio sujeito, que também se percebe um sujeito a quem “falta algo”. Esta causa do desejo é “real” no sentido lacaniano do termo, ou seja não é simbolizável, não pode ser expressa em palavras, não é identificável como “elemento do Outro” (pois estes são só os significantes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que este objeto causa do desejo é traumático. De forma que o sujeito se vê obrigado a “construir uma realidade” em volta dele e precisamente para evitar o encontro com ele. Ele precisa, portanto, organizar e estruturar a realidade em torno do seu desejo. Esta moldura em torno do desejo é o que Lacan chama de “fantasia” e o que o leva a afirmar que a realidade tem a estrutura de uma ficção. Uma ficção que determina o que é possível e o que é impossível para o sujeito, o que é “realidade” e o que é “ilusão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, Slavoj Žižek em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Espectro da Ideologia&lt;/span&gt; argumenta que é indiscutivel a existência de coordenadas ideológicas para a operacionalidade da política em tempos de "pós-política" e defende a imperiosa necessidade de uma crítica à ideologia e de uma reinvenção da utopia para a superação dos problemas estruturais próprios do nosso contexto histórico.&lt;br /&gt;O que o filósofo demonstra magistralmente é que a ideologia tem a mesma estrutura desta fantasia lacaniana, ou seja, é um discurso, uma linguagem, construída em torno do trauma dos indivíduos interpelados, para lhes dar um senso de realidade, para dizer-lhes o que é possível e o que é impossível segundo suas coordenadas e, conseqüentemente, operacionalizar sua própria atuação em seu lugar de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mesmo artigo, o pensador esloveno afirma categoricamente estar do lado de Althusser e contra Foucault no que diz respeito à forma como o poder se exerce. Não como uma complexa rede de poderes microfísicos (complexidade esta denunciada como insatisfatória por Žižek), mas como um discurso previamente estruturado e que precisa chegar aos lugares centrais de poder para obter o mínimo de eficácia sobre os indivíduos a ele submetidos, pelo processo de construção da realidade operado pela Ordem Simbólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não custa lembrar que Althusser em seu clássico &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Aparelhos Ideológicos de Estado&lt;/span&gt; faz referência expressa à psicanálise freudiana (embora não se utilize de Lacan) para explicar como a Ideologia se exerce pela interpelação discursiva de indivíduos e como ela se baseia na “evidência de evidência” ou seja, de como ela constrói por seus próprios pressupostos, o que seja evidente (atemporal, apolítico, verdade eterna e incontestável, etc.) e o que seja impossível. E, isto não é segredo, Althusser aponta o Direito como um dos Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE’s).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Žižek, em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Looking Awry: an introduction to Lacan through popular culture&lt;/span&gt; demonstra como a Democracia liberal é a forma discursiva, a ordem simbólica do capitalismo, interpelando indivíduos e organizando suas fantasias em torno do seu objeto a, da mesma forma como, os já enfraquecidos “Estados-Nação”, o faziam com o culto a mitos nacionais. Se hoje os Estados-Nação prestam um papel menos relevante para o cenário cultural contemporâneo, é o multiculturalismo tolerante e a era da chamada “pós-política” ou o fim da história como impossibilidade de transformação política radical, que cumprem o papel de organizar nossas fantasias, ou seja, que cumprem o papel da Ideologia. Indo ainda mais adiante, Žižek chega mesmo a afirmar que a teoria da sociedade do risco é que cumpre o papel primordial de agência ideológica hoje (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Elogio da Intolerância&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nós pensamos como politicamente possível ou impossível é determinado por uma fantasia estruturante que é a própria ideologia. Um dos exemplos mais utilizados pelo filósofo de Liublijana para ilustrar esta idéia é a maneira como encaramos a ecologia. Para ele, existe aí uma fantasia estruturante que precisa ser desfeita se pretendemos sinceramente encarar o problema “real” da ecologia, afinal hoje parece mais fácil imaginar o fim de toda a vida na terra do que uma mudança muito mais modesta no sistema de produção capitalista cuja dinâmica foi responsável pela própria relação exploratória do homem com a natureza. É por isso que o pensador insiste numa distinção de Etienne Balibar entre política e polícia. Polícia seria todo o ato de um poder já estabilizado para manter a própria estrutura de poder, a própria divisão da sociedade conforme a funcionalidade deste poder. Política, por outro lado, seria um Evento que mudaria as coordenadas já estabelecidas, um ato verdadeiramente impossível. Por isso a insistência de Žižek em “Arriscar o Impossível” (nome do seu livro de entrevistas realizadas por Glyn Daily).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este evento seria o que nosso filósofo chama de “suspensão política da ética” ou seja, um acontecimento que, justamente por contestar fantasia estruturante existente, não pode ser ético nem antiético, mas apenas Político, no verdadeiro sentido da palavra, uma vez que a ética, aqui, também é um dos elementos da ideologia. E neste sentido, por diversas vezes, esta ética específica (pois Žižek, assim como Badiou postulam uma outra Ética, com ‘E’ maiúsculo) é confundida com o Direito, com as normas vigentes do ordenamento jurídico. E é Safatle quem, no posfácio de Bem-vindo ao Deserto do Real de Žižek, afirma que a suspensão do ordenamento jurídico é a única garantia de que a história não se reduza a um tempo morto e sem acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma a crítica ao Direito deve sim ser intolerante e talvez arrogante! Por óbvio estou a par das posições de Zaffaroni, como meu amigo Mayora apontou. E por certo que como crítico que sou (e devo dizer: socialista!) não acredito que o melhor seja deixar a operacionalização do direito e mesmo as discussões teóricas dogmáticas nas mãos de conservadores (e aqui reconheço a importância de um trabalho de contenção de dentro do Direito). Mas esta operacionalização e suas reflexões teóricas devem ter plena consciência do limite rígido que o Direito impõe a todo e qualquer ato político verdadeiramente libertário, inscrevendo os atos dos juristas em uma ambivalência inarredável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-8558709022111702810?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/8558709022111702810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=8558709022111702810' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8558709022111702810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/8558709022111702810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/11/um-grande-amigo-porto-alegrense-e.html' title='Uma breve reflexão sobre o Direito e a Crítica ao Direito'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-4061705129891657294</id><published>2008-11-26T09:58:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T10:44:43.227-08:00</updated><title type='text'>De volta ao blog.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegou a hora, há muito postergada, de voltar a escrever neste blog.&lt;br /&gt;No último texto estava muito comprometido com a leitura de autores "pós-modernos" (utilizando-me do termo de forma bastante genérica e 'quase irresponsável') e passava por uma profunda crise em relação a minha posição como socialista e minha relação com os textos marxianos e marxistas. Agora chegou a hora de declarar o que fica e o que some daquilo que escrevi anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a escrever no primeiro texto que passava por uma certa angústia de ter que desconstruir o marxismo para reconstruí-lo posteriormente sem saber que pedaços se perderiam no caminho. Acredito que, com a ajuda de bons autores, este é o processo pelo qual estou passando atualmente. Por outro lado cheguei a afirmar que precisava deixar de lado a leitura de autores como Giddens, Bauman, Galimberti e até mesmo Corbisier, Žižek e Lenin. Pois é... eu menti!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade não consegui me distanciar de Corbisier e principalmente de Žižek, além de ter voltado a me deparar com Lenin através do filósofo esloveno. Na publicação de outubro de 2007 da revista &lt;em&gt;Cult&lt;/em&gt; sobre a 'Renovação da Esquerda' tive contato com alguns autores que hoje me são cruciais para a compreesão desta 'pós-modernidade' e de sua relação com o marxismo e a esquerda de forma geral: o próprio Žižek, Vladimir Safatle, Alain Badiou etc. E este primeiro contato me permitiu voltar confortavelmente à leitura de alguns clássicos marxianos como Althusser, Corbisier (que considero, particularmente, um clássico nacional) etc., além de me ter trazido uma praserosíssima reconciliação com a psicanálise lacaniana, abandonada irresponsavelmente por mim há algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, pretendo reinaugurar o blog expondo, a partir de agora, alguns pensamentos pontuais que têm como referencial, sobretudo, a obra de Slavoj Žižek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem vindos de volta ao blog!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-4061705129891657294?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/4061705129891657294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=4061705129891657294' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4061705129891657294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/4061705129891657294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2008/11/de-volta-ao-blog.html' title='De volta ao blog.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-6461213725905207567</id><published>2007-12-20T15:20:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T10:44:58.161-08:00</updated><title type='text'>Woody Allen e o pessimismo que nos faz seguir em frente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem, como já disse no "lançamento da angústia", passo, atualmente por uma profunda crise no processo de desconstrução do marxismo sem querer perder a esperança de poder fazer um mundo melhor... Afinal, como ser um crítico, como se compadecer do sofrimento alheio e como fazer algo para extinguí-lo em tempos de pós modernidade?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu sei que esta crise existencial parece ridícula... absurdamente ridícula...! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Milhões de explicações e teorias me vêem a cabeça a cada vez que eu me coloco na tarefa de tentar resolver o meu problema, que eu tento travestir de um academicismo &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt; e capaz de participar das rodas de discussão mais invejadas por qualquer &lt;em&gt;stablishment &lt;/em&gt;cultural do mundo, mas no fundo é só um problema freudiano... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não quero mudar o mundo a partir da minha auto imagem. Acho que ela estragaria o jantar de muita gente, e talvez isso torne a fome do mundo um problema ainda maior. Aliás, esta conclusão eu devo a Bauman e à idéia de "conseqüências imprevistas", crucial para entender a crise da modernidade e a falência de seus projetos. Mas a idéia de não poder fazer nada... O problema é que eu nem sequer sei explicar porque é que isso me incomoda tanto. Eu sempre fui extremamente sedentário!&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás talvez tudo se resuma a isto. Minha dificuldade em desconstruir Marx, para reconstruí-lo a partir do discurso da complexidade do mundo, da reconceituação da &lt;em&gt;techne,&lt;/em&gt; tudo isto não passa de um conflito entre a repressão à minha imagem vista do espelho e à minha pulsão ao sedentarismo e a morbidez da preguiça... ah a preguiça!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha indagação, bem como o fato de eu expô-la em um blogg, é tão pifiamente engraçada quanto aquelas dentaduras à corda, norte americanas, que pulam batendo os dentes de um lado para o outro. E a minha expressão facial diante da minha própria crise existencial profunda é a mesma de quem se depara com um brinquedo destes... Em resumo: sinto desprezo e vergonha da minha própria crise (sem falar que ela só me faz perder o tempo que já não seria usado para grandes coisas mesmo). E além de tudo, meu psicanalista exige que eu fale (e pague por isto).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como passar por esta crise sem acabar definhando? A que se agarrar para continuar seguindo a diante?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta, definitivamente, é deixar provisoriamente de lado Marx, Galimberti, Bauman, Corbisier, Giddens, Zizek e Lenin. Acho que há uma infinidade de possibilidades não exploradas na frase que Leonard Zellig ouviu de seu pai na ocasião em que este morreu em seus braços: "A vida é um pesadelo longo e sem sentido. E se há um conselho que eu possa te dar é: seja econômico!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até o fim do processo, fico com a lição de respeito e bom humor que a frase exprime.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-6461213725905207567?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/6461213725905207567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=6461213725905207567' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6461213725905207567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/6461213725905207567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2007/12/woody-allen-e-o-pessimismo-que-nos-faz.html' title='Woody Allen e o pessimismo que nos faz seguir em frente'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3430267247194258978.post-7980425605530758865</id><published>2007-12-08T14:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-08T14:20:14.567-08:00</updated><title type='text'>O lançamento da angústia.</title><content type='html'>A foto explica bem.&lt;br /&gt;Após séculos de tentativas fracassadas de tentar transformar o mundo num lugar melhor... o reconhecimento, por parte das novas gerações, de que o futuro já não é mais uma promessa, como diria Umberto Galimberti, não nos faz sentir assim? Como que de mãos atadas em decorrência da nossa própria brincadeira. Brincadeira de ser Deus, ter a verdade, dominar a natureza (inclusive a humana)&lt;br /&gt;Para alguém que teve uma formação socialista de berço, o reconhecimento da modernidade como o esgotamento das utopias uniformizantes, embora possa ao honrar a tradição utópica que Marx nos legou, nos faz reconhecer nele um projeto que como todos os outros estão fadados ao fracasso...&lt;br /&gt;Talvez seja essa a minha angústia... a de ter que romper, repentinamente com um grande pai e, a partir daí, reconstruí-lo sem saber que pedaços se perderão neste processo.&lt;br /&gt;Bem vindos ao meu Eventuário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3430267247194258978-7980425605530758865?l=oeventuario.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oeventuario.blogspot.com/feeds/7980425605530758865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3430267247194258978&amp;postID=7980425605530758865' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7980425605530758865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3430267247194258978/posts/default/7980425605530758865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oeventuario.blogspot.com/2007/12/o-lanamento-da-angstia.html' title='O lançamento da angústia.'/><author><name>Chrysantho Sholl Figueiredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00892122499132909665</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_VtcCujkbmns/STCFJTDugrI/AAAAAAAAAAg/CLKM1KIRTtE/S220/Euquartogre.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
